Trilhas da Educação

Cidadania, autonomia e solidariedade ganham espaço nas aulas

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postado em 07/04/2017 21:07

A educadora Cleide Mara Della Torres quer formar cidadãos do futuro. Professora de matemática da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo há 30 anos e desde 2012 diretora da escola estadual Educador Pedro Cia, em Santo André (SP), ela desenvolveu uma metodologia específica e diferenciada das praticadas em outras escolas. Na unidade educacional, o incentivo à autonomia e à cidadania é valorizado por todos.

 

No primeiro ano do ensino médio, o aluno desenvolve um projeto de vida sobre qual profissão pretende exercer. No segundo ano, ele inicia uma espécie de dossiê de como vai concretizar o que projetou. Já no terceiro, tem preparação acadêmica e para o mundo do trabalho. “Eu diria que 5%, 10% não querem, a priori, ir para a universidade”, avalia Cleide. “Então, o aluno precisa saber como chegar ao trabalho, que vai passar por uma entrevista, por um processo seletivo e assim por diante.”

 

A diretora cumprimenta diariamente, um a um, os 560 alunos que estudam em ensino integral, e acredita que é preciso formar o jovem como um cidadão pleno, conhecedor não só de história, geografia ou matemática. “Junto a isso você tem que ensiná-lo a ser solidário, competente, autônomo para que ele possa vencer”, explica. “Acho que o século 21 quer do homem exatamente isso: alguém que possa ajudar o próximo, buscar soluções para os seus problemas e isso a gente consegue fazer aqui”.

 

O resultado desse trabalho é a enorme fila de espera por uma vaga na instituição que ela dirige. A escola Pedro Cia está inserida de tal forma na comunidade e na vida das pessoas que, desde 2012, não sofre com vandalismo ou depredação. É uma unidade educacional todos zelam pelo que é de todos.

 

Participação

O envolvimento da comunidade escolar possibilitou colocar em prática outra ideia de Cleide: o conselho participativo. As notas dos alunos são organizadas em um mapa conceitual que é entregue aos líderes de cada classe, eleitos pelos colegas. Os líderes fazem estudo e gráfico do rendimento por disciplina da classe, a fim de apresentar ações para melhorar as avaliações bimestrais. “Com isso, todos eles estudam e eu consigo fazer um ensino mais aprofundado. O aluno busca a solução do problema dele”, conclui a diretora.

 

Cleide teve uma outra ideia para que os estudantes pudessem conhecer um pouco mais sobre alguma determinada área: criou os clubinhos. São grupos de alunos que se reúnem por afinidades, como violão, matemática, teatro e solidariedade. No fim do período letivo, os estudantes devem prestar contas dos planos de ações que elaboraram. “Tem o clube do voluntariado, que acaba ajudando e fazendo ações sociais de dentro para fora da escola”, exemplifica.

 

Solidária e engajada, como cada aluno que formou, a educadora vai aposentar neste ano, mas pretende continuar na ativa. Seus planos, agora, são fazer o curso de direito e atuar na área de família.

 

 

 

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