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O rei dos gigantes

Dinossauro descoberto na Argentina é o maior animal terrestre que já existiu no planeta. A espécie, que viveu há 77 milhões de anos, pesava mais que um Boeing

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postado em 05/09/2014 12:06 / atualizado em 05/09/2014 12:07

Ilustração do Dreadnoughtus schrani: apesar do tamanho, ele não ameaçava outros bichos, por ser herbívoro 
Ilustração do Dreadnoughtus schrani: apesar do tamanho, ele não ameaçava outros bichos, por ser herbívoro

Com 26m de comprimento e pesando 65 toneladas, ele era mais pesado que um Boeing 737 e tão longo quanto meia piscina olímpica. Só de pescoço, o Dreadnoughtus schrani tinha 11m. De rabo, nada menos que 9m. Com essas medidas, o dinossauro descoberto da Argentina e descrito na revista Scientific report, do grupo Nature, transforma-se no maior animal terrestre que já caminhou sobre o planeta e de que se tem notícia. Os paleontólogos que publicaram o artigo contaram com a sorte de encontrar um exemplar extremamente bem preservado: 70% dos ossos, excluindo a cabeça, foram retirados intactos de um sedimento da Patagônia.

“O Dreadnoughtus schrani era impressionantemente enorme”, disse Kenneth Lacovara, professor da Universidade de Drexel (EUA) que descobriu o esqueleto fossilizado e conduziu a escavação e a análise. “Ele pesava tanto quanto uma dúzia de elefantes-africanos ou mais que sete Tiranossauros rex. O mais chocante é que as evidências do esqueleto mostram que, quando esse espécime de 65 toneladas morreu, ele não havia crescido totalmente. Ele é, de longe, o melhor exemplo que temos de qualquer criatura gigante a andar pelo planeta”, afirmou. Até hoje, todos os dinossauros supermassivos já descobertos estavam muito fragmentados.

O “dino hermano” pertence a um grupo de grandes comedores de planta conhecidos como titanossauros. O fóssil foi escavado ao longo de seis temporadas de trabalho iniciadas em 2005, das quais participou, além dos pesquisadores de Drexel, uma equipe do Centro Nacional Patagônico em Chubut, na Argentina. Entre os mais de 100 elementos do esqueleto, estão vértebra do rabo quase inteira, ossos do pescoço com diâmetro de mais de 1m, escápula, numerosas costelas, dedos, uma garra, um pequeno pedaço da mandíbula, um dente e, o mais notável para o cálculo da massa corporal, quase todos os ossos tanto das patas dianteiras e traseiras, incluindo um fêmur e um úmero. Um indivíduo menor e com esqueleto menos completo também foi descoberto no local.

O padrão de cálculo da massa dos quadrúpedes é baseado nas medidas tiradas do fêmur e do úmero. Como o espécime do Dreadnoughtus inclui ambos, seu peso pode ser estimado com grande confiança. Antes da descrição desse titanossauro, outro gigante da Patagônia, o Elaltitan, era dono do título de dinossauro com maior peso calculado: 47 toneladas.

“Com o corpo do tamanho de uma casa, o peso de uma manada de elefantes e um rabo que era uma arma, o Dreadnoughtus não devia ter medo de nada”, acredita Lacovara. Daí veio o nome do animal — dreadnoughtus significa justamente “medo de nada”. O segundo nome, schrani, foi escolhido em homenagem ao empreendedor americano Adam Scrhan, que financiou a pesquisa.

Só vegetais
Apesar do tamanho assustador, esse dinossauro não representava um perigo aos outros animais, pois era herbívoro. Para manter seu peso, devia comer o dia inteiro, diz Lacovara, acrescentando que o bicho viveu há 77 milhões de anos numa floresta temperada da América do Sul. “Eu imagino que seus dias consistiam em ficar por muito tempo em um único lugar. Se você tem um pescoço de 11m e balança um rabo de 9m, você nem precisa mexer suas pernas para acessar folhas das árvores”, acredita o paleontólogo.

Em vida, ele não tinha predador, mas, morto, o gigante se transformava em um banquete farto. A equipe de Lacovara descobriu alguns ossos de terápodes — pequenos predadores carniceiros — entre o fóssil do Dreadnoughtus. Contudo, a natureza completa e articulada dos dois esqueletos da espécie é evidência de que ambos foram soterrados por sedimentos antes de seus corpos se decomporem totalmente. Baseados nos depósitos do sítio arqueológico, Lacovara acredita que o grandalhão e o menorzinho foram vítimas de um forte evento natural, como uma enchente. “O azar deles foi nossa sorte”, brincou o pesquisador.
 
 
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