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Publicação da Unesco conclui que educação avança a passos lentos

Segundo o Relatório de Monitoramento Global da Educação 2016, lançado nesta terça-feira (6), metas como a universalidade da educação primária, do primeiro nível da educação secundária e do segundo nível só serão atingidas em 2042, 2059 e 2084, respectivamente, caso sejam seguidas as tendências atuais

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postado em 06/09/2016 16:37 / atualizado em 06/09/2016 17:58

Jéssica Gotlib /Especial para o Correio

 A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lançou nesta terça-feira (6) o Relatório de Monitoramento Global da Educação 2016 (GEM, na sigla em inglês), primeiro de uma série de 15 anos. O documento faz uma avaliação dos avanços e dificuldades do setor até 2015 e aponta caminhos para que sejam cumpridos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), traçados pela Agenda de Desenvolvimento das Nações Unidas até 2030.

O levantamento expôs dados importantes, sobretudo em relação à educação básica. Um dos principais entraves nesse sentido, é o investimento no setor. O relatório aponta que os recursos para a área são US$ 600 milhões entre 2013 e 2014. “É preciso fazer um monitoramento dos gastos: quanto famílias, poder público e doadores estão investindo e de que forma o recurso é aplicado”, afirmou a pesquisadora do GEM/Unesco de Paris Nihan Blanchy-Koseleci. De acordo com o documento, mantendo-se as perspectivas atuais de investimento, a universalidade da educação primária só ocorrerá em 2042, da primeira etapa da secundária em 2059, e da segunda etapa em 2084.

“É importante manter a educação básica com financiamento para que sejam atraídos bons professores e que eles se mantenham motivados a dar boas aulas aos filhos das classes mais vulneráveis. Assim, poderemos garantir avanços em grandes problemas da sociedade”, complementa.

Sustentabilidade e currículo para a vida


O título do relatório Educação para as pessoas e o planeta: criar futuros sustentáveis para todos evidencia a preocupação com a questão ambiental. Segundo Nihan Blanchy-Koseleci, é preciso que as escolas tenham uma visão universal do indivíduo, preparando-o também para a vida fora das escolas e para o consumo consciente. “É preciso que os currículos tenham temas voltados à sustentabilidade e, também, que a educação seja vista para além das carteiras escolares, na comunidade e no trabalho”, explica.

Outro ponto destacado pela pesquisadora é que a maioria dos sistemas de ensino pelo mundo não contempla uma formação profissional adequada, especialmente o ensino médio e técnico. “Até 2020, só 40% das pessoas terão uma boa formação terciaria. Isso impacta em outras questões como a empregabilidade e a desigualdade. Se, por exemplo, as mulheres da África Subsaariana tivesse um ensino médio universal completo, cerca de 3,5 milhões de mortes por desnutrição seriam evitadas”, enfatiza.

Este ponto é um dos principais desafios dos países em desenvolvimento, sobretudo os latino-americanos, como explicou Cecília Barbieri, especialista sênior em educação do Escritório Regional da Unesco para América Latina e Caribe. As cidades de Curitiba e Medellin (Colômbia) foram destaques na região em relação à educação para a sustentabilidade. “Colômbia, Jamaíca e Cuba conseguiram aumentar a qualidade de vida com uma pegada ecológica pequena. Em Cuba, por exemplo, a pesquisa nas instituições de ensino foi usada para desenvolver políticas de sustentabilidade”, explica. Ela ressalta ainda que Medellin conseguiu sair do estigma de metrópole violenta para cidade verde, aliando diversos campos.

Brasil

Comentando especificamente os dados brasileiros, a presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini, reafirmou a importância da articulação entre as entidades que produzem os dados, os órgãos responsáveis pela formulação do currículo e as organizações que lutam pelo direito à educação. “O monitoramento está alinhado ao que estabelece o PNE (Plano Nacional de Educação). Precisamos, agora, ouvir o anseio dos jovens que rejeitam o modelo de ensino médio que está posto no Brasil e mudar a arquitetura dele para que a escola seja uma parceira na vida dos estudantes”, enfatizou.

Apresentação

Participaram da mesa de apresentação do relatório: Heleno Araújo, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE); Maria Helena Guimarães Castro, secretária-executiva do MEC; Gilberto Gonçalves Garcia, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE); José Mendonça Filho, ministro da Educação; Marlova Noleto, diretora da Área Programática da Unesco no Brasil; Niky Fabiaucic, coordenadora residente da ONU no Brasil; Antonio Noto, representante do Carsed; e Maria Virgínia Morais Garcia, da secretaria de Educação de Itaúna (MG), representando a Undime.

Um pequeno constrangimento ocorreu na abertura da mesa quando, ao ser anunciado, Heleno Araújo, da CNTE, exclamou “para garantir o direito à educação, fora golpistas”. Ele foi aplaudido por alguns presentes, mas o clima não se estendeu ao longo do evento, mesmo com a presença do ministro da Educação, Mendonça Filho.

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