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Consumo como busca da felicidade

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postado em 22/05/2014 12:30

Vilhena Soares

Consumidores nos EUA: possibilidade de apontar valor de bens materiais estimula as compras (Joshua Lott/AFP - 29/11/2013) 
Consumidores nos EUA: possibilidade de apontar valor de bens materiais estimula as compras

Mesmo acreditando que experiências de vida valem mais do que bens materiais na constituição da felicidade, as pessoas se sentem motivadas a comprar cada vez mais, aponta um experimento conduzido nos Estados Unidos. No estudo, os autores perguntaram a pessoas, antes das compras, o que elas valorizavam mais. Via de regra, os voluntários diziam dar mais valor às coisas vividas. Quando os respondentes voltavam da sessão de consumo, a pergunta era repetida. Nessa hora, a resposta era a mesma, porém, acrescida de um argumento a favor do gasto recém-realizado: adquirir bens materiais era um direito.

Para o psicólogo Ryan Howell, coordenador do estudo e estudioso da relação entre felicidade e consumo, a análise das respostas colhidas parece indicar que a possibilidade de valorizar objetivamente um bem material torna o consumo tão atraente. “Mesmo ao dizerem que experiências de vida os tornarão mais felizes, eles ainda percebem itens materiais como tendo um valor ‘melhor’. Nós, naturalmente, associamos o valor econômico à coisa: comprei esse carro, no valor de US$ 8.000. Mas temos dificuldade em estimar esse custo monetário em nossas memórias”, analisa.

Na opinião de Howell, que é professor associado de psicologia da Universidade de São Francisco, os resultados obtidos no trabalho podem contribuir para uma discussão mais apurada sobre o conceito de felicidade. “Ela não é uma emoção passageira. Devemos tentar descobrir como ajudar as pessoas a maximizarem a felicidade delas, por conta de todos os benefícios que vêm acompanhados dessa sensação de bem-estar”, diz.

O pesquisador adianta que o estudo terá continuidade e se aprofundará especificamente no comportamento das pessoas antes de as compras serem feitas. “Nosso próximo passo é tentar mudar as compras das pessoas, mostrando-lhes que as experiências de vida e as memórias que delas resultam vão torná-las mais felizes do que a sensação que elas experimentam. Se as pessoas mudam seu comportamento de compras, teremos benefícios pessoais e sociais”, acredita.

Subjetividade
Para Bárbara Sena, doutora em sociologia e professora de psicologia no Centro Universitário IESB, a pesquisa aborda conceitos que sempre são discutidos na psicologia e agrega dados que podem enriquecer debates sobre o tema. “Considero que é de extrema importância a divulgação de estudos dessa natureza que questionam a nossa relação com o consumo. Além da psicologia, vários sociólogos têm se preocupado com o tema. Estudos anteriores já alertavam para o fenômeno do consumo como uma epidemia em nossa sociedade. Nessa nova era, até a subjetividade é colocada como mercadoria. O maior exemplo é o ‘selfie’, tão comentado, quando eu preciso estar bem na foto, para ‘vender’ a minha imagem”, destaca.

Professora de administração da Universidade de Brasília (UnB), Solange Alfinito acredita que o trabalho americano contribui para análises de comportamento humano, mas acredita que o estudo seria mais rico se fosse mais específico. “Acredito que uma caracterização dos objetos que foram comprados pelos participantes, se eram de alto valor, ou seja, de luxo, contribuiria bastante para outras conclusões. Temos que saber também diferenciar os dois tipos de experiências que estamos usando, já que, em viagens, por exemplo, também gastamos uma boa quantia de dinheiro, e esses momentos podem ser considerados experiências de vida. É algo complexo que precisa de uma distinção melhor para a interpretação”, completa.

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