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Estudo aponta a existência de feromônios em humanos

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postado em 02/05/2014 16:45 / atualizado em 02/05/2014 14:56

Vilhena Soares

Google/Reprodução da internet
Muitos animais devem ao olfato a capacidade de se reproduzirem. Substâncias conhecidas como feromônios são excretadas por machos e fêmeas e facilitam a identificação e o encontro entre os parceiros. Há muito tempo, cientistas se perguntam se algo semelhante ocorre entre os seres humanos. Odores podem tornar um homem mais atraente para uma mulher ou vice-versa? Um estudo realizado na China e publicado ontem na revista Current Biology indica que sim, e que esse fenômeno pode ser, muitas vezes, inconsciente.

When Zhou, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências e autor do artigo, conta que estudos anteriores já haviam mostrado que a exposição à androstenodiona, um esteroide já identificado no sêmen e nas axilas de homens, é capaz de deixar mulheres mais bem-humoradas. Já o estratetraenol, um hormônio abundante na urina feminina, gera efeito semelhante em homens.

“Colegas da área descobriram que a androestenodiona ativa o hipotálamo (estrutura do cérebro que regula comportamentos reprodutivos) em mulheres heterossexuais e homens homossexuais, mas não em homens heterossexuais ou homossexuais do sexo feminino, enquanto estratetraenol faz o contrário”, diz o pesquisador.

Não estava claro, contudo, se essas substâncias realmente atuavam como sinais sexuais para as pessoas. E foi isso que Zhou resolveu investigar. Para isso, ele montou um novo experimento. Ele pediu que homens e mulheres observassem em vídeo figuras conhecidas como point-light walkers (PLWs), ou caminhantes de pontos de luz. Trata-se de figuras humanas formadas apenas por pontos brancos sobre um fundo escuro que reproduzem o movimento de uma pessoa andando.

Ao olhar as figuras móveis, é difícil dizer se se trata de um corpo masculino e feminino. Mas era justamente isso que os voluntários precisavam fazer, olhar os pontos e decidir se representavam uma mulher ou um homem. O que eles não sabiam é que o cheiro de cravo-da-índia que sentiam na sala enquanto observavam os PLWs era uma solução carregada de androestenodiona ou de estratetraenol.

Percepção alterada
Após uma série de dias de testes, os cientistas analisaram os resultados e viram que a solução com hormônio masculino fazia com que as mulheres passassem a identificar mais os pontos como uma figura masculina, mas não alterava os resultados entre os homens. Já o composto com o esteroide feminino gerava o efeito contrário, influenciando a percepção dos voluntários homens. Curiosamente, os homens homossexuais respondiam de forma mais parecida às mulheres heterossexuais. E as respostas de mulheres bissexuais e homossexuais ficavam em um ponto intermediário entre os resultados dos participantes heterossexuais.

“Quando as pistas visuais eram extremamente ambíguas, ser exposto ao cheiro de androestenodiona ou de estratetraenol produziu uma mudança em torno de 8% na percepção do gênero”, conta o cientista chinês, segundo o qual a diferença é estatisticamente relevante. Os resultados fornecem a primeira evidência direta de que dois esteroides humanos comunicam informações sobre o gênero oposto. Além disso, eles demonstram que a percepção de gênero visual humano baseia-se em sinais biológicos e químicos subconscientes, um efeito que era até agora desconhecido”, completa.

Para Thomas Hummel, especialista em olfato e professor do Departamento de Otorrinolaringologia da Universidade de Dresden (Alemanha), o trabalho mostra uma suspeita já existente quanto ao sentido humano. “É um trabalho muito interessante, sabemos que outros mamíferos são muito sensíveis para odores, que agem até como sinais sociais. É de se esperar, portanto, que também somos capazes de discriminar entre homens e mulheres com base em nossos narizes. Efeitos semelhantes foram mostrados no passado”, destaca.

O pesquisador acredita que o cientista deveria se aprofundar mais quanto ao termo feromônio, já que existem divergências quanto ao que foi mostrado no estudo e seu significado biológico. “Entre outras características, esse termo implica que os membros da mesma espécie têm de responder a um feromônio de uma maneira específica. Se esse é o caso, a resposta a esses odores no estudo não seria clara”, acrescenta.
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