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O amadurecimento do Android

Com a nova versão do sistema operacional, o Google pretende integrar os mais variados dispositivos do smartphone ao carro

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postado em 27/06/2014 14:00 / atualizado em 27/06/2014 10:22

Roberta Machado

David Singleton apresenta o Android Wear, que permitirá o acesso de dados por meio de relógios inteligentes que já estão no mercado (Stephen Lam) 
David Singleton apresenta o Android Wear, que permitirá o acesso de dados por meio de relógios inteligentes que já estão no mercado

Chegou a hora de o Android crescer. Depois de quase seis anos e quatro edições carinhosamente apelidadas com nomes de guloseimas (mel e chocolate, por exemplo), a quinta versão do sistema operacional (OS) do Google foi sobriamente nomeada de Android L. O sistema foi a grande estrela do Google I/O, o disputado evento que a gigante da internet organiza anualmente para apresentar aos desenvolvedores suas novidades. Neste ano, o encontro começou na quarta-feira e terminou ontem, atraindo 5 mil pessoas para San Francisco (EUA). O evento teve início com uma bombástica apresentação, na qual a companhia deixou claro que tem grandes planos para o sistema, incluindo o uso em televisores, smartwatches e até automóveis.

O Android já conta com mais de 1 bilhão de usuários ativos e é responsável pelo envio de 20 bilhões de mensagens de texto por dia. Mas o Google quer mais. A empresa trabalha para transformá-lo em um tipo de sistema universal que controle todos os equipamentos eletrônicos dotados de tela e crie um canal de comunicação entre eles. Essa rede ganhou uma linguagem unificada chamada Material Design, que vai dar o mesmo visual leve e colorido ao Google Chrome e aos dispositivos Android, além dos novos wearables (equipamentos vestíveis) da linha apresentada.

O próprio sistema de buscas do Google ficou diferente. Os resultados são apresentados em um conjunto visual de imagens e vídeos que podem ser navegados de maneira mais intuitiva. O OS também lembra o usuário sobre as últimas páginas visitadas e os aplicativos usados recentemente em uma nova função chamada “Recents”. Mas a mudança não é só estética. A ideia é que o usuário tenha acesso a uma variedade de conteúdos de uma só vez, por meio de diversas mídias.

“Estamos criando um produto verticalmente integrado”, disse Sundar Pichai, vice-presidente de Android, Chrome e Apps do Google. “Até agora estávamos falando do lançamento do L no contexto móvel, de telefones e tablets. Mas usuários estão cada vez mais vivendo em um mundo de várias telas. Usam dispositivos conectados à televisão na sala de estar, estão usando mais coisas no seu corpo e, quando entram no carro, esperam manter-se conectados. Queríamos criar uma experiência fluida entre todos esses dispositivos”, exemplificou.

Plataformas
Os apps do Android também devem chegar aos Chomebooks até o fim do ano. A empresa mostrou como aplicativos como o Vine poderão funcionar diretamente nos notebooks, registrando e postando imagens nas redes com a ajuda da própria câmera do computador. O Android L permite ainda que o usuário acesse um celular sem digitar senhas caso esteja com um smartwatch compatível ou em um carro equipado com o mesmo sistema. Outra novidade é o “botão da morte”, que restaura as configurações de fábrica. A função, similar à que existe no iOS, da Apple, também pode ser acionada remotamente, em caso de roubo ou perda do aparelho.

Nessa fase de amadurecimento, o Android está estabelecendo uma grande família, que deve acompanhar o usuário em todas as plataformas possíveis. O Android Wear cria um resumo do sistema, oferecendo aperitivos visuais com mensagens, notas, lembretes, alarmes e botões para o controle do player de música do smartphone. Tudo isso com a mesma função de comandos de voz do Google Glass. Com o cardápio certo de aplicativos, o usuário pode usar a ordem mágica “OK, Google” para pedir ao relógio que chame uma carona, encontre uma informação ou reserve um restaurante.

Já existem dispositivos preparados para a novidade: o LG G Watch, e o Samsung Gear Live, que estão no mercado, e o novíssimo Moto 360, smartwatch da Motorola que deve ter as vendas liberadas até o fim do ano. O relógio inteligente impressiona pelo design clean e, se não fossem as notificações que aparecem em sua grande tela redonda, ele poderia ser confundido com um grande relógio de pulso tradicional. “Pessoas vão usar esses dispositivos, então estilo é importante. É por isso que o Android Wear suporta tanto telas quadradas quanto redondas”, ressaltou David Singleton, diretor de Engenharia do Android.

Os wearables da empresa também vão contar com a tradicional função esportiva, que usa dados colhidos pelos relógios inteligentes e seus monitores de batimentos cardíacos e contadores de passos. A plataforma Google Fit envia os dados para o sistema e dá ao usuário uma análise detalhada da sua saúde e de como cumprir seus objetivos de melhoramento físico.

Sobre rodas e na sala de casa


 

Especialista demonstra como o Android será usado em automóveis (Stephen Lam) 
Especialista demonstra como o Android será usado em automóveis

O filho mais inesperado do sistema operacional também é feito para um aparelho móvel, mas não caberia em nenhum bolso. O Android Auto leva o Google para os automóveis, possibilitando um controle mais simples das funções dos carros modernos. O motorista terá a opção de projetar o telefone celular no painel do veículo, facilitando o acesso por voz principalmente às funções de navegação, comunicação e música. “Investigamos o que as pessoas fazem com o celular no carro hoje. O Android Auto coloca essas funções em evidência”, afirmou Patrick Brady, diretor de engenharia do sistema operacional. A companhia anunciou que grandes parceiros, como Spotify e Pandora, devem fornecer conteúdos para a novidade.

Outro braço do OS segue um caminho já anunciado pelo Google, que há tempos investia em plataformas interativas criadas para televisores. No ano que vem, devem chegar às lojas smartTVs equipadas com o Android TV, que vai rodar aplicativos e interagir com o smartphone. O recurso também será comercializado em um dispositivo separado, como já funciona com a Apple TV e o Chromecast.

Telefone barato
Mesmo com o deslumbramento por novas mídias depois da venda de parte da Motorola no início deste ano, o Google mostrou que ainda não esqueceu da raiz do Android nos smartphones. A empresa revelou no evento em San Francisco que desenvolve um aparelho criado especialmente para o seu sistema operacional. O Android One deverá ser um telefone de baixo custo equipado com funções que fazem sucesso nos mercados emergentes, como rádio FM. Com uma tela de sete polegadas, o dispositivo deve chegar primeiro à Índia, a um preço menor que US$ 100. A empresa também anunciou que vai vitaminar o sistema Android com um recurso feito para economizar bateria. (RM)

 

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