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ORIENTE MéDIO »

Outra escola sob ataque

Pela terceira vez em 10 dias, bombardeio atinge abrigo da ONU para civis na Faixa de Gaza e mata palestinos. Sob condenação internacional, Israel anuncia redução de tropa no território

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postado em 04/08/2014 11:42

Publicação: 04/08/2014 04:00

Palestinos transportam um ferido no ataque à escola:  
Palestinos transportam um ferido no ataque à escola: "A loucura tem de parar", exige o líder da ONU


A família e companheiros do Exército sepultam o tenente Hadar Goldin: Israel já perdeu 64 soldados 
A família e companheiros do Exército sepultam o tenente Hadar Goldin: Israel já perdeu 64 soldados


Israel anunciou no fim da noite de ontem uma “janela humanitária” de sete horas nos ataques à Faixa de Gaza, depois de o Exército ter admitido que disparou contra alvos perto de uma escola que servia como abrigo para civis em Rafah, no sul do território. Segundo a agência das Nações Unidas dedicada aos refugiados palestinos (UNRWA), que administra o local, o ataque causou 10 mortos entre as 3 mil pessoas que estavam refugiadas ali. As autoridades israelenses confirmaram a ação contra “três terroristas da Jihad Islâmica que estavam perto da escola”, e informaram que o incidente estava sob investigação.

Os militares israelenses afirmaram também que será reduzido o contingente em Gaza, pela primeira vez em quase um mês de conflito. Cerca de 100 tanques foram posicionados do lado israelense da fronteira. “Retiramos alguns e mudamos outros de posição dentro do território. A missão está em andamento”, disse o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF, em inglês), Peter Lerner. A Operação Margem Protetora, iniciada em 8 de julho, tinha deixado até a noite de ontem mais de 1.850 palestinos mortos, na maioria civis. Cerca de 400 eram crianças, segundo a ONU. Israel contava 64 baixas militares e três civis. O Exército reconheceu na madrugada a morte do tenente Hadar Goldin, inicialmente dado como capturado pelo Hamas. Ele foi enterrado ontem, em clima de comoção, em Kfar Saba.

O terceiro bombardeio israelense a uma escola da ONU no intervalo de 10 dias foi classificado como “criminoso” pelo secretário-geral da organização, Ban Ki-moon. “Isso é um escândalo do ponto de vista moral. Essa loucura tem de parar”, afirmou, renovando o apelo às duas partes por um cessar-fogo. Os Estados Unidos, cujo governo é o principal aliado de Israel, se disseram “chocados” e insistiram para que Israel “se esforce para respeitar os próprios critérios e evitar a morte de civis”, declarou a porta-voz do Departamento de Estado Jennifer Psaki. O presidente francês, François Hollande, também condenou o “inadmissível” bombardeio da escola e pediu que os responsáveis “respondam por seus atos”.

Disparos contra escolas usadas pela ONU como abrigo tinham tirado a vida de 30 palestinos mortos em Beit Hanoun, em 24 de julho, e em Jabaliya, no dia 31. Segundo informações dos serviços de emergência de Gaza, só em Rafah, em 27 dias de guerra, o balanço atingia a soma de 71 mortos. Israel acusa o Hamas de usar os moradores de Gaza como escudos humanos, além de estocar armas, mísseis e lançadores em hospitais e escolas. No Marrocos, cerca de 10 mil manifestantes saíram às ruas de Casablanca para protestar contra “o massacre” dos palestinos e anunciar a disposição de lutar ao lado deles. “Abram as fronteiras!” , “Queremos ir a Gaza”, “Morte a Israel”, diziam os cartazes exibidos, ao lado de réplicas de mísseis.

Diplomacia
O chanceler da China, Wang Yi, fez coro ontem com os pedidos de cessar-fogo e pediu a Israel que também suspenda o bloqueio que impõe ao território palestino por terra, ar e mar. “Os dois lados, israelenses e palestinos, devem cessar as operações militares imediata e totalmente, incluindo ataques aéreos, operações terrestres e disparos de foguetes, para salvar as pessoas e a paz na região”, declarou o chanceler chinês, durante uma conferência de imprensa.

No Egito, que funcionou nas últimas décadas como mediador entre Israel e o Hamas, uma delegação palestina iniciou uma rodada de conversações promovida pelo presidente Abdel Fatah Al-Sisi, com a presença do emissário norte-americano para o Oriente Médio, Frank Lowenstein. Al-Sisi apresentou uma proposta destinada a permitir uma trégua prolongada e estável em Gaza, mas Israel decidiu não comparecer, alegando não ter confiança no Hamas como interlocutor. Segundo o premiê Benjamin Netanyahu, as operações no território palestino continuarão “pelo tempo que for necessário”, com o emprego “da força que for necessária”.



Solidariedade em Copacabana
Uma manifestação em solidariedade a Israel e contra o movimento palestino Hamas levou ontem cerca de 2.500 pessoas à praia de Copacabana. Convocados pela Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, os participantes exibiam cartazes com dizeres como “ore pela paz em Israel”, “contra todo tipo de extremismo” e “Israelense tem direito a se defender”. Um incidente menor ocorreu quando foi rasgado um cartaz que criticava a ofensiva militar em Gaza. O manifestante que levava a mensagem afirmou que tinha apoio dos organizadores para expor sua posição.
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