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CIÊNCIA

ONU defende uma revolução energética

Última parte do quinto relatório do IPCC prega mudanças radicais para cortar as emissões de gases estufas e, dessa forma, evitar uma catástrofe climática no planeta. Segundo especialistas, serão necessários gastos anuais no valor de US$ 147 bilhões até 2029

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postado em 14/04/2014 18:30 / atualizado em 14/04/2014 11:31


Parque eólico no Ceará: reduzir a dependência em combustíveis fósseis e ampliar o investimento em fontes de energia limpa é fundamental, diz ONU  (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 5/12/09) 
Parque eólico no Ceará: reduzir a dependência em combustíveis fósseis e ampliar o investimento em fontes de energia limpa é fundamental, diz ONU


Os efeitos negativos da mudança climática só poderão ser evitados se as emissões de gases poluentes forem reduzidas de 40% a 70%. A recomendação foi feita pelo Painel Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC), que divulgou ontem, em Berlim, a última parte do quinto relatório sobre o aquecimento global, no qual propõe uma revolução energética urgente e investimentos anuais no valor de US$ 147 bilhões até 2029 para enfrentar a questão. O documento destaca que o reforço na adoção de energias limpas é o caminho mais viável para que o que planeta aqueça até 2º C em 2050. Caso contrário, a temperatura aumentará de 3,7ºC a 4,8ºC antes de 2100.

 “Há uma clara mensagem da ciência: para evitar uma interferência perigosa com o sistema climático, temos que deixar de continuar operando igual”, alertou Ottmae Edenhofer, copresidente do IPCC, um projeto da Organização das Nações Unidas (ONU). Os pesquisadores propõem que as fontes energéticas limpas sejam triplicadas ou quadriplicadas. Isso significa que parte do valor investido em combustíveis fósseis, cerca de US$ 30 bilhões, seja transferida para o setor. Além disso, o documento adverte que mais cifras sejam injetadas em melhorias nos transportes públicos, prédios e indústrias com eficiência energética. A estimativa é que essas estruturas recebam um acréscimo de US$ 336 bilhões ao ano.

Reação
Ao comentar as conclusões e propostas do IPCC, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou que enfrentar o aquecimento global é uma aspiração possível, inclusive porque tecnologias capazes de conter um desequilíbrio ambiental já existem. Kerry concordou que o setor precisa de investimentos. “O informe diz muito claramente que estamos frente a uma questão de vontade mundial, e não de capacidade”, acrescentou.

A comissária europeia para o clima, Connie Hedegaard, censurou a resistência da China e dos EUA em aderir aos programas de controle de emissão de gases. Ela anunciou que a União Europeia adotará um plano ousado para controlar o efeito estufa. “Quando vocês, os grandes emissores, vão fazer o mesmo? Quanto mais tarde, pior, mais difícil será fazê-lo”, provocou. “O informe do IPCC é claro, não há plano B. Só há o plano A, o da ação coletiva para reduzir as emissões imediatamente”, defendeu Hedegaard por meio de um comunicado.

A última parte do relatório do IPCC enfatiza que se as taxas de gases poluentes não diminuírem, dificilmente as metas serão alcançadas. Uma quantidade de 550ppm até 2100, valor acima do proposto, reduz as chances de controle do efeito estufa em 50% — em 2011, a produção foi de 430ppm, um nível alto, de acordo com os especialistas. Os excessos de CO2 resultariam um aumento expressivo da poluição do ar que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mata uma média de 7 milhões de pessoas no mundo.

Além disso, o nível do mar poderia aumentar de 26 a 82 centímetros. A boa notícia é que as alterações propostas pelo painel, como o menor uso de combustíveis fósseis, podem sair do papel sem que a população sacrifique o estilo de vida. Frear os efeitos da mudança climática, segundo o IPCC, limitaria o crescimento do consumo global em apenas 0,06% — uma renúncia relativamente pequena para os benefícios que a medida traz.



Contra o tempo


Os destaques do relatório do Painel Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC) divulgado ontem em Berlim


Principais conclusões

 
» Ainda há tempo para alcançar o objetivo de limitar a 2ºC o aumento da temperatura média do planeta

» Para possivelmente chegar
a essa meta (probabilidade de 66%), o nível de gases de efeito
estufa na atmosfera antes
de 2100 não pode ser
superior a 450 ppm
(partículas de CO2 por milhão).

» Mantido o número atual de emissões, a temperatura média aumentará entre 3,7ºC e 4,8ºC até 2100.
 
Custos
 
» Para limitar o nível de gases do efeito estufa a 450ppm, será necessária uma mudança
radical no modelo de produção e consumo de energia,
diminuindo entre 40% e 70% as emissões até 2050.

» Isso significa “triplicar ou quase quadruplicar” a porcentagem de fontes energéticas limpas ou nucleares, e uma
diminuição de 0,06% no consumo energético mundial.

» Para alcançar níveis entre
450 e 530 ppm até 2100 são necessários investimentos
de US$ 147 bilhões em fontes alternativas de eletricidade no período de 2010 a 2029.

» Também será necessário reduzir
em US$ 30 bilhões os
investimentos anuais em tecnologias de combustíveis fósseis.

» Os investimentos em transportes, prédios e indústria com eficiência energética devem incrementar em US$ 336 bilhões ao ano.
 
Propostas
 
Para o transporte
» Melhorar a eficiência energética,  » Investir einfraestruturas com pouca emissão de CO2
» Incentivar o uso de bicicleta
e a locomoção a pé

Para a construção
» Renovar edifícios

» Aplicar medidas de
eficiência energética
Para a indústria
» Reduzir as perdas de hidrofluorcarbonos (HFCs)
em refrigeradores e
aparelhos de ar-condicionados

» Reciclar materiais
 
Para a agricultura e a
exploração florestal
» Reduzir a eliminação de bosques

» Plantar novas florestas

» Limitar os biocombustíveis
 
Para o consumo
» Incentivar uma mudança de comportamento do consumidor

» Reduzir o desperdícios
de alimentos
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