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Tecnologia no sangue

Tiago Amorim faz parte de uma geração que nasceu plugada em aparelhos como computadores, tablets e smartphones. E tudo o mais de novo que aparecer no mercado. Com apenas 13 anos, o menino tem até um blog onde tira dúvidas de internautas

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postado em 30/03/2014 12:38

Luiz Calcagno

O menino de 13 anos mostra a última aquisição, um óculos que permite o acesso à internet 
O menino de 13 anos mostra a última aquisição, um óculos que permite o acesso à internet


Crescer, aprender e explorar o mundo se mistura com a descoberta da tecnologia e da informática para Tiago Amorim. Desde os 6 anos, ele decifra a linguagem digital. Agora, aos 13, ele é dono de um blog sobre inovações na área de computadores, celulares e tablets. O bom desempenho do garoto no assunto não se resume a isso. Ele também é desenvolvedor das gigantes multinacionais Apple e Google. Empresas como essas têm o hábito de liberar os produtos com exclusividade para pessoas no mundo inteiro. Para estar entre esses “testadores”, o cliente precisa ter criado aplicativos com padrão de qualidade, experiência na criação de programas e até tempo de experiência como gerador de conteúdos. Tiago cumpriu várias dessas requisitos ainda no 9º ano do ensino fundamental. O combustível para o feito, segundo ele, é o amor por resolver problemas, responder perguntas e testar os próprios limites. “Cada vez que descubro algo novo, conto para os meus amigos e para a minha família, tiro as dúvidas das pessoas e também as minhas. Eu quero encontrar o meu limite”, afirma.

No quarto, o garoto tem bonecos do inventor e diretor executivo da Apple, Steve Jobs, e alguns caminhões de Lego com princípios mecânicos. A paixão de Tiago pela área começou em 2006, quando ele teve o primeiro contato com um computador. Usava a máquina para desenhar e gostava de pesquisar as imagens do sistema, mas sentia que faltava alguma coisa. “Eu jogava as palavras na busca e o computador respondia com uma mensagem para eu me conectar à internet. Eu nem sabia o que era isso. Mas, de tanto procurar e ouvir conversas do meu pai em jantares, descobri”, conta. Feliz com a nova janela para o mundo, ele resolveu mostrar o que sabia para o pai, Fábio Andrade. O resultado da ousadia é que o menino ganhou o direito de navegar na rede mundial de computadores.

A contragosto, a empresária Carla Amorim, mãe de Tiago, concordou com o marido. Foi a abertura para que o menino desse os primeiros passos em um novo mundo. “Eu fucei muito. Ia pesquisando, tentando entender como as coisas aconteciam, como tudo funcionava. Eu entendia que era uma linguagem lógica, que uma coisa levava a outra, e tentava compreender isso”, relata. Também começaram com brincadeiras. Aos 9, ganhou um celular do pai. “Eu me escondia e contatava meu pai. Me sentia um espião. Mas, fora isso, não tinha nada para fazer.”

Tiago em sua atividade preferida: em frente a um computador, ele criou o primeiro aplicativo e se envolveu no mundo tecnológico 
Tiago em sua atividade preferida: em frente a um computador, ele criou o primeiro aplicativo e se envolveu no mundo tecnológico


O tempo passa
O jovem vê a passagem do tempo diferente. Dois ou três anos parecem muito enquanto ele narra o próprio crescimento no mundo virtual. “Um pouco depois, quando fiz 10 anos, ganhei o Iphone 3GS. Ele não tinha nada a ver com o (aparelho) que eu tinha antes. Usei meu novo celular para entender ainda mais de tecnologia e internet”. Em uma pizzaria com o pai, Tiago começou a tirar dúvidas sobre o celular. Depois, em uma viagem aos Estados Unidos, o garoto foi a uma loja com um amigo da família que queria comprar um tipo mais moderno do aparelho. Na hora de esclarecer dúvidas sobre o novo sistema operacional do gadget, Tiago deu um banho de conhecimento no funcionário treinado pela empresa.

A essa altura, Tiago tinha a confiança da família e passou a arrumar os computadores de casa. Nessa época, já tirava várias dúvidas de amigos. Em 2010, ganhou um computador modelo Mac. Ele já tinha aprendido a usar o novo sistema e já resolvia problemas nele também. Aprofundou-se no uso e leu livros sobre linguagem de programação. O ano era 2012, e o garoto criou o site www.Tech4Lovers.com.br. Começou a postar notícias sobre novas tecnologias e desenvolveu o primeiro aplicativo para Iphone, que batizou de Tech 4 Lovers. Serve para amigos acessarem o blog do jovem pelo smartphone. Precisou de oito versões para atender aos padrões de qualidade. Demorou quase dois meses para digitar o código para o funcionamento do programa. Na sequência, fez modificações para que o aplicativo também atendesse ao sistema Android e o disponibilizou na empresa para download.

A última de Tiago veio exatamente por causa da dedicação dele. O brasiliense foi o primeiro adolescente da cidade a ganhar o direito de comprar a segunda geração do Google Glass. Em tradução livre, os óculos do Google possuem um pequeno visor à direita e conectam o usuário ao smartphone. Ele atende ligações, mostra e-mails, mensagens, obedece a comandos de voz e movimentos de cabeça e também filma. Desde então, Tiago não conseguiu postar nada no blog. Todos os amigos querem conhecer a novidade. “Eu atendo o celular por ele. Quando ando de bicicleta, vejo meus e-mails nele”, exemplifica Tiago, com o equipamento no rosto e um sorriso satisfeito.



Iniciativa
Para virar um desenvolvedor, Tiago teve que criar um aplicativo para celular nos padrões de qualidade da empresa e pagar U$100 para disponibilizá-lo para download. No caso do adolescente, ele inventou um produto gratuito, apesar de muitos desenvolvedores e empresas cobrarem pelos programas. Ao disponibilizar uma versão do software para a Android, concorrente da Apple, passou a fornecer seus dados também para o Google.


Geringonça
A tradução literal para o português é “geringonça”. O termo gadget é usado para se referir a equipamentos tecnológicos como celulares, smartphones, tocadores de MP3 ou tablets, por exemplo. Normalmente, os produtos apresentam design avançado e até incomum, voltado para o uso mais inteligente do objeto.


Idioma
A linguagem de programação pode ser comparada a um idioma como o português ou o inglês, pois tem regras sintáticas ou semânticas. A linguagem de programação é um método que diz ao computador como ele deve proceder. São códigos que geram uma diversidade de efeitos. No caso dos artigos da Apple, por exemplo, a língua utilizada chama-se Object C, criado na década de 1980.


“Cada vez que descubro algo novo, conto para os meus amigos e para minha família, tiro as dúvidas das pessoas e também as minhas. Eu quero encontrar o meu limite”
Tiago Amorim, estudante

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