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Fragmentos da história

Comissão nacional da verdade e entidades ligadas a honestino guimarães comentam reportagem do correio que aponta a data e o local da prisão do líder estudantil, desaparecido desde 1973

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postado em 01/04/2014 16:00

Étore Medeiros

Honestino detido na Universidade de Brasília: ele presidiu a UNE em 1971, ano em que a entidade era clandestina (Arquivo/CB/D.A Press) 
Honestino detido na Universidade de Brasília: ele presidiu a UNE em 1971, ano em que a entidade era clandestina

Entidades ligadas direta ou indiretamente à trajetória de Honestino Guimarães enalteceram a descoberta apresentada com exclusividade pelo Correio, na edição de ontem, da primeira prova documental sobre a prisão do líder estudantil. “É muito interessante esse material que o Correio traz, muito rico. O processo de memória e de verdade é isso: a gente vai construindo, às vezes por meio de pequenos fragmentos de informação, uma versão mais próxima das reais circunstâncias dessas graves violações de direitos humanos”, ressalta o diplomata André Saboia Martins, secretário executivo da Comissão Nacional da Verdade (CNV). “Não havia ainda um documento oficial com a data nem com a confirmação do local da prisão. Esse documento, pode-se dizer, não é uma prova conclusiva de que ele foi detido, mas é um indício importante, muito importante”, complementa.

A própria CNV já revirou os arquivos públicos disponíveis atrás de pistas sobre o desaparecimento de Honestino, sem obter avanços como o alcançado pelo trabalho conjunto das Comissões da Verdade estaduais de Pernambuco e do Rio de Janeiro.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Virgínia Barros, considera que a “revelação ajuda no esclarecimento dos fatos sobre o desaparecimento de Honestino Guimarães”, e reforça que, além da descoberta, é “fundamental que sigamos na luta para esclarecer as condições do sumiço dele, inclusive onde foram parar os restos mortais”. “Honestino é um dos maiores símbolos da luta contra a ditadura e se encontra vivo nas lutas do movimento estudantil”, diz Virgínia, lembrando que ele foi presidente da UNE em 1971, quando a entidade estava na clandestinidade.

Atualmente dirigido por uma comissão eleitoral, o Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães (DCE), da Universidade de Brasília (UnB), tem, desde o nome, ligação intrínseca com a liderança estudantil. Nicolas Powidayko, 21 anos, estudante de economia, faz parte da gestão que acaba de deixar o DCE. “Quanto mais informações, descobertas sobre ele, mais podemos repensar o tipo de prática que adotamos hoje. Para nós, da Aliança pela Liberdade, Honestino é um símbolo de liberdade. Era estudioso, idealista, lutava pelas suas ideias. Sabia ser diplomático e republicano quando necessário, mas também o momento para ser resistente.”

“A descoberta desse documento, elaborado pelos próprios militares, confirma que Honestino foi mesmo preso. É muito importante para a família e reforça, na nossa universidade, a simbologia que ele tem. Ele desejava uma universidade pública, aberta e democrática, que é o que buscamos resgatar com o movimento Honestinas, batizado em sua homenagem”, explica Octávio Torres, estudante de direito da UnB e integrante do grupo.

Conforme revelado ontem pelo Correio, Honestino Guimarães foi preso no Rio de Janeiro, em 10 de outubro de 1973, confirmando as suspeitas da família. Nenhuma prova documental da detenção havia sido encontrada. As comissões da verdade que investigam o caso — a de Pernambuco, a da UnB e a CNV — centram esforços em saber o que ocorreu após o desaparecimento.

Desconforto na UFG

A presença de pelo menos 10 caminhões do Exército no câmpus da Universidade Federal de Goiás (UFG) ontem causou revolta nos estudantes. Apesar de participarem de programação que debatia a segurança em grandes eventos, o comparecimento dos militares foi entendido como uma ofensa, dada a coincidência com os 50 anos do golpe de 1964. Também estavam na UFG representantes da Força Nacional, da Polícia Federal e da Polícia Militar.

Ao se manifestarem contra os efetivos, os estudantes disseram ter recebido ofensas de cunho homofóbico e machista. Após assembleia geral, os alunos declararam, por meio de nota, que são contrários “à utilização da estrutura da universidade para qualquer tipo de treinamento e aperfeiçoamento da repressão aos movimentos sociais e populares”.

Também por meio de nota, a reitoria esclareceu que a reunião já estava agendada. O reitor, Orlando Amaral, expressou aos estudantes o desconforto com a situação: “a UFG reitera o compromisso com a democracia, a justiça social e o combate a todas as formas de discriminação”.

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