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SAÚDE »

Sem medo da galinhada

Mitos envolvendo a criação e o abate do frango levam muitos brasileiros a duvidar dos benefícios do animal para o organismo. Especialistas garantem que a carne deve ser apreciada com tranquilidade

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postado em 14/07/2014 14:00

Carolina Cotta /d

Aves de granja recebem uma dieta composta por vitaminas, ácidos graxos, aminoácidos e até antibióticos: combinação segue padrões internacionais  
Aves de granja recebem uma dieta composta por vitaminas, ácidos graxos, aminoácidos e até antibióticos: combinação segue padrões internacionais



Belo Horizonte — O aumento da expectativa de vida trouxe um tempero indigesto às refeições. A desconfiança de que o que vai ao prato pode afetar a longevidade. Essa insegurança faz o brasileiro, muitas vezes, trocar gato por lebre na hora de se alimentar. O Correio Braziliense/Estado de Minas ouviu veterinários, zootecnistas, engenheiros de alimentos, nutricionistas, médicos e órgãos de controle e pesquisa para explicar o impacto da carne de aves, suínos e bovinos na saúde humana.

Líder mundial na exportação de carne de frango e de boi, o Brasil segue padrões internacionais de fiscalização. Entre as regras, é proibido usar hormônios de crescimento no frango. Além de ilegal, a prática não é viável do ponto de vista econômico. “Essa história de hormônio é lenda. E não é porque a indústria é boazinha, mas porque não funcionaria”, alerta Antônio Gilberto Bertechini, PhD em nutrição e fisiologia animal. Segundo o professor da Universidade Federal de Lavras (Ufla), os hormônios de crescimento têm configuração semelhante à insulina e teriam que ser aplicados todos os dias nos filhotes. “Imagine fazer isso em 6 bilhões de pintinhos alojados por ano. Do ponto de vista técnico, é humanamente impossível.” Outras substâncias do tipo, os esteroidais, semelhantes à testosterona, não teriam ação nos frangos. “Ele é abatido muito jovem, ainda sem o receptor desse hormônio no organismo”, explica.

O que muda, então, no alimento produzido em larga escala ou artesanalmente? Qual o melhor frango para ser consumido: o de granja ou o caipira? Tadeu Chaves de Figueiredo, professor e pesquisador do Departamento de Tecnologia e Inspeção de Produtos de Origem Animal da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), defende o consumo do primeiro. “Nem sempre o artesanal é de boa qualidade sanitária e nem sempre o fato de esse frango ser criado solto, ciscando, quer dizer que ele esteja livre de um manejo incorreto na criação”, explica o doutor em ciência animal. “O frango de granja é o certo para o consumo, pois é obtido em condições de produção e abate extremamente controladas.”

Uma ave caipira precisa de quatro a seis meses para ser abatida, enquanto um frango de granja está apto para o consumo em cerca de 40 a 45 dias. Essa rapidez, segundo Tadeu, está ligada a três aspectos: nutrição, genética e ambiência. “O que esse animal come tem balanceamento quase perfeito. Ele ingere tudo o que precisa na ração baseada em milho e farelo de soja, além da adição de ácidos graxos, vitaminas e aminoácidos. O frango vem passando por melhoramento genético e já foram selecionadas as melhores linhagens para ganho de peso, além do controle das condições do ambiente e do maior conhecimento do manejo”, explica.

Segundo Chaves, complementos vitamínicos e medicamentos, até mesmo antibióticos, são adotados para controle sanitário, mas com uso avaliado caso a caso, dentro de uma posologia adequada e com período de carência respeitado. Os antibióticos usados com esse fim, complementa Bertechini, têm ação diferente da dos adotados na terapêutica humana. “As moléculas nem sequer são absorvidas pelo trato digestório dos animais e não se acumulam na carne. Entram pelo bico e saem nas excretas”, compara.

Um dos ganhos do uso desses produtos para a saúde humana seria a redução de bactérias, como a salmonela e a Escherichia coli, causadoras de intoxicação alimentar. Além dos antibióticos, há a opção de usar nos animais enzimas sintéticas e ácidos orgânicos, como o láctico, o mesmo dos leites fermentados bastante disseminadas na população humana. “Todos esses promotores são usados em níveis irrisórios e nem sempre precisam ser adotados, pois o efeito não é muito amplo. Já foram bastante estudados e não passam nada para a carne, embora ela fique com melhor qualidade”, diz.
Regras específicas para orgânicos



Produtos animais com selo orgânico não podem ter nenhum tipo de promotor ou aditivo. Segundo Maria Cristina Bustamante, chefe da Divisão de Garantia da Qualidade Orgânica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), essa cadeia de produção é fiscalizada para fins sanitários, assim como a industrial, e para a verificação de conformidade com as normas de produção orgânica. “No caso do frango, os produtores devem cumprir normas específicas, como criar as aves fora de gaiolas, fornecer alimentação livre de organismos geneticamente modificados e respeitar os limites máximos de densidade”, detalha.

Apesar das normas, ainda é usual no Brasil a compra de carne diretamente de produtores artesanais, achando que se trata de um produto orgânico. Segundo o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Tadeu Chaves, somente as carnes submetidas a rotinas de inspeção veterinária e com selos federais, estaduais ou municipais têm segurança sanitária garantida.

Outro mito envolve a coloração dos ovos. Ter a casca vermelha não garante que ele é caipira. São apenas de uma linhagem de galinhas que botam na cor vermelha. Por isso, existem ovos caipiras de casca branca e ovos de granja de casca vermelha. Segundo Chaves, a tonalidade está relacionada à genética — diferentes linhagens de galinha podem botar ovos com casca de diferentes cores — e não é um indicativo de qualidade. Aves com uma alimentação mais variada, como as criadas soltas, com acesso a gramíneas e insetos, têm acesso a pigmentos em maior quantidade e variação. E, como a galinha caipira bota menos ovos que a de granja, ocorre maior acúmulo desses pigmentos.

 É possível obter ovos de granja com gemas bem vermelhas acrescentando pigmentos na ração. “Não há praticamente nenhuma diferença do ponto de vista nutricional. Foi o consumidor que associou que o vermelho é melhor”, explica o professor. (CC)

DIAGNÓSTICO PRECOCE »

Sinais do Alzheimer em testes de olfato e de visão



Com estimativas de associações médicas de que os casos de Alzheimer tripliquem até 2050, chegando a 13,8 milhões em todo o mundo, os cientistas buscam novos métodos de identificação precoce da doença. Embora ainda não exista cura, a expectativa é de que, assim que tratamentos estejam disponíveis, seja possível intervir antes de os primeiros sintomas se manifestarem. Diversos estudos apresentados ontem na Conferência Internacional das Associações de Alzheimer, em Copenhague, na Dinamarca, indicam que exames de vista e olfato poderão fornecer pistas sobre o desenvolvimento desse mal degenerativo.

Em duas das pesquisas, os cientistas indicaram que o comprometimento da habilidade de identificar odores está associado significativamente com a perda de função das células cerebrais e com a progressão do Alzheimer. Em outro par de estudos, o nível de proteínas beta-amiloides detectadas nos olhos se relacionou com a disseminação dessa substância no cérebro, permitindo aos pesquisadores identificar as pessoas com doença apenas com base nesse marcador. Acredita-se que uma das causas do Alzheimer seja o acúmulo, entre neurônios, de placas de gordura formadas pela proteína beta-amiloide. Elas formam blocos gordurosos que destroem as células muito antes de sintomas como esquecimento e confusão mental surgirem.

“Em face à epidemia mundial crescente de Alzheimer, há uma necessidade cada vez maior por testes de diagnóstico simples e pouco invasivos que identifiquem o risco da doença muito antes da degeneração”, disse Heather Snyder, diretora médico-científica da Associação Internacional de Alzheimer. “Isso é especialmente verdadeiro à medida que pesquisadores investigam tratamentos e formas de prevenção para o começo do curso do Alzheimer”, acrescentou. Ela lembrou que mais pesquisas são necessárias em busca de biomarcadores da doença porque a detecção precoce será essencial quando os primeiros tratamentos estiverem disponíveis.

Biomarcador
Um desses marcadores é o olfato. A equipe do pesquisador Matthew Growdon, da Faculdade de Medicina de Harvard, investigou a associação entre esse sentido, a performance em testes de memória, a perda de células cerebrais e o depósito de placas amiloides em 215 idosos clinicamente saudáveis que participam de um estudo sobre o envelhecimento do cérebro no Hospital Geral de Massachusetts. Depois de fazer uma bateria de testes cognitivos, de avaliar a estrutura do hipocampo (importante região cerebral associada à memória) e de medir a quantidade da proteína no cérebro, Growdon constatou que, quanto menor o hipocampo e o córtex entorrinal, pior é a função olfativa, maior é o depósito beta-amiloide e mais pífio é o desempenho em testes de memória e cognição.

Já um estudo conduzido por Shaun Frost, da Organização da Comunidade de Pesquisa Científica e Industrial da Austrália, encontrou nos olhos um marcador para o Alzheimer. Os participantes tomaram um contraste que se liga às placas beta-amiloide, deixando-as fluorescentes, o que permite sua visualização em um novo exame, chamado imagem amiloide retinal (RAI). Os voluntários passaram por um PET-Scan, que detectou a presença das placas de gordura também no cérebro. O teste preliminar, com 40 pessoas, indicou que o acúmulo dessas proteínas no olho está associado à quantidade anormal da beta-amiloide nas estruturas cerebrais. O estudo completo, incluindo 200 pessoas, deverá ser apresentado até o fim do ano.

 


“Há uma necessidade cada vez maior por testes de diagnóstico simples e pouco invasivos que identifiquem o risco da doença muito antes da degeneração”
Heather Snyder, diretora da Associação Internacional de Alzheimer

 

 
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