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Probióticos ajudam a conter a hipertensão

Cientistas da Austrália constataram que ingerir esses micro-organismos por mais de nove semanas reduz a pressão arterial. O benefício ocorre devido à melhora nos níveis de colesterol e de açúcar no sangue

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postado em 25/07/2014 13:37 / atualizado em 25/07/2014 13:40

Vilhena Soares

Os probióticos — micro-organismos vivos que auxiliam no funcionamento da flora intestinal —também contribuem para o bom funcionamento do coração. É o que mostra um estudo feito por cientistas da Austrália. Eles analisaram a pressão arterial de pessoas que consumiram suplemento com essas bactérias benéficas e constataram uma melhora na pressão sanguínea delas, principalmente nas hipertensas. Segundo o grupo, os probióticos agem no controle do colesterol e do açúcar no organismo e, dessa forma, auxiliam também a regularização do fluxo sanguíneo. A descoberta, publicada na edição desta semana da revista Hypertension, pode ajudar indivíduos saudáveis a se protegerem desses males e melhorar a dieta de quem sofre com problemas no coração.

Nove estudos científicos serviram de objeto de análise. Neles, foram observados o quanto a ingestão de probióticos auxiliou a estabilizar a pressão arterial de adultos que os ingeriam regularmente. “A pequena coleção de trabalhos que analisamos sugere que o consumo regular desses micro-organismos pode ser parte de um estilo de vida saudável e também ajudar a reduzir a pressão arterial elevada, bem como manter saudáveis os níveis de pressão sanguínea. Isso inclui essas bactérias presentes em iogurte, no leite, em queijo fermentado e azedo e nos suplementos de probióticos”, destacou, em um comunicado, Jing Sun, autora principal da pesquisa e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Griffith.

Participaram dos nove trabalhos analisados 543 pessoas, entre saudáveis, hipertensas e cardíacas. Uma parte ingeriu suplementos de probióticos, e outra não (veja infográfico). Os cientistas notaram uma estabilidade na pressão de todos os que ingeriram as bactérias. Além disso, constataram melhoras mais significativas nas pessoas que os consumiram por um tempo mais longo. “Dois estudos tiveram uma curta duração de ingestão, de três a quatro semanas, o que pode ter afetado os resultados globais da análise. Porém, foi observado uma estabilidade maior em pessoas que consumiram os probióticos por nove semanas”, destacou Sun.

Os efeitos positivos foram mais significativos também nos participantes hipertensos. Segundo a cientista, essa influência benéfica sobre a pressão arterial é consequência de outros efeitos sobre a saúde humana, incluindo a melhoria do colesterol total e a redução da glicose no sangue. “Os probióticos ajudam a regular o sistema hormonal, que, por sua vez, regula a pressão sanguínea”, explica. Sun pondera, porém, que estudos adicionais ainda são necessários antes que os médicos possam recomendar com confiança esses micro-organismos para o controle e a prevenção da pressão alta.

Rafael Munerato, cardiologista do Laboratório Exame e não participante do estudo, explica que a estabilização da pressão sanguínea indicada no estudo australiano é um reflexo de que o organismo está entrando em equilíbrio com o auxílio do suplemento. “Já sabemos que algumas bactérias que vivem no nosso corpo estão lá para o nosso bem, como na boca, em que evitam infecções. As probióticas auxiliam o intestino a entrar em equilíbrio e funcionar melhor.” De acordo com Munerato, esses micro-organismos presentes em iogurte e coalhada auxiliam a liberação de hormônios que regulam a quantidade de gordura, açúcar e outros nutrientes, o que auxilia na circulação de sangue, regularizando a pressão.

Alta concentração
Os cientistas da universidade australiana ressaltam que somente os produtos com unidades formadoras de colônias (UFC) acima de 10, o equivalente a 100 milhões de bactérias, trouxeram benefícios à pressão sanguínea dos participantes. Isso se explica pela “força” do suplemento, com uma quantidade maior do que a presente em alguns alimentos comercializados em mercados, segundo Rosália Torres, cardiologista e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

“Não é qualquer tipo de produto com probióticos que traz esses benefícios. Alguns alimentos prometem ter essas substâncias, mas a quantidade não é suficiente. Acredito que deveria haver um controle maior para que a compra fosse realmente algo consciente”, destaca a especialista, informando, em seguida, que há soluções farmacêuticas com a quantidade de UFC recomendada.

Torres também explica que a melhora obtida na pressão sanguínea dos participantes do estudo australiano é pequena e pode ser comparada com os benefícios obtidos com o controle do consumo de sal. “É uma melhora suave, mas, ainda assim, pode auxiliar as pessoas que precisam controlar a dieta e as que querem evitar problemas de pressão arterial. Ao serem incorporados em reeducações alimentares adequadamente por um médico, os probióticos podem servir como um auxiliar, um bom coadjuvante na luta para conter a pressão alta”, destaca.


Palavra de especialista

Preços maiores no Brasil
 “O probiótico tem amplos efeitos, desde a capacidade de fermentação dos alimentos até a composição final da microbiota intestinal. Essas bactérias fazem com que prevaleçam no intestino as bactérias saudáveis sobre as ruins. Mas é importante observar que a quantidade de probióticos que produzem efeitos positivos indicada na pesquisa australiana não é possível de ser obtida com o consumo de iogurte. A quantidade que se obtém com o suplemento probiótico é infinitamente maior. Portanto, não é razoável acreditar que haja redução da pressão arterial consumindo-se só iogurtes, por mais que esse alimentos sejam saudáveis. O aspecto limitante, para a nossa realidade, é ainda o custo dos probióticos no Brasil. Enquanto um vidro com 90 cápsulas custa US$ 20 nos EUA, aqui cobram entre R$ 200 e R$ 300”
ldemir Mangabeira, professor do curso de Gastronomia do Centro Universitário IESB e mestre em Nutrição Humana.

Gorduras do fígado são eliminadas


Os probióticos também podem ajudar na redução do acúmulo de gordura no fígado. Pesquisadores espanhóis realizaram um experimento que comprovou esses efeito da suplementação dessas bactérias em ratos obesos. A descoberta, detalhada nesta semana na revista Plos One, pode auxiliar futuramente em tratamentos mais eficazes contra a obesidade e o diabetes.

No estudo, foram utilizados três tipos de micro-organismos vivos, com concentrações distintas de bactérias. Os ratos, que se tornaram obesos em decorrência de uma mutação genética induzida, receberam essas soluções durante 30 dias. Depois desse período, os ratos tiveram redução da gordura acumulada no fígado, que em excesso pode causar a esteatose hepática.

“As estirpes probióticas reduziram a esteatose hepática agindo com um efeito anti-iflamatório”, explica, no artigo divulgado, Julio Plaza-Diaz, professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade de Granada e um dos autores do estudo. De acordo com os cientistas, a doença hepática não seria curada com probióticos, mas os micro-organismos podem ser utilizados como terapia de apoio em utilização conjunta com outros tratamentos.

Outro ponto positivo do trabalho foi a prova de que nenhum malefício foi diagnosticado nas cobaias após o uso de probióticos durante tratamento, o que elimina possíveis agressões aos organismo causadas pelo suplemento. “As camadas intestinais parecem normais em todos os grupos experimentais. Esses resultados sugerem que os probióticos não alteram a morfologia desses órgãos, reforçando a segurança em seu uso para terapias”, destaca Plaza-Diaz.

Danos celulares
A condição é provocada pelo acúmulo de gordura no fígado. O órgão já tem naturalmente uma quantidade dessa substância, mas, quando ultrapassa 10% do peso hepático, os médicos consideram e existência de esteatose hepática. O início da doença não causa sintomas graves, mas, com o agravamento, há danos às células do fígado, com inflamações no local que geram dor abdominal, pele amarelada e vômitos, entre outros sintomas. As causas da enfermidade estão ligadas à ingestão exagerada de bebidas alcoólicas, mas a doença também pode ser causada pelo colesterol alto, pelo excesso de peso ou pelo diabetes.

 

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