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Em busca de companhia

A Nasa planeja o lançamento de novos equipamentos que aumentarão as chances de encontrar vida fora da Terra

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postado em 27/08/2014 10:54 / atualizado em 27/08/2014 10:55

Roberta Machado


Por enquanto, o Kepler-186f  é o único planeta do tamanho  da Terra e em uma zona habitável de que se tem notícia  
Por enquanto, o Kepler-186f é o único planeta do tamanho da Terra e em uma zona habitável de que se tem notícia

Há vida fora da Terra? Em nenhum tempo da história, houve sinais tão claros de que podemos ter companhia no Universo. Depois de colher provas de que Marte, no passado, teve água corrente e identificar o primeiro planeta que pode ter tamanho e condições similares ao nosso, a Nasa passou a investir em grandes missões destinadas a examinar regiões cada vez mais remotas do Cosmos.

A busca por vida extraterrestre ganhou novo fôlego com as descobertas feitas com ajuda da sonda espacial Kepler, que há cinco anos se dedica a identificar sinais de planetas que orbitam as estrelas mais brilhantes do céu. O equipamento encontrou mais de 5 mil possíveis planetas e provou a existência de mais de 1,7 mil deles. Esses resultados levaram os cientistas a acreditar que há bilhões de objetos do tipo no Cosmos e que milhares deles podem ser habitáveis. E acredita-se que uma dezena de novas estrelas surjam todos os anos somente na Via Láctea — algumas formando sistemas completos.

“É altamente improvável, na imensidão ilimitada do Universo, que nós humanos estejamos sozinhos. Eu sempre acreditei nisso como uma questão de estudo científico, como uma questão de fé e de outras coisas. Acho difícil acreditar que estamos sozinhos”, afirmou recentemente o administrador da Nasa e ex-astronauta Charles Bolden, em evento promovido para debater a existência de vida no espaço.

A procura por planetas impulsionou uma corrida tecnológica por equipamentos mais sensíveis e poderosos. Hoje, os astrônomos são capazes de caracterizar a existência de água líquida ou atmosférica em pontos distantes, além de reconhecer sinais químicos, como dióxido de carbono, que podem fornecer pistas sobre a habitabilidade de um corpo de outra galáxia.

Avanços
Esses instrumentos também são capazes de dizer, com base na perturbação do sinal emitido por uma estrela, quantos planetas orbitam à sua volta, do que eles são feitos e qual é o tamanho deles. Se o objeto for muito grande, é possível que ele tenha composição gasosa e, portanto, seja impróprio para organismos. Um corpo celeste menor que a Terra, por outro lado, tem poucas chances de formar uma atmosfera de hidrogênio e hélio. Estima-se que entre 10% e 20% das estrelas vizinhas sejam orbitadas por planetas com tamanho similares ao da Terra, no entanto, o sinal que esses corpos rochosos emite é discreto demais para que os equipamentos possam caracterizá-los ou até mesmo confirmar a sua existência.

A grande esperança da Nasa está no Telescópio James Webb, a ser lançado para o espaço em outubro de 2018. O equipamento é sensível o suficiente para detectar sinais de planetas menores e fornecer dados ocultados pela atmosfera desses mundos. O equipamento vai usar dados de outras observações para detalhar o catálogo de estrelas e planetas identificados na galáxia.

Quase três vezes maior que o telescópio espacial Hubble, o James Webb foi concebido em 1995, quando a agência espacial colocou a busca por planetas similares à Terra em sua lista de prioridades. “Não sabíamos o quão difícil seria esse projeto. Fizemos um progresso imenso na tecnologia e em compreender a dificuldade do trabalho”, ressalta John Mather, cientista do projeto e vencedor do prêmio Nobel de Física. Quase duas décadas depois, as empolgantes descobertas feitas por equipamentos muito mais limitados alimentam a ambição de pesquisadores que esperam transformar a forma como entendemos o Universo.

O novo telescópio é considerado a primeira chance real de encontrar sinais de vida em outros planetas, embora não tenha sido criado com esse objetivo específico — além de fornecer detalhes sobre a temperatura e a composição dos objetos espaciais, o equipamento poderia, inclusive, identificar assinaturas de gases gerados por seres vivos. E, um ano antes de o James Webb ser lançado, há previsão de que o satélite TESS seja enviado ao Cosmos com o objetivo de monitorar mais de meio milhão de estrelas durante dois anos.

Equação complexa
Tanta tecnologia se justifica porque a tarefa de encontrar outra Terra já se provou muito complicada. “Estatisticamente falando, toda estrela na Via Láctea deve ter ao menos um planeta. Isso pode não ser surpreendente se você pensar com lógica, mas é surpreendente como todos esses conjuntos de planetas são diferentes do Sistema Solar. Nossa Terra é extremamente difícil de achar. Então, a curto prazo, temos encontrado planetas com a massa ou o tamanho de Júpiter (orbitando) onde Mercúrio deveria estar”, conta Sara Seager, professora de ciências planetárias e física no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Se o espaço entre o corpo celeste e a estrela também for comparável ao que separa o nosso planeta do Sol, os cientistas afirmam que ele está na zona habitável: com as condições corretas, é possível que o planeta tenha água líquida e uma temperatura razoável para abrigar alguma forma de vida. Os cientistas acreditam que uma em cada cinco estrelas tenha ao menos um planeta na chamada zona de Cachinhos Dourados (nem frio nem quente demais, como a personagem da fábula infantil prefere que esteja seu mingau).

No entanto, ainda há outros fatores que podem influenciar a temperatura de um planeta e, consequentemente, a sua habitabilidade. Atualmente, astrônomos alimentam um debate acalorado sobre como os gases da atmosfera podem deixar um planeta mais quente ou frio. Por isso, cientistas passaram a investigar com mais detalhes a composição das coberturas desses novos objetos para determinar seu potencial de abrigar organismos. Assim, as principais ferramentas dos astrônomos continuam sendo a sorte e a paciência. “Cada pequena estrela precisa ter um planeta na zona habitável, e a maioria desses planetas deveria ter vida, e a maioria dessa vida deveria gerar um gás que poderia preencher a atmosfera”, especula Seager.


Terra gêmea
A descoberta do primeiro planeta do tamanho da Terra em uma zona habitável foi divulgada em abril deste ano. A notícia foi publicada na revista Science, na qual um artigo descreveu as características do Kepler-186f, o quinto a ser descoberto na órbita da anã-vermelha Kepler-186, que fica a 490 anos-luz da Terra. O planeta orbita a uma distância um pouco menor que a que separa Mercúrio do Sol e tem um ano de 130 dias.
Escolha o nome de novos planetas



A União Astronômica Internacional (UAI) lançou recentemente um concurso para dar nomes aos planetas e estrelas encontrados fora do Sistema Solar. Essa é a primeira vez que os títulos de corpos celestes poderão ser escolhidos por voto popular. Os nomes serão propostos por grupos e organizações de astronomia e colocados à escolha do público na internet. O batismo será feito oficialmente pela UAI, permitindo que os objetos sejam chamados tanto pela nomenclatura científica quanto pela designação escolhida pelo povo.

Ao todo, o público poderá escolher o nome de 305 exoplanetas de 260 sistemas de até cinco objetos cada um. Todos os corpos celestes foram descobertos antes de 2009 e já tiveram a existência confirmada por outras observações. A UAI dá nomes a objetos celestes desde 1919, quando foi criada. A nomenclatura oficial de planetas segue um padrão com base no título dado à sua estrela: o objeto é designado pelo nome do astro, seguido de uma letra minúscula, escolhida de acordo com a ordem de sua descoberta. No caso de sistemas com mais de uma estrela, são usadas letras maiúsculas.

A entidade planeja lançar no próximo mês um site para o Diretório para Astronomia Mundial, onde milhares de organizações poderão registrar os seus palpites para nomear os planetas. Em outubro, os grupos poderão votar nos grupos de objetos que desejam batizar e, em dezembro, as organizações poderão enviar as propostas de nomes e as justificativas de suas escolhas. Ao fim do processo, cada grupo poderá ser responsável pela designação de apenas um objeto, pelo qual receberá o crédito.

Tecnicamente, a instituição já permitia que organizações interessadas dessem nomes a objetos celestes, mas o processo exigia a aprovação da UAI e não levava em conta a opinião de pessoas que não estivessem diretamente ligadas à pesquisa de astronomia. As regras impostas pela UAI, no entanto, continuam a valer para a competição popular: os nomes precisam ter 16 caracteres ou menos, ser pronunciáveis em alguma língua, ser diferentes das nomenclaturas de outros objetos e, preferencialmente, conter apenas uma palavra. Sugestões ofensivas, de caráter comercial ou inspiradas em bichos de estimação não serão consideradas pela instituição, assim como nomes de pessoas vivas ou de indivíduos, lugares e eventos que estejam ligados à política ou à religião.

As listas de nomes enviados pelas organizações serão divulgadas e submetidas ao voto do público na plataforma NameExoWorlds. A votação popular terá início em março de 2015. O sistema foi projetado para aceitar mais de 1 milhão de votos de todo o mundo, e a UAI vai convocar voluntários para traduzir o conteúdo do site para diferentes línguas. Os vencedores serão selecionados a partir de julho, por meio do Grupo de Trabalho de Nomeação Pública de Planetas e Satélites Planetários do UAI, e divulgados em agosto, em uma cerimônia no Havaí. (RM)
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