O abstrato dominava a arte

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postado em 31/03/2014 16:00

Nahima Maciel

Quando a VII Bienal Internacional de Arte de São Paulo abriu as portas em setembro de 1963, a abstração e o experimentalismo imperavam na produção artística brasileira. O movimento neoconcreto, nos anos 1950, e o concreto, um pouco antes, agitaram a cena brasileira com a ideia de que a arte não tem função, não é objeto e, portanto, não deve se submeter a nada além de sua própria proposta estética. A pintura abstrata, a escultura geométrica e as instalações conceituais ajudaram a construir os conceitos perpetuados por nomes como Ferreira Gullar, Lygia Clark, Lygia Pape e Hélio Oiticica.


Tal abstração dificultava o engajamento político das artes plásticas, diferentemente do que acontecia no cinema e no teatro. Atrelar a linguagem artística a qualquer tipo de ideia política, acreditava boa parte dos artistas plásticos da época, seria reduzir o valor da arte e torná-la um instrumento ideológico, mas isso não quer dizer que não houve engajamento no primeiro momento da ditadura. O próprio Gullar estava à frente do Centro de Produção Cultural (CPC), cuja filosofia era conscientizar as massas ao aproximar a cultura popular e a produção contemporânea.


A menção à repressão — a para isso a abstração não se prestava — ainda demoraria alguns anos para se manifestar nas artes plásticas brasileiras.
Apenas em torno de 1967 é que a figuração encontrou espaço na produção nacional graças às ideias da pop art, do neorrealismo e da nova figuração. Nomes como Wesley Duke Lee, Claudio Tozzi e Rubens Gerchman pintaram e desenharam obras nas quais se pode identificar figuras e, eventualmente, uma ou outra menção, sempre discreta e sutil, ao momento político brasileiro.


 A ligação do artista com o seu meio e seu tempo transparece naturalmente na obra, e daí a sutileza necessária para distinguir essa produção de eventuais acusações de panfletagem, coisa que não aconteceu nas artes plásticas brasileiras.

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