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GENETICAMENTE MODIFICADAS »

Moscas fazem o moonwalk

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postado em 15/04/2014 17:00

Roberta Machado

Na tentativa de entender melhor como as pessoas se movimentam, geneticistas criaram moscas que podem ser comandadas para andar para trás. Foi necessário desenvolver mais de 3,5 mil cepas do bicho em laboratório até chegar a uma que se deslocasse em sentido invertido ao natural. Os insetos sofreram mudanças em interruptores genéticos que influenciam o andar com uma simples mudança de temperatura. Quando expostos ao calor, esses bichos têm um par de neurônios acionados e passavam a se mover em marcha a ré.

A caminhada inversa é iniciada em temperaturas acima de 30ºC — o que pode ser providenciado mirando-se um laser nos insetos — e se encerra abaixo dos 24ºC. “Expressamos um canal ativado por calor chamado TrpA1 em neurônios específicos”, explica Barry Dickson, pesquisador do Instituto de Pesquisa em Patologias Moleculares de Viena. “Quando abertos, os neurônios expressos se tornam ativos”,  resume o cientista, que batizou as moscas que andam para trás de moonwalkers, em homenagem ao famoso passo inventado pelo cantor Michael Jackson.

Uma das ligações neurais modificadas é conectada ao nervo ventral, um tipo de coluna vertebral das moscas. O outro neurônio é orientado na direção contrária e começa no fim do nervo, de onde manda mensagens para o cérebro. A primeira ligação cerebral funciona como um tipo de “iniciador”, fazendo o bicho deslizar para trás quando encontra um obstáculo. É ela que ajuda a mosca a evitar bater em alguma coisa quando está caminhando normalmente. A segunda age como um freio, evitando que o inseto esbarre em algo enquanto anda de costas.

Tentativas
O experimento foi feito no modelo de tentativa e erro, resultando em milhares de insetos que não reagiam como o esperado. “Não tínhamos ideia de que neurônios estariam envolvidos ou mesmo se eles existiam. As 3,5 mil cepas eram diferentes no conjunto de neurônios visados. É como ter 3,5 mil bilhetes de loteria diferentes. Tivemos sorte quatro vezes, e isso nos permitiu identificar os neurônios relevantes”, conta Dickson.

O artigo, que foi publicado recentemente na revista Science, será usado como base para o estudo de outras redes neurais que estejam envolvidas não somente com a caminhada inversa, mas também com o toque, a visão e o olfato.


30ºc
Temperatura que dispara a caminhada em marcha a ré nas moscas modificadas
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