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Seminário debate caminhos para mídia mais democrática e transparente

Atividade reuniu pesquisadores brasileiros e alemães

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postado em 06/06/2014 16:43

Agência UnB

Na última segunda-feira, 2 de junho, a Faculdade de Comunicação da UnB sediou o seminário Mídia, Democracia e Transparência, que celebrou o Ano Alemanha + Brasil. O evento foi realizado pelo Laboratório de Políticas de Comunicação da UnB, em parceria com o Centro Alemão de Ciência e Inovação São Paulo (DWIH-SP). A atividade contou com a participação de Susanne Fengler, professora da Universidade Técnica de Dortmund, e dos pesquisadores da UnB Miriam Wimmer, Luiz Martins da Silva e Fernando Oliveira Paulino.

Em sua apresentação, Susanne Fengler mostrou os resultados do MediaAct, estudo comparativo que já ouviu 1.762 jornalistas de 14 países da Europa e do norte da África sobre transparência da mídia. Segundo a pesquisa, existem variações significativas entre os países no que diz respeito à prestação de contas (“accountability”) dos veículos de comunicação e que os mecanismos para assegurar a responsabilidade social da mídia não são uniformes internacionalmente.

De acordo com o estudo, existe uma clara diferença entre os países do norte e os do leste e do sul europeu no que diz respeito à transparência da mídia. Enquanto no norte os jornalistas compreendem a formação profissional como essencial à profissão, nas outras regiões nota-se uma interpretação mais relativa sobre a relevância da formação. Esses dados podem ser justificados pela cultura e pelo contexto político de cada país.

Citando o pesquisador francês Claude-Jean Bertrand, Susanne Fengler definiu os mecanismos de transparência como aqueles que permitem que se faça uma mídia mais responsável para o público. Essas ferramentas podem ser implementadas por meio de leis (regulação) ou de ações voluntárias (autorregulação). Para a pesquisadora, o ideal é que haja uma complementação desses dois tipos de mecanismos numa ação conjunta entre sociedade e Estado (corregulação).

Conselhos de imprensa, colunas e programas de ouvidoria e observatórios de mídia são exemplos de mecanismos que possibilitam uma maior participação do público na elaboração dos conteúdos da mídia. Segundo a pesquisadora, é necessário pensar em maneiras de tornar esses instrumentos de accountability mais eficientes, e as ferramentas de internet abrem um campo maior de possibilidades para esse tipo de ação.

Luiz Martins da Silva, professor da Faculdade de Comunicação da UnB, especialista em ética da mídia e coordenador do Projeto SOS-Imprensa, complementou o debate dizendo que a cidadania passa por uma coparticipação da sociedade na construção de instituições mais democráticas. Para ele, o a mídia precisa ser constantemente fiscalizada, assim como o Estado e as outras instituições de poder.

O professor afirmou que para acompanhar e participar da produção de conteúdos, é necessário que desenvolvamos uma educação para a mídia, uma vez que já temos uma educação pela mídia. Além disso, Martins ressaltou a importância de analisarmos também as boas práticas dos jornalistas e não só as falhas cometidas pelos profissionais. Essa visão traria um aspecto mais pedagógico e didático para os debates, segundo o professor.

Seguindo essa linha de raciocínio, Miriam Wimmer, pesquisadora do Grupo de Estudos em Direito das Telecomunicações (GETEL), explicou que a mídia é um espaço para a promoção de direitos fundamentais, mas que também infelizmente ocorre violação desses direitos por veículos de comunicação e profissionais. Para ela, a esfera pública sofre uma deformação causada pela centralização da informação e para consertar anomalias é preciso levar ainda mais em conta o direito à comunicação.

Segundo Wimmer, o direito à comunicação pode ser melhor exercido a partir do desenvolvimento de políticas públicas e com uma regulação que promova a participação da sociedade. De acordo com a pesquisadora, no Brasil a regulação da mídia geralmente é percebida como censura pelos proprietários dos veículos e parte dos profissionais. Porém, Miriam defende que quando construídos de maneira participativa e democrática, os instrumentos de regulação podem auxiliar na maior transparência da mídia.

Os debatedores estiveram de acordo que para uma maior transparência dos meios de comunicação, é necessário um investimento maior na formação ética dos jornalistas. Além disso, os mecanismos de corregulação são essenciais para o desenvolvimento de uma mídia democrática e plural e o uso das tecnologias disponíveis pode potencializar a participação do público.

Para o professor Fernando Oliveira Paulino, coordenador do evento, a realização do Seminário estimula diálogo sobre a importância dos veículos de comunicação na promoção da democracia e da participação da sociedade. “As manifestações do público podem ser úteis para aprimorar conteúdos veiculados e diversificar os assuntos que são tratados pela mídia”, diz.

De acordo com Paulino, “a parceria com a Universidade Técnica de Dortmund prevê a realização de pesquisas conjuntas, intercâmbio de docentes e discentes e seminários, promovendo cooperação acadêmica e internacionalização das atividades”, finaliza.

 
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