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Brasiliense de 17 anos lança aventura épica

Interesse pela leitura e escrita começou aos 14 anos e se tornou uma paixão. Inspirada em grandes autores brasileiros e estrangeiros, Kin Modesto quer despertar em outros jovens curiosidade sobre o mundo, semelhante à que sentiu quando lia

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postado em 29/07/2016 19:43 / atualizado em 29/07/2016 21:11

Vinícius Santa Rosa / Divulgação
 

Kin Modesto, 17 anos, acaba de estrear no mercado editorial com o livro Seis flores. A narrativa é sobre seis famílias que vivem em três países fictícios: Bloemen, Inari e Priska. Cada clã domina um setor específico da economia mundial e possui uma flor que o representa. Eles entram em conflito quando um dos grupos quer ter o poder completo, alterando o equilíbrio. No segundo semestre de 2016, Kin começará o curso de direito na Universidade de Brasília (UnB), ela terminou o ensino médio em 2015 no colégio Galois.

 

A intenção, segundo a autora, foi recriar temas sociais em um contexto surreal. Kin conta que se sentiu valorizada ao ver a obra publicada. “Fiquei instigada a escrever mais e mais, é muito bom ver o seu trabalho reconhecido e fico imaginando que talvez ele mude a mente das outras pessoas”, conta.

A jovem lembra que, na infância, tinha mais afinidade com as ciências exatas que com as humanas, mas isso mudou depois da ajuda do professor Pedro Galas, de literatura, no oitavo ano do ensino fundamental. “Mudei de colégio e, na nova escola, tive um professor de literatura que nos incentivava muito. Ele fazia perguntas de cunho filosófico e estimulava o debate entre os alunos. Nos inquiria, por exemplo, sobre por que estávamos sentados ali, porque obedecemos as leis. Isso instigou em mim a curiosidade de entender melhor o mundo que me cerca”, lembra.

 

Aos 14 anos a adolescente começou a gostar de histórias mais realistas e de exercitar a criatividade. “Depois de cada livro, eu me inspirava e inventava minha própria história, daí veio a ideia de escrever. Contei aos meus pais e eles me deram muita força. Diziam que bastava eu tentar para conseguir ser uma boa autora.”

A família também foi muito importante durante o processo de construção da história. “ Meu avô me ajudou bastante na revisão do enredo e minha irmã teve um papel muito importante: quando meus pais acharam que eu estava me concentrando demais no livro e isso me atrapalharia na escola, ela conversou com eles sobre como essa experiência seria boa para mim e eles permitiram que eu continuasse escrevendo", afirma.

 

Editora Barauna / Reprodução
A jovem leu alguns clássicos da filosofia, como O príncipe (Nicolau Maquiavél) e O discurso do método (Descartes). “Ao mesmo tempo em que eu me interessei pelas ideias transmitidas nesses livros, também os achei entediantes. Por isso decidi escrever algo que tenha mais a cara dos jovens, mas que mantenha o debate social”, argumenta.

 

Três grandes títulos da literatura contemporânea serviram de modelo para a garota: 1984 (George Orwell), Admirável mundo novo (Aldous Huxley), e Ensaio sobre a cegueira (José Saramago). “Esses livros despertam uma reflexão a respeito da realidade, e eu queria escrever algo que levasse o mesmo sentimento ao leitor”, explica. Entre os autores, as maiores influências de Kin são Machado de Assis e o britânico Ken Follett. A brasiliense admite não ser a melhor aluna nas aulas de português, mas afirma que está sempre em busca de melhorar.

Segundo a professora Camila Osiro, que deu aulas de literatura para Kin desde o primeiro ano, a menina tem futuro como escritora. “Eu só conhecia poesias escritas pela Kin e já via bastante potencial. Dava algumas dicas, fazia sugestões, ao longo do tempo a escrita dela amadureceu bastante, chegou a um nível bem elevado para a idade dela. Foi quando a Kin me disse que estava escrevendo um livro e me mandou o esboço, eu gostei bastante. É uma obra dinâmica e de fácil leitura”, argumenta Camila.

O caminho para o sucesso
Encontrar uma editora pode ser uma tarefa complicada, mas Kin conseguiu a façanha em apenas dois dias. “Uma amiga do colégio, Beatriz Kono, também estava escrevendo um livro e tinha entrado em contato com a editora. Foi ela quem me indicou, mandei o manuscrito e obtive a resposta”, diz.

Na divulgação, Kin contou com o auxílio da professora Camila que montou um clube de leitura e fez um debate no qual Kin era a convidada para falar sobre Seis flores.

Críticas e perspectivas para o futuro

O livro de Kin está à venda desde junho e, nesse meio tempo, ela recebeu alguns comentários de leitores. “Muitas pessoas acharam parecido com Game of Thrones. Também me disseram que pensaram que seria algo mais romântico por causa da capa, mas se impressionam com a escrita. Tentei colocar tudo de uma forma delicada, até mesmo quando queria falar sobre eventos mais sombrios. Elogiaram também a linguagem que usei, disseram que está bem madura para uma adolescente como eu, mas não torna a leitura cansativa”, comemora.

A jovem conta que pretende continuar escrevendo e que Seis flores é o primeiro de uma série, mas pensa na carreira de escritora como um hobbie, apenas.

Inspirações
1984 — Autor: George Orwell, editora: Companhia Das Letras, páginas: 416, preço: R$ 49,90.

Admirável mundo novo — Autor: Aldous Huxley, editora: Bibloteca Azul, páginas: 312, preço: R$39,90.

Ensaio sobre a cegueira — Autor: José Saramago, editora: Companhia das Letras, páginas: 312, preço: R$ 52,90.

 

Clique aqui para comprar o livro no site da editora Barauna. 

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