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Brasil entre dois junhos

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postado em 18/06/2014 17:18

Agência UnB

As multidões que foram às ruas nas Jornadas de Junho possibilitaram a organização do movimento que hoje se vê. A forte greve de educadoras e educadores cariocas que se seguiu a Junho de 2013 foi um pontapé inicial para os processos atuais.

A Copa do Mundo da FIFA no Brasil sintetiza inúmeras relações, além de na esfera nacional, também na internacional e na interconexão de ambas. O evento foi trazido ao Brasil para coroar determinado modelo de política econômica, inicialmente como social-liberalismo subimperialista, mas que pela enorme dimensão da crise internacional foi combinado com o neodesenvolvimentismo também encarnado na Copa. A contestação ao torneio representa não apenas a oposição crítica ao caminho adotado, como mostra sua insuficiência histórica e crise. O atual embate de forças guarda esse significado.

São três os processos que se encontram na conjuntura da Copa:

1. As reivindicações pelo direito à moradia lideradas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), relacionadas ao direito à cidade e aos recursos citadinos. Estimam-se entre 150 e 170 mil as famílias removidas pelas obras da Copa, o que ampliou as necessidades habitacionais, estimadas em 7 milhões de casas.

2. Um movimento grevista comandado por oposição sindical com pouca experiência de direção e de militância partidária. Os e as grevistas fazem parte de uma nova direção social que se talha nas ruas, dada a renovação frente ao esgotamento do projeto histórico da Central Única dos Trabalhadores (CUT), mas que envolve o sindicalismo em geral. Rodoviários, rodoviárias e garis estão hoje à frente dessas mobilizações por condições de trabalho, acima de tudo por salários e defesa contra as demissões.

3. Um movimento estudantil que tem o Juntos! à frente, como um elo com a mobilização internacional de Indignados e Indignadas, pinguins chilenos, Occupy norte-americano, revolução árabe, Syriza grega. O Juntos! compõe a Oposição de Esquerda da UNE e esteve no chamado ‘Bloco de Lutas’ em Porto Alegre que reduziu a tarifa de ônibus na cidade, estopim para a nacionalização das manifestações a partir de São Paulo na Revolta de Junho. Com o MTST, liderou os atos de 15 de Maio último em dezenas de cidades brasileiras.

Uma nota sobre a violência. Obviamente que os atos violentos da sociedade não são louváveis, mas encontram justificação infelizmente diante da violência estatal desproporcionalmente maior: além de truculentos e virulentos, bárbaros, como se viu nos casos dos assassinatos de Antônio de Araújo em Planaltina (DF), Amarildo Dias de Souza, Cláudia Silva Ferreira e Douglas da Silva Pereira (o DG) no Rio de Janeiro. O pior: como a violência do Estado é anterior, os atos violentos das manifestações são uma reação à prática estatal. Para que não paire dúvida: o Estado é o responsável pela violência nas manifestações.
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