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Correio Braziliense

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Marcação cerrada sobre os craques de papel

Álbum de figurinhas da Copa do Mundo reúne colecionadores em diversos pontos da cidade e promove o intercâmbio entre diferentes classes sociais e idades. Sindicato que representa 800 bancas de jornal do DF comemora o aumento na arrecadação

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postado em 04/05/2014 12:48

Guilherme Pera

 

Colecionadores de todo o DF se reúnem em banca na Asa Norte para trocar as figurinhas e fazer amizades: encontro de gerações (Carlos Vieira/CB/D.A Press) 
Colecionadores de todo o DF se reúnem em banca na Asa Norte para trocar as figurinhas e fazer amizades: encontro de gerações

 

Os cromos do torneio são comercializados  em pacotes com cinco, cada (Alexandre Botão/CB/D.A Press) 
Os cromos do torneio são comercializados em pacotes com cinco, cada


Fazer o álbum do Mundial é uma tradição entre brasileiros de diversas idades (Gustavo Moreno/CB/D.A Press) 
Fazer o álbum do Mundial é uma tradição entre brasileiros de diversas idades


Os craques retratados nas imagens nem sempre são os que disputarão o Mundial (Luís Tajes/CB/D.A Press) 
Os craques retratados nas imagens nem sempre são os que disputarão o Mundial


Copa do Mundo é um evento curioso. Quem nunca assiste a futebol vibra como o mais fanático torcedor de arquibancada. Os 200 milhões de brasileiros viram treinadores da Seleção. Amigos de longa data se reúnem e acompanham os jogos. E muitos marmanjos (e marmanjas) voltam aos tempos de criança e juntam a turma para colecionar figurinhas. Em Brasília, alguns pontos viram feiras nas quais o objetivo de todos é só um: trocar cromos, a maioria com pessoas que nunca haviam encontrado.

Embora o torneio ainda não tenha começado, famílias já se unem na busca pelos adesivos dos craques. A vontade de começar a Copa com todas as figurinhas motivou o servidor público César Dias, 52 anos, a comprar três álbuns: o dele, o do enteado Pedro Bonifácio, 13, e o da filha Isabela Dias, 9, que já completou. Em 2010, foi a mesma coisa. “Quando eu era menino, fazia álbum de tudo que era torneio. Tenho o do Campeonato Brasileiro de 1977 (o primeiro da história da competição nacional) em casa até hoje. E o mais legal é, e sempre foi, encontrar o pessoal e fazer a troca”, diz. “E, veja você, tem mais marmanjo que criança aqui (na banca da 106 Norte)”, observa.

Para o psicólogo do esporte Rodrigo Scialfa Falcão, é natural que aconteça esse aumento na procura. “O futebol é o esporte mais popular do mundo, é parte importante da cultura brasileira. A Copa do Mundo é o maior torneio da modalidade e, desta vez, será aqui no Brasil”, explica. O especialista observa ainda a fala de César. “Os ‘marmanjos’ já foram crianças um dia, revivem isso no Mundial e socializam, em busca de figurinhas”, continua.

As trocas atraem pessoas em diversos lugares (veja quadro). Ainda segundo Falcão, a distância entre classes sociais pode diminuir no ambiente de trabalho, pelo menos por alguns instantes, graças ao interesse comum. “Em uma grande empresa, por exemplo, o office boy e o executivo que nunca se falam começam a trocar figurinhas e, assim, criam vínculos, ainda que por pouco tempo”, explica.

 É o que acontece com o recepcionista do Ministério da Fazenda Hudson Carvalho, 62 anos. Há quatro Copas, ele e vários servidores de distintos cargos do órgão unem forças para completar os álbuns. Desta vez, são 38 pessoas na empreitada, cada uma conseguindo figurinhas para a outra. “O mais legal de fazer o álbum é a aproximação com gente do trabalho com quem nunca falo, vir a lugares como esse (banca da 106 Norte) e trocar figurinhas com desconhecidos, o que faz tudo isso não ser uma comercialização”, diz.

Vendas em alta
Ainda que seu Hudson cite as trocas como alternativa ao gasto de dinheiro, o sorriso no rosto dos proprietários de bancas de jornais abre de ponta a ponta em época de Copa. Segundo o Sindicato dos Jornaleiros do Distrito Federal (Sindjor-DF), a quantidade de dinheiro arrecadado sobe em até 50%, em média, a cada quatro anos, nas 800 bancas ligadas à entidade.

José Brito, anfitrião do local de trocas preferido pelo recepcionista, está rindo à toa com a chegada do Mundial. O proprietário da banca da 106 Norte afirma que as vendas de adesivos aumentaram, em comparação com as Copas anteriores. “Em relação a 2006 e a 2010, a arrecadação com figurinhas aumentou entre 30% e 40%”, contabiliza seu Brito, que também comercializa figurinhas avulsas — um jogador qualquer custa R$ 0,30 e, se for da Seleção Brasileira, R$ 0,50; os adesivos brilhantes valem R$ 1 —, sucesso entre colecionadores próximos de completar o álbum.

 

 

Individualidade cara

Segundo a Panini, empresa responsável pelo álbum da Copa, é necessário comprar 4.505 figurinhas para completar a coleção sem trocar com outras pessoas. Em cifras, isso equivale a R$ 901. Um caso ganhou destaque no começo de abril: o universitário Lucas Rodrigues, de Praia Grande (SP), gastou R$ 1 mil (5 mil adesivos) e fechou o livro em oito horas. 

Há quatro Copas, Hudson de Carvalho  conhece pessoas graças à troca de figurinhas (Carlos Vieira/CB/D.A Press ) 
Há quatro Copas, Hudson de Carvalho conhece pessoas graças à troca de figurinhas


» Para saber mais


Dica ao colecionador

Fique atento às figurinhas repetidas do Uruguai. Os jogadores da Celeste estão entre os mais cobiçados pelos colecionadores da cidade, que dizem ser difícil conseguir adesivos do time dos craques Diego Forlán, Edinson Cavani e Luiz Suárez.

Conheça alguns pontos de trocas

»  Banca do Brito, 106 Norte. Telefone: 3340-6088
»   Banca de Jornais e Revistas 314 Norte. Telefone: 3447-1749
»   Banca da Igrejinha, 307 Sul. Telefone: 3242-7567
»   Revistaria e Papelaria Magazine (Avenida Castanheiras, Q. 103, Bl. A, Lj. 8, Águas Claras). Telefone: 3435-2434
»   Tyrol (loja de vestuário infantil), no piso superior do Iguatemi Shopping, aos sábados. Telefone: 3577-5999
»   Térreo do Terraço Shopping
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