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Câncer detectado em teste de urina

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postado em 26/03/2014 17:27 / atualizado em 27/03/2014 14:59

Roberta Machado

Engenheiros de Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram uma técnica de diagnóstico de câncer que é tão acessível quanto um simples teste de gravidez. O método, descrito recentemente na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), consiste em um exame de urina que usa uma tira de papel como prova. O processo leva apenas alguns minutos e não exige estrutura ou pessoal especializados.

O grande segredo da técnica está no biomarcador introduzido no paciente antes do teste por meio de uma injeção. A aplicação é carregada de nanopartículas desenvolvidas pelos pesquisadores do MIT especialmente para interagir com as proteínas dos tumores, as proteases. As partículas são cobertas de peptídeos capazes de romper as proteases, que se acumulam nos rins e são eliminadas na urina. A ação das nanopartículas funciona como uma amplificação do biomarcador, tornando-o detectável pelo teste.

O grupo norte-americano trabalha no método das nanopartículas há algum tempo e, há dois anos, chegou a publicar um trabalho no qual descrevia os reagentes artificiais que facilitam o diagnóstico de câncer. Na época, contudo, a técnica exigia o uso de um equipamento altamente especializado, o espectrômetro de massa, para realizar a análise a nível molecular das amostras.

“Achamos que seria emocionante adaptar a pesquisa para um teste em papel, que poderia ser realizado em amostras não processadas, sem a necessidade de qualquer equipamento especializado”, conta Sangeeta Bhatia, professora do MIT e principal autora do trabalho. A especialista em ciências da saúde e tecnologia acrescenta que o método teria utilidade principalmente em países em desenvolvimento, onde são registradas 70% das mortes por câncer no mundo. “A leitura simples poderia até mesmo ser transmitida para um cuidador afastado, por meio de uma foto tirada com um telefone celular”, ilustra a pesquisadora.

O teste de papel criado pelos pesquisadores é coberto por linhas formadas por anticorpos. Eles capturam os peptídeos das nanopartículas injetadas no paciente que acabam eliminados pela urina. Quando a amostra é depositada na tira, o líquido reage aos anticorpos, tornando a linha visível no papel. A urina sem peptídeos, no entanto, não modifica a aparência do teste, resultado que indica ausência de células cancerosas compatíveis com as nanopartículas usadas no exame — a técnica exige um tipo diferente de biomarcador para cada forma ou estágio da doença.

O diagnóstico em papel foi testado em ratos de laboratório, nos quais os pesquisadores foram capazes de identificar tumores de cólon e coágulos. O grupo já conta com verbas para o próximo passo do estudo, que será aplicar o método em pacientes humanos. Depois de passar pelos testes clínicos, a tecnologia deve ser aplicada primeiramente em áreas isoladas e de pouca estrutura médica, tendo como alvo populações de alto risco, como indivíduos que já tiveram câncer ou que têm familiares com a doença.
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