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Estudo aponta fatores que afetam desempenho de profissionais

Pesquisa desenvolvida na Universidade de Brasília ouviu funcionários que atuam em canais de inspeção de 18 aeroportos brasileiros

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postado em 03/09/2014 12:57 / atualizado em 03/09/2014 14:31

Agência UnB

Baixos salários, condições de trabalho inadequadas e desvalorização da carreira podem interferir no desempenho de profissionais responsáveis pela segurança da aviação civil. A constatação é de pesquisa de dissertação do Mestrado em Transportes do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental (ENC), que ouviu 602 trabalhadores de 18 aeroportos. “Essas informações são importantes para incluir o ambiente de trabalho dos agentes entre as políticas de segurança”, avalia a autora da pesquisa, Michelle Arcúrio.

Os dados da dissertação foram obtidos a partir de autoavaliação de Agentes de Proteção de Aviação Civil (APACs). São esses os responsáveis, entre outras atividades, pelo uso de equipamentos e abordagem de passageiros no canal de inspeção, área de acesso ao embarque onde estão instalados os aparelhos de Raios-X. Em questionários com 60 itens, eles apontaram erros ou fatores humanos que julgam interferir no trabalho. Entre os dez mais mencionados constam a alta rotatividade de funcionários, o desconforto térmico (calor ou frio) e o ruído nos locais de trabalho.

A pesquisa traz ainda análises sobre a percepção de aspectos técnicos e econômicos dos APACs. As respostas dos agentes apontam que funcionários com turnos fixos trabalham com mais atenção. Também revelam que profissionais com menos tempo de serviço tendem a sentir mais a rotatividade da carreira e são mais propensos a simplificar procedimentos de segurança. “Alguns profissionais podem levar mais tempo para perceber a importância do trabalho deles para a segurança do sistema”, diz Michelle Arcúrio.

A certificação dos agentes é realizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Os trabalhadores seguem carreiras celetistas e estão vinculados aos aeroportos que trabalham. A segurança da aviação civil é dividida em dois eixos centrais: safety, a segurança operacional para evitar acidentes aéreos, e security, a busca da prevenção de atos intencionais e ilícitos contra a aviação. É no segundo eixo que atuam os APACs.   

INEDITISMO – Orientador da dissertação, o professor do ENC José Augusto Fortes ressalta a representatividade da pesquisa. “Esse é um trabalho inédito e traz contribuições muito importantes. Ajuda a identificar as necessidades de aperfeiçoamento do setor”, afirma. “Também tem um aspecto social relevante. Pode sensibilizar a sociedade no sentido de entender que os procedimentos exigidos são necessários para a segurança de todos”.
 
Pesquisadora Michelle Arcúrio encaminhou dados da dissertação à Anac

Michelle Arcúrio explica que a pesquisa não busca ranquear os aeroportos mais seguros. Por isso, o conteúdo dos questionários foi avaliado de forma conjunta. O estudo considera que erros e fatores humanos são inerentes a sistemas complexos, mas que é necessário minimizá-los. “Os ensinamentos acerca da investigação do erro humano e a aplicabilidade das técnicas de controle podem restringir a probabilidade de sua incidência e, com isso, trazer maiores índices de segurança da aviação civil contra atos de interferência ilícita”, aponta trecho da dissertação de 318 páginas.

A pesquisadora concluiu o mestrado no mês de junho. Graduada em Pedagogia pela Universidade de Brasília, ela passou a se interessar por segurança na aviação após iniciar carreira na Anac, em 2007. O material defendido na UnB foi entregue à agência. “A preocupação com a melhoria da segurança deve ser materializada por meio de ações concretas e não apenas externalizada e compartilhada por meio de ideais. Assim, é necessária a adoção de uma postura ativa que fomente medidas de segurança”, destaca o estudo.

 

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