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Correio Braziliense

Á SOMBRA DOS QUEPES

Autópsia de Jango na Europa

Planalto contrata dois laboratórios para a análise dos restos mortais do ex-presidente,deposto em 1964

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postado em 07/04/2014 19:13

Maria Clara Prates

Evaristo Sá/AFP-14/11/13
Dois laboratórios—um da Espanha e outro de Portugal — foram contratados pela Presidência da República para a análise dos restos mortais do presidente João Goulart, que estão sendo pericia dos para afastar a suspeita de que ele pode ter sido assassinado durante a ditadura militar, na Operação Condor.

O laboratório da Universidade de Múrcia, na Espanha, receberá os ossos, e o da Universidade de Coimbra, em Portugal, os tecidos moles. Parte do material também está sendo periciado pela Polícia Federal brasileira, depois da exumação do corpo do presidente, em novembro passado. De acordo com o neto de Jango, o advogado Christopher Goulart, apesar de a escolha dos laboratórios ter sido feito em dezembro, o envio dos restos mortais sofreu um atraso,mas não deve comprometer o prazo de divulgação do laudo oficial.“O materia lestá bem conservado”, ressalta Goulart.Christopher Goulart, que também é suplente de vereador pelo PDT em Porto Alegre (RS), disse que a luta da família agora é manter o interesse político pelo esclarecimentos da morte do avó, já que os meios para isso já foram viabilizados. Segundo ele, desde a exumação, tem feito uma verdadeira peregrinação pelos órgãos envolvidos no trabalho de apuração sobre circunstâncias da morte de João Goulart.“Nos próximos dias, vou pedir uma reunião com a nova ministra de Direitos Humanos,Ideli Salvatti (PT-SC),para tratar do assunto, e, entre outros temas, solicitar mais agilidade no envio do material para perícia, e também na Comissão daVerdade. Na semana passada, estive no Ministério Público Federal (MPF) e também na Polícia Federal para acompanhar os trabalhos”, disse Goulart, que espera que o prazo de um ano seja suficiente para esclarecer se a morte do avó também foi um crime do período de exceção de direitos.

João Goulart morreu no exílio,em Mercedes, na Argentina, em 1976. Acabou enterrado sem autópsia. A Certidão de Óbito se limita a dizer que ele foi vítima de uma enfermedade (doença). De acordo com a Comissão Nacional da Verdade (CNV), os laboratórios no exterior vão realizar os toxicológicos, já que existe a suspeita de que ele pode ter sido envenenado,com atroca da medicação,daqual fazia uso diário. Por sua vez, o Ins-
tituto Nacional de Criminalística (INC) da Polícia Federal — que coordenou todo o processo de exumação — está responsável pelos exames antropológicos e de DNA. A CNV informou ainda que as amostras foram coletadas pelos federais brasileiros ela cradas para envio aos países colaboradores.
A expectativa é que o processo de análise dos restos mortais tenha duração de seis meses a um ano,quando deve ser divulgado o resultado final. Apesar de bem equipado, o laboratório do Instituto de Criminalística da PF não consegue testar algumas substâncias que poderiam ter causado a morte de Jango, como Isodril e Adelfan — consumidos para tratar a cardiopatiado presidente —, além de substâncias que podem levar à morte, como cloreto de potássio, clorofórmio e escopolamina.

Sem prazo definido

Em razão do minucioso trabalho, segundo a Comissão Nacional daVerdade, não existe um prazo para a análise no exterior.Os laboratórios, explica a CNV,foram escolhidos pelos peritos da Polícia Federal que coordenaram e prepararam toda a logística necessária para os trabalhos de exumação. Em suas instalações, a PF vai cuidar de confirmar a identificação do corpo, a partir da medição da ossada, características físicas, radiografia e tomografia. Soma-se a isso, a comparação do DNA dos restos mortais com de seus descendentes.
O corpo de João Goulart foi exumado em 13 de novembro,em São Borja (RS), e transladado para Brasília,onde foi recebido com honras militares.Desde a exumação,a cooperação internacional foi uma marca da investigação.Segundo a Comissão da Verdade, participaram da exumação peritos uruguaios,argentinos e cubanos, além do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.Todos com experiência em trabalhos semelhantes envolvendo as exumações de corpos como de Che Guevara, Simon Bolivar,Pablo Neruda e Salvador Allende.
Até se chegar à exumação, o processo de convencimento da necessidade de investigação da morte de Jango foi longo.Em 2007,a família dele encaminhou pedido ao Ministério Público Federal pedindo a reabertura das investigações. Quatro anos depois, sem resposta efetiva, familiares recorreram à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência. O pedido só ganhou força em maio de 2012,com a criação da Comissão da Verdade. Desde sua instalação, a CNV conseguiu comprovar que o jornalista Wladimir Herzog foi vítima de tortura e, ao contrário da versão oficial, não se suicidou em uma celado DOI-Codi

Colaborou Étore Medeiros

A Operação Condor foi uma ação conjunta de repressão a opositores das ditaduras instaladas nos seis países do Cone Sul: Brasil,Argentina,Chile,Bolívia,Paraguai e Uruguai.A função principal era neutralizar e reprimir os grupos que se opunham aos regimes militares montados na América Latina,como os Tupamanos,no Uruguai;os Montoneros,na Argentina; o MIR,no Chile; entre outros.Montada em meados dos anos 1970,a operação durou até o período de redemocratização da região,nadécada seguinte.A operação,liderada por militares da América Latina,foi batizada com o nome da ave típica dos Andes e símbolo da astúcia na caça às presas.

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