SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

TRABALHO »

Cresce participação de estrangeiros

Estudo divulgado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) mostra que número de imigrantes que trabalham formalmente no Brasil saltou de 69.015 para 155.982 em cinco anos. Maioria tem ensino médio ou superior

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 27/10/2015 10:22

Hédio Júnior - Especial para o Correio


Os haitianos lideram as nacionalidades que mais ocupam vagas no mercado formal. Em 2014, eram 17.577, seguidos pelos senegaleses (Minervino Junior/CB/D.A Press - 27/8/14)
 

 

Os haitianos lideram as nacionalidades que mais ocupam vagas no mercado formal. Em 2014, eram 17.577, seguidos pelos senegaleses



O número de estrangeiros que assumiram vagas no mercado de trabalho no Brasil cresceu 126% entre 2010 e 2014. A alta na contratação de imigrantes que chegaram ao país em busca de emprego e melhores condições de vida se manteve no primeiro semestre de 2015 e esteve alheia à crise econômica e aos crimes de xenofobia enfrentados por esses cidadãos — como o que resultou na morte de um haitiano em Santa Catarina, este mês.

Os dados fazem parte de um estudo divulgado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), comitê ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego, que traçou um perfil dos imigrantes que trabalham formalmente no Brasil. Em quatro anos, esse número saltou de 69.015 para 155.982. A maioria (81%) é homem, com formação de nível médio a superior e idade entre 20 e 49 anos.

De janeiro a junho deste ano, a admissão de estrangeiros superou as demissões, com 11.011 contratações contra 2.846 desligamentos — principalmente em cidades do interior. A demanda do mercado por essa mão de obra estrangeira no período de recessão econômica tem, entre outras bases, o fortalecimento da indústria exportadora que se favoreceu com a alta do dólar.

Os haitianos lideram as nacionalidades que mais ocupam vagas no mercado formal. Em 2014, eram 17.577, seguidos de longe pelos senegaleses, argentinos, ganeses, paraguaios, e portugueses. A Região Sul é a que mais recebe imigrantes depois dos terremotos que agravaram as mazelas sociais do Haiti em 2010: 26% estão empregados em Santa Catarina, 19% no Paraná e 18% do Rio Grande do Sul.

Agroindústria

O balanço das contratações dos imigrantes no trabalho formal, principalmente em 2015, é avaliado positivamente por pesquisadores do OBMigra. De acordo com o coordenador do observatório e professor do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, Leonardo Cavalcanti, as indústrias de final da cadeia produtiva do agronegócio não cessaram as exportações e, diante disso, se firmaram como o setor que mais absorveu imigrantres de 2013 ao primeiro semestre deste ano.

Entre as atividades econômicas que mais admitiram imigrantes estão as dos setores de abate de aves (12%), da construção civil (7%), dos restaurantes (5%) e do abate de suínos em frigoríficos (4%). Já as funções mais ocupadas são as de alimentador de linha de produção, servente de obras, magarefe (que abate animais) e faxineiros.

A média salarial no momento de admissão desses imigrantes ainda é baixa. Em 2014, o valor foi de R$ 1 mil, em média. Apesar de a maioria dos estrangeiros que buscam trabalho no Brasil serem escolarizados, entre os níveis médio e superior, eles assumem trabalhos fora de suas áreas de formação.

“Dificuldades como o idioma, a documentação legal para a contratação e a validação do diploma de origem no Brasil são os principais obstáculos dessa recolocação mais qualificada”, avalia a coordenadora executiva do OBMigra, Tânia Tonhati.

Xenofobia

Os estrangeiros que chegam ao Brasil e buscam emprego no trabalho formal ainda enfrentam resistência no país. Caso recente e que está sendo investigado como xenofobia e crime de ódio foi o que resultou na morte do haitiano Fatiere Sterlin, de 33 anos, em 17 de outubro. Isolador naval em Navegantes (SC), ele foi assassinado a facadas por um grupo de dez homens na cidade, que fica a 112 km de Florianópolis. Relatos da esposa da vítima, os insultos aos imigrantes, inclusive os mandando de volta aos seus países, são constantes na cidade.

Para o professor Leonardo Cavalcanti, no entanto, destratar um imigrante ao extremo da violência física vai além de uma ação xenófoba. “Isso tem mais a ver com racismo e classismo, uma vez que não estão atacando europeus ou americanos”, compara.

No Estudo, foram analisados números de bancos de dados nacionais, como o Sistema Nacional de Cadastramento de Registros e Migração Regular, da Polícia Federal; do Conselho Nacional de Imigração e da Relação Anual de Informações Sociais, do Ministério do Trabalho e Previdência Social. (Colaborou Guilherme Pereira)





Força imigrante

Os imigrantes que trabalham no Brasil são principalmente homens (81% do total) com entre 20 e 49 anos e com nível de ensino médio ou superior

Contratações crescentes:
2010    69.015
2014    155.982

De onde eles vem:
Haiti    17.577
Senegal    2.830
Argentina    1.802
Gana    1.198
Paraguai    1.169
Portugal    1.034

Para onde eles vão:
Santa Catarina    26%
Paraná    19%
Rio Grande do Sul    18%
São Paulo    12%
Rio de Janeiro    6%
Mato Grosso    3%
Mato Grosso do Sul    2%
Ceará    2%
Amazonas    1%
Rondônia    1%

Média salarial
R$ 1 mil

Fonte: Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra)

publicidade

publicidade