CIÊNCIA

Receita simples e barata para reduzir a glicemia

Estudo conduzido pela Universidade Federal de Lavras mostra que a farinha de banana tem potencial para reduzir o índice glicêmico. O produto apresentou bons resultados em ratos e, agora, será testado em pessoas

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postado em 14/07/2014 14:00

Márcia Maria Cruz /EM

Na pesquisa realizada em Minas Gerais, a equipe produziu a farinha a partir da banana-prata semiverde (Paulo Filgueiras/EM/D.A Press) 
Na pesquisa realizada em Minas Gerais, a equipe produziu a farinha a partir da banana-prata semiverde




Belo Horizonte — Uma dieta equilibrada e rica em nutrientes é importante aliada no combate às enfermidades crônicas não transmissíveis, como câncer, diabetes e doenças cardiovasculares. E não é preciso gastar muito para compor refeições nutritivas. Há muitos alimentos com propriedades funcionais que podem ser adquiridos a baixo custo.

Esse é o foco de uma das linhas de pesquisa do curso de nutrição do Departamento de Ciência dos Alimentos da Universidade Federal de Lavras (Ufla). Os estudos têm como objetivo encontrar alimentos mais em conta que possam ser introduzidos na dieta da população carente. E os resultados são bastante animadores. Coordenada pelo professor Michel Cardoso De Angelis Pereira, uma pesquisa com a farinha da banana já apresenta resultados.

De acordo com o Ministério da Saúde, os alimentos funcionais se caracterizam por oferecer vários benefícios à saúde, além do valor nutritivo inerente à sua composição química, podendo desempenhar um papel potencialmente benéfico na redução do risco de doenças crônicas degenerativas. O primeiro experimento conduzido por Pereira foi feito com a farinha produzida com banana-prata semiverde. Foram feitos testes de três formas: com a polpa da fruta, com a casca e com a mistura de polpa e casca. As farinhas foram introduzidas na dieta-padrão de ratos, e a glicemia dos animais, medida de 15 em 15 minutos em um período de duas horas para calcular o índice glicêmico da dieta.

A farinha feita com casca de banana não apresentou alteração do índice glicêmico. Por ser rico em fibras insolúveis, o produto apenas contribuiu para o funcionamento intestinal dos animais. O emprego da farinha da polpa isolada ou misturada com a casca, no entanto, resultou em redução de 15% no índice glicêmico. “Clinicamente, é uma redução expressiva”, afirma o pesquisador. Apenas 10% da refeição composta pela farinha já é suficiente para alcançar a melhora.

Facilidade
O bom disso tudo é que, para fazer a farinha de banana, basta partir a fruta em pequenos pedaços e levá-los ao forno, em temperatura branda. Depois que a fruta estiver seca, deve ser triturada no liquidificador. “É fácil de fazer e é uma receita economicamente viável”, defende Pereira. Para consumi-la, a pessoa pode adicioná-la ao feijão, a vitaminas e a sucos.

 Em uma próxima etapa da pesquisa, a farinha de banana será introduzida na dieta de pessoas. O experimento será feito com três grupos de 15 indivíduos cada. A dieta do primeiro grupo não conterá o novo produto. Na alimentação de outro, será introduzida a farinha de mandioca. E na terceira turma, por fim, a farinha de banana. Todos vão receber um café da manhã padronizado e terão o índice glicêmico avaliado de 15 em 15 minutos até completar duas horas. É o tempo necessário para que os pesquisadores consigam avaliar a resposta da insulina após o consumo da refeição.



Como preparar
Fazer a farinha de banana é simples. Basta pegar a fruta, com a casa ainda, parti-la em pequenos pedaços. Leve ao forno até que fique seca (desidratada) e depois a triture em um liquidifcador. O pó resultante pode ser adicionado, por exemplo, a sucos e vitaminas.
Colesterol sob controle


 

O grão de kefir é um agrupamento gelatinoso polissacarídeo que contém vários micro-organismos em simbiose. “Ele é usado há milênios. Você não encontra para comprar. As donas de casa passam umas para as outras”, conta o pesquisador. No experimento, o kefir foi introduzido em uma mistura de açúcar mascavo com água. Com o auxílio de seringa, a mistura foi dada via oral para os bichos, apresentando resultados bastante positivos: redução de 10% a 15% no colesterol total, redução de 15% a 20% no LDL, popularmente conhecido como colesterol ruim, e uma leve elevação de 4% a 5% do HDL , conhecido como bom colesterol.

Segundo o cientista da Ufla, o kefir foi misturado à água e ao açúcar porque, nessa combinação, há um resultado probiótico mais expressivo. As pessoas podem também fazer com leite para o preparo de iogurte natural. “A mistura com água e açúcar mascavo não é tão saborosa, mas é um alimento de baixo custo e com bons resultados para a saúde”, pondera Pereira.

Educação
O curso de nutrição desenvolve projetos de extensão com instituições de Lavras e região que atende crianças e idosos pobres. O objetivo é desenvolver atividades de caráter formativo sobre alimentos funcionais e educação nutricional. As crianças vão até a universidade aprender a composição de dietas ricas em nutrientes, como aproveitar alimentos e buscar alternativas mais baratas. “Fazemos teatros e jogos para que as pessoas possam aprender como se alimentar corretamente.” Os alimentos funcionais levam benefício ao organismo, auxiliando na prevenção de doenças crônicas.

O Departamento de Ciência dos Alimentos, em parceria com o Departamento de Ciência do Solo, desenvolve pesquisas sobre biofortificação (incorporação de nutrientes do solo para o alimento). O propósito dos estudos, coordenados pelo professor Luiz Roberto Guimarães Guilherme, é, por meio da fortificação, aumentar a composição de nutrientes no solo e consequentemente em alguns alimentos. Está em andamento pesquisa sobre fortificação da aveia com selênio e zinco. “São nutrientes que têm ação antioxidante no organismo.” (MMC)

 

 

 

 

15%
Taxa de redução do índice glicêmico observada em ratos alimentados com a farinha de banana

MEIO AMBIENTE »

Poluição é a causa de seca na Austrália


Pesquisadores da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), nos Estados Unidos, desenvolveram um modelo climático em alta resolução que apontou a relação entre a seca em uma região australiana com o efeito estufa. Segundo o estudo, a diminuição das chuvas no outono e no inverno no sudoeste do país é provocada pelo aumento de gases poluentes originados em atividades humanas.

“Esse novo modelo climático é capaz de simular as chuvas em escala regional com uma precisão consideravelmente maior que a de outros métodos”, disse Tom Delworth, cientista da Universidade de Princeton e coautor do estudo, publicado na Nature Geoscience. “O novo modelo é um enorme avanço no nosso esforço de prever mudanças climáticas regionais, particularmente quando envolvem recursos hídricos”, completou, em um comunicado à imprensa.

Para alcançar o resultado, um grupo ligado ao NOAA conduziu em computador diversas simulações de transformações climáticas a longo prazo em diferentes partes do mundo, tendo como base dados colhidos anteriormente. Um dos sinais mais evidentes de mudança apareceu na Austrália. Avaliando as consequências de diferentes agentes climáticos, os especialistas concluíram que a seca observada nos últimos anos no sudoeste daquele país se deve, principalmente, às emissões de gases do efeito estufa e à diminuição da camada de ozônio, também gerada por aerossóis lançados no ambiente pelo homem.

Muitos fenômenos naturais foram testados para verificar se eles poderiam ser apontados como causa da redução pluviométrica, incluindo erupções vulcânicas e radiação solar. No entanto, esses agentes não se mostraram capazes de produzir uma mudança a longo prazo como a observada na Austrália, que já dura quatro décadas. “Prever prováveis mudanças nos recursos hídricos é um imenso desafio social”, diz Delworth. “Esse método vai nos ajudar a fazer isso de forma mais rápida e precisa.”



“Prever mudanças nos recursos hídricos é um imenso desafio social. Esse método vai nos ajudar a fazer isso de forma mais rápida e precisa”

Tom Delworth, cientista da Universidade de Princeton

 

 

 

 

 

 
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