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Briga de óculos

Microsoft desenvolve um dispositivo inteligente que será rival do Google Glass, já à venda nos Estados Unidos. Além de reconhecer objetos e conectar-se à internet, o gadget poderá ser usado no Xbox

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postado em 30/07/2014 12:38

Silas Scalioni

Os óculos poderão ser usados também em integração com o console da empresa 
Os óculos poderão ser usados também em integração com o console da empresa

Belo Horizonte — A gigante norte-americana Microsoft fez, há poucos dias, pedido de patente de um dispositivo que chamou de Wearable Behavior-Based Vision System (em português, sistema vestível de visão baseado em comportamento), que, certamente, está sendo concebido para concorrer com o Google Glass, os óculos inteligentes da Google. Da mesma forma que o gadget já existente, o Microsoft Glass (se é que já se pode chamá-lo assim) também vai ser capaz de reconhecer objetos e situações, analisar movimentos e amenizar os riscos de colisão e outros perigos.

 Justamente o reconhecimento de um carro pelo equipamento é que foi citado como exemplo em documentos apresentados pela empresa: os óculos verificam e analisam o percurso do veículo e exibem um alerta por meio de suas lentes sobre os perigos que se apresentam ao usuário. A nova criação da Microsoft, ainda segundo os textos, vai poder ser usada também em games. Enquanto o usuário joga, o artefato será capaz de identificar e alertar sobre objetos no meio do caminho, como cadeiras e mesas, indicando ainda formas de se desviar deles. A presença nos mesmos documentos de um Xbox e de uma câmera parecida com o Kinect indica claramente que é intenção da empresa desenvolver uma integração entre o gadget e o seu console.

Apesar de a Microsoft ter feito pedido de registro de patente do gadget, ainda não dá para afirmar que a empresa vai mesmo lançar os óculos inteligentes. Afinal, muitas pesquisas e testes envolvem o desenvolvimento de um produto tão tecnológico assim. A própria Google, que saiu na frente, ainda não está totalmente satisfeita com o Google Glass e continua buscando aperfeiçoá-lo. Seja como for, se a Microsoft de fato se empenhar na concepção do seu dispositivo, como especulado há algum tempo, ele poderá mesmo se tornar um concorrente de peso ao aparelho da Google, à venda nos Estados Unidos.

Depois de realizar uma série de pequenas ações promocionais — inclusive convidando usuários a experimentar os óculos inteligentes, com agendamento no Google Glass Basecamp, em San Francisco, Los Angeles ou Nova York —, a gigante das buscas finalmente liberou as vendas do gadget em seu site oficial. Entretanto, ainda se trata de uma versão em fase de teses. O anúncio das vendas foi postado recentemente na página do Google Glass no Google Plus e a nota faz questão de destacar que o produto continua integrando o chamado Explorer Program (uma espécie de fase de testes).

“Ainda estamos no Explorer Program, enquanto continuamos melhorando nossos hardware e softwares. Mas, a partir de agora, qualquer um nos Estados Unidos pode comprar o Glass Explorer Edition”, informou a empresa em um comunicado. O que incomoda no Google Glass é o seu alto preço, até mesmo nos Estados Unidos. Essa versão inicial custa US$ 1,5 mil (cerca R$ 3,4 mil). A dúvida, a partir de agora, passa a ser se essa fase beta ainda demora e se o valor do produto final se manterá nesses patamares.

Teste em aeroporto
O Google Glass pôde ser testado, e aprovado, por passageiros e equipes de serviço no aeroporto de Copenhague, na Dinamarca. O local foi indicado pelo SITA Lab — laboratório que trabalha com pesquisa de tecnologia estratégica para a indústria de transporte aéreo. São várias as ações em um aeroporto, que, segundo Jim Peters, diretor de tecnologia do SITA, podem ser facilitadas com a presença do gadget, incluindo o uso em check-in, em autosserviço de entrega de bagagem e em portas de embarque de autoatendimento. “Temos incentivado as companhias aéreas e os aeroportos a experimentar mais a tecnologia wearable”, diz. Os wearables ou, em tradução livre, produtos vestíveis, são criações que propõem uma integração cada vez maior da tecnologia ao ser humano, como no caso do Google Glass.

Para Jim Peters, uma grande vantagem dessa tecnologia é manter as mãos livres, permitindo uma nova forma de trabalhar. “No Aeroporto de Copenhague, temos visto benefícios reais para os passageiros e equipe de serviço. Do ponto de vista operacional, a facilidade de adoção e de uso de dispositivos de vidro é grande e só leva um dia para os funcionários se familiarizarem com o novo equipamento”, afirma.

Já Marie-Louise Lotz, diretora de atendimento ao cliente do aeroporto, informa que o feedback dos passageiros e da equipe de serviços têm sido muito positivo. “Achamos o Google Glass muito fácil de ser usado e mais amigável do que outros dispositivos, como o tablet. Com ele, conseguimos reduzir a quantidade de papel que nossos gestores precisam utilizar, como escalas de serviço, folhas de atribuição de secretária e prognóstico de pico. À medida que os dispositivos deixam as mãos livres e os funcionários não estão se concentrando em uma tela, eles podem atender melhor aos passageiros”, garante.

Complementando, a diretora do aeroporto revelou que sua equipe de funcionários também observou que ter acesso pelo aparelho a serviços como o Google Tradutor e a informações sobre portões, bagagem e dados de voos ajudou bastante a melhorar o diálogo com os passageiros, ressaltando ainda que compartilhar informações com outros colegas por meio da câmera do dispositivo, para fins de documentação e publicação de fotos em um fórum fechado de trabalho, promove interação entre os funcionários.


Multiúso
Os óculos inteligentes da Google concentram várias funções em pouco espaço. Ele é um telefone, uma câmera, conecta-se à internet, tem GPS. Trata-se de um acessório que possibilita a interação dos usuários com diversos conteúdos usando a tecnologia de realidade aumentada. Ele não conta com uma minitela, mas com um miniprojetor que projeta um prisma semitransparente (de forma inteligente) direto na retina.


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