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Confusão e bate-boca em sessão na Câmara

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postado em 02/04/2014 16:00 / atualizado em 02/04/2014 11:46

Étore Medeiros , Naira Trindade

Integrantes de movimentos sociais ficam de costas para a tribuna da Câmara: solenidade interrompida (Sérgio Lima/Folhapress) 
Integrantes de movimentos sociais ficam de costas para a tribuna da Câmara: solenidade interrompida

Terminou em confusão a sessão solene da Câmara dos Deputados que relembrou ontem os 50 anos do golpe que instituiu a ditadura no Brasil (1964-1985). Diante de parlamentares e militantes de movimentos sociais contrários ao regime ditatorial, pessoas ligadas ao deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) exibiram uma imensa faixa na galeria do plenário com os dizeres: “Parabéns militares – 31 de março de 1964. Graças a vocês o Brasil não é Cuba”. A mensagem incendiou o plenário e colaborou para o encerramento precoce da solenidade.

“Assassinos”, gritaram militantes contrários à ditadura, erguendo cartazes com fotos de desaparecidos políticos, torturados e assassinados naquele período. Ante a gritaria, a faixa pró-militares foi recolhida pela Polícia Legislativa, a pedido do presidente da sessão, o deputado Amir Lando (PMDB-RO). Ele apelou para um ato da Casa para impedir exibição de cartazes. Em seguida, a diretora da União Nacional das Esposas de Militares das Forças Armadas e presidente do Partido Militar Brasileiro no DF, Ivone Luzardo, caiu no plenário ao bater boca e ter um cartaz rasgado, que pedia “respeito e valorização” dos integrantes das Forças Armadas.

Antes de ser encerrada, a sessão havia sido suspensa por duas vezes na tentativa de apaziguar os ânimos. Poucos deputados discursaram. Após Luiza Erundina (PSB-SP), Assis do Couto (PT-PR), Mauro Benevides (PMDB-CE) e Nilson Leitão (PSDB-MT), seria a vez de Bolsonaro. Mas o pronunciamento não chegou a ser feito porque a maioria dos presentes, inclusive deputados, deu as costas à tribuna. A sessão foi suspensa mais uma vez. “Vocês vão ser torturados com algumas verdades. Deixe-os de costas, presidente, por favor”, pediu Bolsonaro na tentativa, sem sucesso, de falar. Com o encerramento, sete inscritos não discursaram.

Bagunça
Antes mesmo de começar, a cerimônia já havia sido marcada por confusões, dada a limitação do acesso a apenas 100 convidados — normalmente sessões solenes são completamente abertas ao público. O deputado Amauri Teixeira (PT-BA) alegou ter sido barrado pelos seguranças na porta do Salão Verde, enquanto tentava liberar a entrada de pessoas no evento. Ao chegar ao plenário, o presidente Henrique Eduardo Alves permitiu o acesso do público, convencido por Amauri, Ivan Valente (PSol-SP) e Chico Alencar (PSol-RJ) que compararam a restrição a práticas ditatoriais. Alves justificou ter tentado limitar a entrada para que os grupos favoráveis e contrários ao regime autoritário não atrapalhassem o andamento da solenidade.

Incomodado com a possibilidade de Jair Bolsonaro presidir a sessão solene dos 50 anos de golpe, Henrique Alves atrasou o início mais de uma hora. Por ser o parlamentar mais antigo entre os presentes no plenário, Bolsonaro tinha a prerrogativa de presidir o evento. Ele até chegou a sentar-se na cadeira de Henrique Alves, deixando-o intrigado. “Ele tá fazendo o que (sentado na cadeira da presidência)?”, indagou Alves ao chegar.

Mais tarde, o presidente da Câmara lamentou o encerramento precoce da sessão. “O acertado era dar a palavra ao deputado Bolsonaro. Era direito dele, mas o desrespeito ao regimento interno levou ao não cumprimento do combinado. É uma pena, a democracia tem dessas coisas”, disse. Alves deixou a sessão com Amir Lando para participar da posse do ministro de Relações Institucionais, Ricardo Bezoini, no mesmo horário.

Reabertura

Na Comissão de Direitos Humanos, deputados oficializaram a reinstalação da Subcomissão Parlamentar de Verdade, ligada ao colegiado. O grupo foi criado em 2012 para contribuir com os trabalhos de recuperação da verdade histórica iniciada pela Comissão Nacional da Verdade, mas acabou em 2013, na gestão do deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP). A subcomissão será presidida pela deputada Luiza Erundina. “Vamos continuar levantando informações e acompanhando o trabalho da CNV. No fim deste ano, pretendemos realizar um encontro nacional com os comitês e comissões da Verdade do país inteiro, para fazer uma avaliação do relatório final da CNV, se já tiver sido apresentado”, antecipou a parlamentar paraibana.
Colaborou André Shalders

"Vamos continuar levantando informações e acompanhando o trabalho da CNV. No fim deste ano, pretendemos realizar um encontro nacional com os comitês e comissões da Verdade do país inteiro”
Luiza Erundina (PSB-SP), deputada federal

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