Exposição conta histórias de usuários do metrô

Os 30 painéis estão distribuídos pelas galerias da Estações Central, do Guará e de Ceilândia Centro

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postado em 25/02/2017 14:48 / atualizado em 25/02/2017 19:03

Três meses de viagens pelos trens do metrô para conhecer um pouco mais de algumas das 170 mil pessoas que utilizam o serviço diariamente no Distrito Federal. O resultado é a exposição Sobre idas e vindas, com textos de Marcelo Abreu e fotos de Paulo Barros, em cartaz nas galerias das Estações Central, Guará e Ceilândia Centro.


Segundo os organizadores, a essência da mostra é compartilhar histórias anônimas de quem justifica a existência do Metrô-DF. Para isso, a equipe embarcou nos 24 trens, em momentos e itinerários diferentes, garimpando sonhos e experiências de vida escondidos nos embarques e desembarques apressados do transporte público. Os depoimentos e fotografias também estão disponíveis no site.

 

Daniela Maia

 

A caminho da casa da mãe, no Guará, a moradora da Asa Norte Silma Pereira, 63 anos, se encantou com o relato do casal José Donizete de Oliveira e Vera Regina, ambos com deficiência visual. A aposentada pelo Banco do Brasil foi voluntária por dois anos no Centro de Ensino Especial nº 2, na 612 Sul, como ledora para cegos. “Conheço bem a luta, o preconceito. Nesse caso, temos duas pessoas que tiveram oportunidade, mas isso é raro”, comenta. “A maioria dos meninos que conheci na escola vinham do interior, moravam com parentes tão pobres quanto eles e tinham uma vida muito difícil”, recorda. “São eles que não veem, mas também são eles que são invisíveis aos outros, o preconceito é algo muito triste.”

 

Curiosamente, Silma também teve problemas de visão. Em 1987, fez uma cirurgia corretiva de miopia, mas voltou a ter dificuldades de enxergar em 2013 e precisou fazer um transplante de córnea em 2015. “Parei de dirigir, foi um transtorno por uns dois anos, imagina como é viver sempre sem conseguir enxergar”, reflete a goiana de Ceres, que mora no Distrito Federal desde 1960.

 

Daniela Maia

 

Morador de Samambaia há um ano, Adalberto Soares, 50 anos, aproveitou o sábado para visitar amigos em Planaltina. No caminho, parou para ver a história de José Antônio. “Achei legal porque a história dele é parecida com a minha e de muitas outras pessoas. Assim como eu, ele veio do Nordeste em busca de uma vida melhor e morou em Ceilândia, onde fiquei por 15 anos”, compara o migrante de Pombal (PB) que chegou ao Distrito Federal em 1990 para trabalhar como garçom e, hoje, exerce a atividade no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “A comunidade do Nordeste aqui no DF é muito grande, principalmente em Ceilândia. Achei legal a homenagem”, elogia.

 

Daniela Maia

 

De passagem pela Estação Central, a caminho de exposições no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e na Caixa Cultural para um trabalho de escola, a estudante do 3º ano do ensino médio do Colégio Elefante Branco Vitória Lyssa, 17 anos, se emocionou com as histórias de superação relatadas. “Achei bacana ver a experiência das pessoas, a luta do brasileiro, a questão de muitos virem para Brasília tentar uma vida melhor, apesar de nem todos conseguirem”, comenta a moradora de Taguatinga Sul. “Eu me identifico com a parte de acordar cedo e correr atrás de um futuro melhor. É cansativo, mas necessário”, relata a estudante que sonha em cursar medicina veterinária da Universidade de Brasília (UnB). “Tenho certeza que vou conseguir”, afirma, determinada.

 

Serviço: Exposição Sobre idas e vindas

Locais: Estações Central (Rodoviária do Plano Piloto), Guará e Ceilândia Centro

Textos: Marcelo Abreu

Fotos: Paulo Barros

Realização: Assessoria de Comunicação do Metrô-DF