Trilhas da Educação

Projeto premia estudantes que leem mais livros no Tocantins

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postado em 21/07/2017 20:40

Em Palmas (TO), um projeto mudou a rotina de alunos e professores do Centro de Ensino Médio Castro Alves. A iniciativa, batizada de Talentos da Leitura, premia estudantes a cada semestre, conforme os livros lidos e comentados por eles. Com o incentivo à leitura, outras atividades foram integradas à rotina dos alunos, que trouxeram a comunidade para dentro da escola.

 

Uma das idealizadoras do projeto, a diretora da escola, Maria do Carmo, explica que a ideia surgiu quando ela e a coordenadora Maria do Socorro Zacarias perceberam que a biblioteca era um território pouco explorado pelos alunos da escola. “Como os jovens do ensino médio têm uma biblioteca ao seu dispor e esse recurso pedagógico não tem incentivo para que os alunos acessem? ”, questiona. “A partir dessa observação, pensamos em desenvolver um projeto específico, que viesse ao encontro dessa necessidade. Então, surgiu a ideia do Talentos da Leitura. ”

 

Ela lembra que um dos pontos mais importantes da proposta é motivar o trabalho conjunto em sala de aula, unindo conteúdo, aprendizado e lazer. “São livros que estão realmente dentro do planejamento do professor? Quais os tipos de livros que são mais lidos? A cada bimestre, as pontuações (dos estudantes) são repassadas para os professores para saber como é que está aquele aluno, qual foi o desenvolvimento dele, se essa leitura está realmente refletindo no aprendizado”, conta.

Aqueles que se destacam, seja por lerem o maior número de exemplares ou pela melhor exploração do conteúdo, são reconhecidos pelo grupo. A escola manda confeccionar medalhas, além de contar com doações de kits com cadernos e canetas, por exemplo. Com tudo em mãos, os alunos são reunidos uma cerimônia de premiação realizada no pátio da instituição ou em sala de aula.

 

Rádio

Logo que o projeto teve início, conta Maria do Carmo, foi possível perceber melhorias no desempenho dos alunos. Ao se dedicarem mais à leitura, eles passaram a demonstrar evolução na escrita, no raciocínio e na interpretação de texto. Entusiasmado, o grupo envolvido acabou por desenvolver uma série de iniciativas positivas, como a rádio escolar.

 

“Pela pesquisa que fizemos na escola, 90% dos nossos alunos e funcionários têm um livro velho em casa”, situa a diretora. “Por meio desse projeto, nós incentivamos a doação de um livro para a escola. Nós já fizemos dois sebos e vendemos os livros a R$ 2 cada. Colocamos o recurso que obtivemos na conta da escola e nós compramos os equipamentos e montamos a rádio escolar”.

 

Comunidade

Com a ampliação das atividades extracurriculares, Maria do Carmo relata que, mesmo diante de recursos limitados, foi possível ultrapassar os muros da escola e abrir a biblioteca também para um público maior. “Buscamos o incentivo da leitura não só para os nossos alunos, mas para as pessoas da comunidade. Nós fazemos a ficha de inscrição para que, por meio delas, outras pessoas possam continuar lendo com os recursos da biblioteca escolar do Centro Castro Alves. ”

 

Para a diretora, a experiência tem mostrado que a ideia pode servir de ponto de partida também para outras instituições de ensino, desde que com o apoio dos alunos, da comunidade e do acompanhamento da escola: “Eu acredito que, assim como no Centro Castro Alves está dando certo, pode dar certo em qualquer outra escola. O que é preciso é a gente fazer acontecer o processo escolar junto aos alunos”.

 

A mais recente conquista do grupo é a compra de um computador para a biblioteca e de equipamentos para a rádio. Tudo foi adquirido com a verba arrecadada a partir da organização de sebos de livros e demais eventos na escola. O próximo passo é investir em uma ferramenta que tem sido bastante reivindicada pelos alunos: internet em parte do prédio da escola.