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Self-service de cultura

Cada vez mais consolidados, os serviços sob demanda de filmes e áudios ganham uma nova opção de mídia: os livros. A Amazon anuncia um acervo com 600 mil obras ainda disponível apenas nos EUA

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postado em 23/07/2014 11:16

Roberta Machado

 

Milhares de filmes pelo preço de um ingresso de cinema. Milhões de músicas no valor de um CD. São os chamados serviços sob demanda, que oferecem ao internauta catálogos intermináveis de mídias através de um clique. Esse bufê cultural ganha ainda mais força com a expansão do cardápio de mídias oferecidas por gigantes como a Amazon. A empresa, que já cobra mensalidades para acesso ao Instant Video e ao Prime Music, anunciou recentemente o lançamento do serviço Kindle Unlimited, em que usuários têm direito a mais de 600 mil e-books e audiolivros.

Por meio de uma assinatura de US$ 9,99, o assinante pode manter até 10 livros por vez em um Kindle, ou dispositivo móvel equipado com o app de leitura da empresa, pelo tempo que quiser. O catálogo conta com títulos em várias línguas — mais de 8 mil deles em português —, além de títulos de sucesso, como Harry Potter e a série Jogos Vorazes. Mas, por enquanto, o formato só está disponível para usuários norte-americanos. Procurada pelo Correio, a empresa afirmou que ainda não tem planos de trazer o serviço para o Brasil.

De olho em uma geração que está crescendo longe das programações de televisão e do sinal do rádio, empresas investem na diversidade de títulos para atrair o público. A mudança de mentalidade é um reflexo da vontade do consumidor, que faz cada vez menos distinção entre as telas do computador, do televisor e do telefone celular. Uma pesquisa da GlobalWebIndex mostra que mais da metade dos internautas já assiste à televisão por meio de serviços on demand. “Não é uma moda, está se estabelecendo rapidamente como uma grande tendência e importante forma que as pessoas usam para consumir conteúdo”, acredita Jason Mander, chefe de tendências da GlobalWebIndex. De acordo com o especialista, o espectador tem deixado a televisão de lado em busca de horários mais flexíveis e de programas exclusivos na web.

O exemplo mais simbólico da era sob demanda é a gigante Netflix, que começou em 1997 como uma locadora de DVDs por correspondência e se tornou sinônimo de video on demand (VOD) depois de adotar o modelo de streaming. Mesmo com um aumento recente nas mensalidades, a empresa anunciou, nesta semana, que já conta com mais de 50 milhões de assinantes, dos quais apenas um número estimado de 2 milhões acessam o serviço por meio de contas gratuitas. O lucro da empresa dobrou desde o ano passado e o crescimento de 77% no mercado internacional foi impulsionado principalmente pelos latino-americanos. A Copa do Mundo teria levado consumidores a adquirir smart TVs, possibilitando o acesso do serviço on-line (a região é a com maior audiência desse tipo de dispositivo).

Obstáculo brasileiro
Mas o mercado sob demanda ainda encontra um desafio para atrair o consumidor brasileiro, pouco familiarizado com o modelo. Uma pesquisa recente do Ibope aponta que oito entre cada 10 pessoas do país não sabem o que é video on demand, e que apenas 2% dos entrevistados utilizam esse tipo de serviço. Outra questão é o mercado pirata, que ainda é considerado por muitos internautas como a única forma de ter acesso livre a filmes, séries e música.

Para Mander, isso indica que há uma grande demanda por serviços gratuitos. “Mas a ideia de pagar pelo conteúdo está se tornando mais estabelecida conforme o número de provedores e a quantidade de conteúdo que eles têm aumentam”, ressalta o analista da Global WebIndex. Em uma pesquisa recente da empresa, 77% dos entrevistados brasileiros afirmaram que têm interesse em aderir a um serviço que oferecesse livre acesso a programas e filmes, como Netflix ou Amazon Prime. “Também há a diminuição da necessidade de ‘possuir’ conteúdo como música ou programas de TV. Considerando que os formatos mudam tão rapidamente, ter um CD ou DVD agora não parece mais tão relevante”, acredita Jason.

O aplicativo de músicas Deezer está no Brasil há pouco mais de um ano e, a princípio, teve dificuldades em conquistar o mercado local. Mathieu Le Roux, diretor-geral da empresa na América Latina, revela que o território brasileiro exigiu um trabalho diferenciado da companhia, presente em mais de 180 países. “Metade dos brasileiros nunca ouviu falar de streaming de música. Por um lado, isso é bom porque metade sabe o que é, mas ainda tem bastante trabalho a ser feito para explicar como funciona. Apostamos muito no boca a boca. Por isso, somos muito conectados com as redes sociais”, explica Le Roux.

A companhia, que nasceu na França, acaba de lançar um sistema de boleto para atender ao público brasileiro que ainda não usa ou não dispõe de cartão de crédito. O Deezer também aposta no aumento de vendas de smartphones (mais de 122% no ano passado) e de adesão à internet de alta velocidade no Brasil. “É óbvio que conectar um país 17 vezes maior do que a França demora um pouco mais do que a Coreia do Sul, por exemplo. Realmente é um desafio tecnológico muito grande”, ressalta o diretor. Alguns dos recursos que a companhia usa para driblar as limitações técnicas do público são o acesso off-line de playlists e a funcionalidade smart cache, que guarda as músicas já acessadas para economizar o gasto de dados em dispositivos móveis. Hoje, o país é a segunda nação com mais usuários, com 2 milhões de visitantes únicos todos os meses.


Crescimento
A Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) divulgou um crescimento de 44% no número de assinantes de serviços de streaming de música no ano passado. O aumento corresponde a 20 milhões de pessoas em todo o mundo. De acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), o acesso de conteúdo por assinatura de serviços sob demanda representa 25,3% do mercado de música digital no país.

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