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Expectativa de resistência

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postado em 30/03/2014 12:46

 
"Engolimos a quebra da legalidade muito indignados. Nada podíamos fazer porque os militares já haviam ocupado todos os espaços" Pedro Gordilho, 75 anos, ex-ministro do TSE, que era advogado na época do golpe


Aos 22 anos, recém-formado, o advogado Pedro Gordilho decidiu deixar Salvador para tentar a vida em Brasília. Passou a trabalhar na cidade e, em 1963, a atuar como procurador do Estado da Bahia na capital. “Eu morava em uma república com outros jovens sonhadores como eu, todos a favor da legalidade”, conta. No dia do golpe, ao saber do pior, Gordilho fez contato com Waldir Pires, seu amigo, para saber o que poderia fazer. “A informação que eu recebi foi que, na Rádio Nacional, estavam sendo distribuídos armamentos para quem queria defender o regime. Imediatamente, fui até lá. Quando cheguei ao prédio, não havia mais armas. Ficamos muito ansiosos para saber se, de fato, o presidente iria resistir”, explica.

Em 1º de abril, Darcy Ribeiro e Waldir Pires — chefe do Gabinete Civil e consultor-geral da República, respectivamente — receberam ordens de Jango para que permanecessem em Brasília e informassem ao Congresso que o presidente estava no Rio Grande do Sul a fim de organizar a resistência. Mas, com o avanço dos militares, ficou claro que seria impossível lutar. “O presidente nunca foi comunista, ele era um pensador livre, que queria mudanças, desejava um mundo mais justo. O golpe de 1964 foi baseado em uma grande falácia”, destaca o ex-ministro do TSE, hoje com 75 anos.

Tristeza
Gordilho lembra com tristeza o sentimento que se abateu sobre ele e os colegas. “Engolimos a quebra da legalidade muito indignados. Nada podíamos fazer porque os militares já haviam ocupado todos os espaços”, afirma o advogado, hoje com 75 anos. Quando as tropas de Minas Gerais chegaram à capital, foram abrigadas no Teatro Nacional, para onde Gordilho se dirigiu a fim de confirmar a informação. “Os caminhões militares cercaram o prédio. As salas nem sequer tinham cadeiras, havia apenas uma espécie de arquibancada de concreto, onde as pessoas foram instaladas de forma precária, sem sanitário.Que lástima aconteceu com o nosso país”, conta.

Durante os anos mais duros do regime, acompanhou de Brasília as arbitrariedades cometidas pelos generais, sem nunca, porém, deixar de sonhar com a volta da democracia. De 1978 a 1982, com o início da abertura, integrou o TSE, sendo relator de inúmeros processos que conseguiram, aos poucos, devolver a democracia ao Brasil.


Mudanças
Entre as memórias de Pedro Gordilho sobre o período em que ocupou o cargo de ministro no Tribunal Superior Eleitoral, duas têm destaque especial: a disputa entre Leonel Brizola e Ivete Vargas pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e a definição da cédula eleitoral em 1982. O Poder Executivo era contrário ao modelo aprovado pelo TSE, que incluía o nome dos partidos. “Não podíamos conceber a falta da legenda ao lado do nome dos candidatos e reafirmamos isso por meio de uma resolução. A decisão acabou anulada por meio de um decreto”, lembra.
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