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Arranjos produtivos locais

Cursos técnicos ampliam as possibilidades de emprego

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postado em 13/11/2015 12:58

Portal MEC

Maria do Perpétuo Socorro trabalhava como cobradora de ônibus quando seu pai sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). Ela deixou o emprego para cuidar dele. Após a morte do pai, Socorro sentiu-se sem rumo e entrou em depressão. Buscou uma saída com o curso de técnico em química do Instituto Federal de Educação, ciência e Tecnologia de Brasília, enquanto trabalhava na área de serviços gerais.

 

Aos 43 anos, ela enfrentou dificuldades de adaptação às salas de aula e ao método de ensino, sofreu nova perda com a morte da mãe, mas não desistiu. Contou com o apoio dos professores do campus Gama do instituto e seguiu em frente. Concluiu a formação depois de dois anos.

 

A oportunidade veio na forma de estágio em uma multinacional. Acabou empregada. Atualmente, seu salário de técnica em química é o triplo do que recebia na época de cobradora. “Foi uma mudança financeira, mas também social”, explica Socorro. “Antes, tinha um trabalho para sobreviver; hoje, tenho uma profissão.” Ela avalia que todas as perdas em sua vida tiveram de acontecer para que voltasse a estudar e progredir.

 

Interação – Os institutos federais, que fazem parte da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, desenvolvem as ações ligadas à educação profissional e tecnológica do Ministério da Educação, alinhadas com as necessidades dos arranjos produtivos locais (APL). Essa interação facilita a inserção no mercado de trabalho dos brasileiros, prepara mão de obra qualificada para atender às demandas dos empreendimentos e ainda estimula a interiorização da formação técnica.

 

O MEC realiza estudos para identificar as necessidades dos setores produtivos antes de abrir os campos tecnológicos. Dessa forma, procura atender às demandas dos APL, formados por grupos de empresas localizadas em um mesmo território, com especialização produtiva e vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e atores locais, como governo, associações empresariais e instituições de ensino e pesquisa.

 

A formação técnica cabe à Rede Federal, no âmbito do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Em 2015, mais de 700 mil alunos foram matriculados. O modelo é prioridade na política nacional de educação desde 2008, com a criação de 38 institutos federais.

 

Empregabilidade – As ações do governo federal nos arranjos produtivos locais envolvem cerca de 15 ministérios. No MEC, a iniciativa está ligada à Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec). São 562 unidades em todo país, com cursos de formação nos mais diversos segmentos, que atendem 433 microrregiões.

 

O secretário de educação profissional e tecnológica, Marcelo Feres, acredita no impacto sobre a colocação no mercado dos alunos que passam pelos cursos da Rede Federal. “Há uma relação de alta empregabilidade no âmbito da formação profissional e tecnológica”, afirma.

 

Feres explica que esse funcionamento mudou a lógica anterior de abertura de cursos, que levava em consideração apenas a oferta. “Primeiro é necessário identificar para onde está se direcionando a vocação de cada região do país para que posteriormente se estabeleçam os cursos”, explica. Esse processo de formação requer diálogo entre as instituições de ensino e o mundo do trabalho. Segundo Feres, o Pronatec deu um grande passo nessa direção. “E os resultados começam a aparecer.”

 

Feres salienta que o modelo integrado facilita o aproveitamento da mão de obra e contribui para interiorizar e ampliar as oportunidades educacionais para os jovens, trabalhadores e beneficiários de programas de transferência de renda.

A formação abrange os mais diversos segmentos. Vai desde cursos para atividades na produção de vinho no sul do país e em Petrolina, no sertão pernambucano, passam por eletromecânica e mecânica automotiva. Incluem ainda formação destinada a associações de catadores de materiais recicláveis, pescadores e ribeirinhos.

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