SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

No apartamento, com JK

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 30/03/2014 12:45

 
"Ficamos atordoados com a notícia, mas ainda não tínhamos noção do alcance daquele atentado à democracia" Afonso Heliodoro, 97 anos, fiel amigo e ex-assessor de Juscelino Kubitschek


Fiel amigo e assessor de Juscelino Kubitschek, o coronel Affonso Heliodoro, 97 anos, ainda se lembra da terça-feira em que a ameaça de golpe tornou-se realidade. “Estava com JK no apartamento dele no Rio de Janeiro. Ficamos atordoados com a notícia, mas ainda não tínhamos noção do alcance daquele atentado à democracia”, destaca. Além dele, outros companheiros do ex-presidente acompanharam, assustados, a chegada das tropas à capital carioca. Os amigos mais próximos temiam pela segurança de JK, pois as intimidações eram constantes.

Segundo Heliodoro, em 1964, um ano antes das eleições, o homem que transferiu a capital para o Planalto Central e ocupava vaga no Senado já era cotado para
disputar a Presidência da República. “Quando comandou o país, ele teve um desempenho extraordinário, foi diferente de todos os outros. Ele cumpriu todas as metas do plano de governo e isso fez dele um postulante imbatível. Se eleito, JK daria um segundo passo para o desenvolvimento completo do Brasil”, afirma.

Mas os planos de Juscelino, de acordo com Heliodoro — que ocupou o cargo de subchefe do Gabinete Civil no governo federal, de 1957 a 1961 —, contrariavam muitos interesses, em especial os norte-americanos. “Eles não tinham interesse no desenvolvimento do país e, por isso,
eram visceralmente contrários a Juscelino”, acredita.

Último discurso
Dois meses depois do golpe, em 3 de junho, o ex-presidente fez o último discurso no Senado. “Na previsão de que se confirme a cassação dos meus direitos políticos, que implicaria a cassação do meu direito de cidadão, sinto uma perfeita correlação entre a minha ação presidencial e a iníqua perseguição que me estão movendo”, frisou. Nove dias depois, ele teve suspenso o mandato.

Para Heliodoro, a derrubada de Jango foi apenas um pretexto para impedir a segunda eleição de JK à Presidência. “Antes dele, o país importava até caneta esferográfica. No fim do governo, com Brasília construída e estradas abertas, estávamos exportando automóveis. Isso incomodou muita gente”, argumenta.

Até hoje, o coronel mantém viva a memória do conterrâneo — Heliodoro nasceu em Diamantina (MG) e foi aluno de dona Júlia, mãe de Juscelino. Na casa onde vive, no Lago Sul, são incontáveis as fotografias, livros e documentos sobre o período em que acompanhou JK. “Eu acordava o presidente e apagava a luz do quarto dele todas as noites. Ele era incansável, trabalhava como um louco pelo país.”

 

Tags:

publicidade

publicidade