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Pai conta que uso da maconha como remédio melhora saúde da filha

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postado em 11/08/2014 17:17 / atualizado em 11/08/2014 17:26

Agência Senado

Edilson Rodrigues/Agência Senado
No debate sobre a regulamentação do uso medicinal da maconha, nesta segunda-feira (11), na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), um homem contou como usa a droga para tratar a doença rara de sua filha. No início da audiência, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) leu a carta da mãe da menina — mãe e filha não estavam presentes — e deu a palavra ao pai, Fábio Carvalho.

A criança possui a Síndrome de Dravet, uma síndrome rara que provoca convulsões e pode ser fatal se não tratada. Fábio disse que, desde os 5 meses de idade, sua filha Clarian tem convulsões e já foi internada 17 vezes, 11 delas em unidade de tratamento intensivo (UTI). Apenas no ano passado, a menina recebeu o diagnóstico da síndrome.

— Num primeiro momento, eu, como a maioria dos pais, trouxe de forma ilegal a seringuinha dos Estados Unidos e comecei a dar para minha filha. Eu não teria condições de dar continuidade a esse tratamento porque sai muito caro — revelou.

Fábio contou que cada seringa custa US$ 500 e Clarian precisava de 3 seringas por mês. Ele disse que, se fosse trazer de forma legal, cumprindo todas as exigências feitas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o custo total mensal seria de R$ 8.700. Então, Fábio conseguiu, com um amigo, o óleo da maconha, conhecido como CBD (Canabidiol), e tem dado cinco gotas para Clarian por dia.

— A partir do CBD, minha filha começou a ganhar qualidade de vida. Ela ficava sentada, em frente à televisão, não tinha ânimo para nada. Hoje ela anda pela casa, brinca com o cachorro da vizinha, ela dança. O olhar dela já mudou. Inclusive, na escola, ela começou a copiar as palavras da lousa, coisa que ela não fazia. Para mim, é uma vitória — relatou Fábio.

Ele disse que, desde quando começou a dar o CBD para Clarian, as crises foram diminuindo. Em abril, foram 12 crises, em maio, 7, em junho, 3, e, em julho, apenas 1. Fábio disse ser a favor da regulamentação para o uso medicinal da erva porque também conheceu várias outras pessoas que passam por doenças semelhantes.

— Se o que eu estou fazendo estiver errado, eu vou continuar errado — disse.

A CDH debateu nesta segunda-feira a Sugestão (SUG) 8/2014, que pretende regulamentar o uso medicinal e recreativo da maconha. A matéria é relatada pelo senador Cristovam Buarque e, se for aprovada pela comissão, passa a ser um projeto de lei do colegiado que tramitará no Congresso Nacional. A sugestão é uma iniciativa popular apoiada por mais de 20 mil pessoas no portal e-Cidadania do Senado.
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