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Correio Braziliense

Autistas reivindicam mais inclusão nas escolas

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postado em 04/05/2017 19:51

O estudante autista Wander Gonçalves da Silva Júnior disse nesta quinta-feira (4), na Câmara, que o Ministério da Educação não está preparado para realizar provas adequadas para pessoas com o transtorno. Silva Júnior participou de debate realizado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência para discutir os problemas enfrentados pelos autistas nas escolas.

 

O autismo é um transtorno global do desenvolvimento que se caracteriza pelo comprometimento na socialização, nas habilidades de comunicação e no comportamento social. Os transtornos do espectro autista se manifestam em uma a cada 68 crianças.

 

"O MEC trata o transtorno do espectro autista como se ele não existisse", disse o estudante, ao explicar que a lei assegura uma prova em formato pedagógico acessível, que se baseie no diagnóstico médico do estudante, para que assim seja feita uma avaliação adequada à sua condição biológica e à sua condição de fala na correção da redação. "Nem na prova objetiva, nem na prova dissertativa há respeito à legislação vigente", criticou Silva Júnior.

 

A diretora de políticas de educação especial do MEC, Patrícia Neves Raposo, reconheceu que no caso dos autistas ainda há muito a ser feito, mas garantiu que o ministério tem trabalhado na inclusão de cada vez mais pessoas com deficiência no ensino regular. "Temos hoje um maior quantitativo de alunos do espectro autista incluídos em classes comuns do ensino regular com atendimento educacional especializado e com o apoio de programas e ações do Ministério da Educação", afirmou.

 

Formação de professores
Por sua vez, a diretora de Ensino do Movimento Orgulho Autista do Brasil, Viviani Guimarães, lamentou que muitas vezes os alunos vão para as escolas, mas por falta de formação dos professores e de estrutura da escola, não participam das atividades da turma.

 

A deputada Carmen Zanotto (PPS-SC) afirmou que a comissão vai enviar um pedido de esclarecimento ao MEC para apurar se as mudanças previstas na lei estão sendo implementadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e nas escolas. "Nós temos legislações avançadas neste tema, mas ainda não temos a garantia para que os familiares das pessoas com autismo tenham o direito de escolher uma escola regular para seus filhos frequentarem ou até mesmo a universidade, a partir dos programas do governo federal."

 

 

Agência Câmara