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Prenúncio do terror

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postado em 30/03/2014 12:44

 
"O golpe de 1964 foi como um estilete que entra na pele devagar, mas, mesmo assim, machuca muito" TT Catalão, poeta e jornalista


O jornalista e poeta TT Catalão tinha 16 anos quando o país foi tomado pelo golpe de 1964. Apesar da pouca idade, ele mantinha ligação com a política por meio da atuação na Juventude Operária Católica, em Nova Iguaçu (RJ). “A gente trabalhava muito com as ideias da doutrina social propagadas pelo papa João XXIII. Fazíamos uma paraliturgia antes das missas, com teatro, música, pequenas dramatizações”, explica.

Em 31 de março, enquanto as tropas tomavam o Rio de Janeiro, ele estava na Catedral de Santo Antônio, no centro da cidade. “Começaram a chegar rumores muito fortes de que alguma coisa muito ruim poderia acontecer. Tratava-se de uma intervenção num processo legítimo e tínhamos a sensação de que nada seria como antes.” Para TT Catalão, em um primeiro momento, os militares não davam pistas do que aconteceria mais tarde, com a chegada do AI-5.

“O golpe de 1964 mostrou-se o prenúncio do estado de terror que tomaria o país anos depois. Foi como um estilete que entra na pele devagar, mas, mesmo assim, machuca muito”, compara. A mudança dele para Brasília ocorreu justamente no período de endurecimento do regime, em 1972. “A cidade, naquela época, era símbolo daquilo tudo. Nosso desafio sempre foi tentar desmentir aquilo. A capital era muito cheia de vida e aquela dureza toda acabou quebrada pela arte e pela cultura”, acredita TT Catalão, que cita a criação do Pacotão e os tradicionais desfiles na contramão como um contragolpe na ordem então estabelecida.

 

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