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À SOMBRA DOS QUEPES »

Para não esquecer o passado

manifestações contra o golpe e pela revisão da Lei da Anistia são organizadas em várias cidades do país. No rio, militares da reserva se reúnem em clube distante para celebrar a "revolução"

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postado em 01/04/2014 16:00

Amanda Almeida

Em São Paulo, manifestantes se reuniram na sede do DOI-Codi, centro de torturas da época da ditadura, com fotos de presos políticos e de desaparecidos  (Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press/Agência O Globo) 
Em São Paulo, manifestantes se reuniram na sede do DOI-Codi, centro de torturas da época da ditadura, com fotos de presos políticos e de desaparecidos

Atos contrários ao golpe de 1964 e favoráveis à revisão da Lei da Anistia marcaram o dia de ontem. Em Brasília, a Subcomissão da Verdade do Senado vai apoiar a campanha da Anistia Internacional pela revisão da lei que, em 1979, anistiou políticos e militantes de esquerda, além de militares apontados como torturadores. No colegiado, é discutida proposta que torna sem efeito a referida norma em casos de crimes cometidos pelos agentes da repressão.

“A nossa subcomissão terá total engajamento na campanha organizada pela Anistia Internacional, ‘50 dias contra a impunidade’, que se iniciará amanhã (hoje) e colherá milhares de assinaturas on-line, pedindo a revisão da Lei da Anistia”, anunciou o presidente do grupo, senador João Capiberibe (PSB-AP). “É uma campanha da cidadania. A vida nacional não pode viver dessa chaga indelével de 1979, de uma lei que foi aprovada no ventre de um regime autoritário”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP), autor da proposta.

Waldir Pires, ex-deputado e ministro do governo João Goulart, e o jornalista e exilado político José Maria Rabelo participaram da sessão. Rabelo cobrou a mudança do nome do Estádio Punaro Bley, em Vitória (ES). Bley foi o general que comandou a destruição da redação do jornal Binômio, chefiado por Rabelo, na época. “Duzentos soldados, tenentes e coronéis da Aeronáutica e do Exército cercaram o jornal, subiram e destruíram tudo”, relembra o jornalista.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também manifestou repúdio ao golpe. O ato público “Para não repetir” reuniu advogados que atuaram na defesa de perseguidos políticos. Diante de um auditório lotado, o presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, discursaram, mas quem roubou a cena foi o ex-militante das Ligas Camponesas Joel Câmara, que surpreendeu ao defender a ascensão dos militares ao poder. Segundo ele, não houve golpe, mas uma revolução. Câmara foi vaiado pela plateia. Diante da saia-justa, Coêlho mencionou que a OAB é uma casa democrática.

Outros atos

Em São Paulo, o ato que marcou os 50 anos do golpe ocorreu no pátio do prédio que sediou o Destacamento de Operações de Informações — Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), principal centro de torturas da capital paulista. Manifestantes exibiram fotos de presos e desaparecidos políticos e encenaram um interrogatório nos moldes dos que ocorriam no calabouço do DOI-Codi. Mesmo sem a parte da tortura, a manifestação emocionou os quem participou do ato.

No Rio de Janeiro, cerca de 80 militares da reserva se reuniram para celebrar os 50 anos do que ainda chamam de “revolução”. Receosos quanto à presença de manifestantes contrários ao golpe, o evento foi marcado para o Clube da Aeronáutica, na Barra da Tijuca, bem longe do centro da cidade. Também estiveram presentes integrantes dos clubes Naval e Militar, que costumam reunir reservistas. O encontro teve falas de repúdio ao trabalho das comissões da verdade e à cobertura da imprensa, com inúmeras reportagens especiais, sobre os 50 anos do golpe de 1964.
Colaborou Étore Medeiros

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