SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

ASTRONOMIA »

De olhos atentos na Lua de Sangue

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 14/04/2014 19:00

Isabela de Oliveira /


Eclipse total visto de Manassas, na Virgínia (EUA), em 2010: efeito avermelhado  (Karen Bleier/AFP) 
Eclipse total visto de Manassas, na Virgínia (EUA), em 2010: efeito avermelhado


Dentro de poucas horas, exatamente às 4h46 (horário de Brasília) desta terça-feira, o céu das Américas será tomado por um eclipse total da Lua, fenômeno que poderá ser visto de todo o continente. Quem estiver disposto a se despertar ou ficar acordado noite adentro poderá ver o momento em que a sombra da Terra escurecerá o satélite, produzindo um efeito avermelhado. Essa Lua de Sangue, ou Lua vermelha como também é chamada, abre a temporada de quatro eclipses totais, um acontecimento que não é registrado há mais de um século. Os brasilienses têm a oportunidade de acompanhar tudo de um ponto privilegiado do Brasil, o Planalto Central, onde montanha nenhuma atrapalha o espetáculo.

Os eclipses lunares ocorrem sempre que o satélite fica alinhado com a Terra, exatamente na reta em que incide a sombra do Planeta Azul, feita pelo posicionamento perfeito com o Sol. A sombra da Terra sempre se estende em direção ao espaço, no entanto, na maioria das vezes, a Lua escapa do ângulo. Mas não desta vez. A vista do espectador será de uma esfera vermelha. O efeito se dá justamente em decorrência desse alinhamento.

Imagine, por exemplo, que você fez uma viagem à Lua justamente no dia em que a Terra se enfileirou com o Sol. Ao aterrissar, começou a observar o planeta do espaço. Como ele está contra a luz, é de se imaginar que a visão seja de um ponto negro. Mas não é bem assim. No momento que estrela e planeta se alinharem, a Terra apresentará um “anel de fogo” ao seu redor. Esse posicionamento vai impedir que a Lua receba a luz solar, que lhe confere o brilho prateado. Ela refletirá, no entanto, essa luz vermelha gerada pelo brilho do anel.

Josina Nascimento, pesquisadora da Coordenação de Astronomia e Astrofísica do Observatório Nacional, diz que o efeito, apesar de belo, não é tão raro. Pelo menos dois eclipses totais são registrados a cada ano. Mas, muitas, vezes estamos no lado contrário, ou seja, na parte iluminada do planeta, o que nos dá a impressão de que o acontecimento ocorre poucas vezes. “Ele pode não ser incomum, mas é muito bonito. Vale a pena procurar um lugar com vista livre para o horizonte oeste, onde a Lua se põe, sem prédios ou montanhas”, diz a especialista.

Segundo Josina, por volta de 1h53 desta terça-feira, a Lua, que estará cheia, vai começar a escurecer. “É como se ela tivesse recebido uma mordida. E essa sombra vai aumentar, até que às 4h46 teremos o satélite completamente tingido de vermelho a mais ou menos 30º no horizonte”, descreve a pesquisadora. Esse processo dura uma hora ou mais.

Normalmente, os eclipses lunares ocorrem sem ordem particular. Fred Espenak, especialista em eclipses da Nasa, a agência espacial norte-americana, explica que em algumas situações essa sequência aleatória segue uma ordem. Isso é registrado quando ocorrem quatro eclipses lunares consecutivos, manifestação chamada de tétrade. Então, mesmo que os eclipses totais sejam corriqueiros, é raro que quatro sejam encadeados. “Durante o intervalo de 300 anos, entre 1600 e 1900, por exemplo, não registramos tétrades”, destacou Espenak em comunicado à imprensa.



Marque na agenda

Os próximos eclipses

z 8 de outubro de 2014
z 4 de abril de 2015
z 28 de setembro de 2015
Tags:

publicidade

publicidade