Concurso de Astronomia

Estudantes do DF conquistam Concurso Nacional de Astronomia

Em busca de um futuro como astrônomo ou por hobby, participantes se encantaram com a competição. Aluna de Ceilândia é destaque

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postado em 11/12/2017 19:19 / atualizado em 11/12/2017 20:12

Três alunos de escolas do Distrito Federal venceram o Concurso de Astronomia para Estudantes 2017, promovido anualmente pelo Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), em parceria com a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). Eles receberam o desafio de escolher um objeto astronômico a ser fotografado por telescópio e justificar a escolha com base no interesse científico e no apelo visual.

Concorrendo na categoria ensino fundamental II, Sara Yasmin, 16 anos, aluna do Centro de Ensino Médio 09 de Ceilândia, conquistou o primeiro lugar com a ETA Carinae, um sistema binário estelar. Na categoria ensino médio, os premiados foram Laura Melo e Miguel Dias, alunos do Centro Educacional Sigma, cuja opção foi a Nebulosa da Águia, um aglomerado estelar aberto localizado na constelação de Serpente.

  
Colecionadora de conhecimento e medalhas

As conquistas de Sara, que está apenas no 9º ano do ensino fundamental, são grandiosas. Com essa premiação, a jovem acumula 13 medalhas em diferentes competições de conhecimento. São seis medalhas e uma menção honrosa em matemática, três em astronomia e mais quatro em robótica. O gosto pelo estudo dos astros e do universo, no entanto, é recente. “Quando eu era pequena, não tinha muito interesse por astronomia, mas, ao entrar no 6º ano do ensino fundamental, conheci um projeto de olimpíada no CEM 9 e a OBA. Fui estudando pra essa olimpíada e nasceu minha paixão.”
Laboratório Nacional de Astrofísica
 

O objeto de estudo da aluna, formado por duas estrelas (a ETA A, extremamente grande, e a ETA B, muito massiva), o objeto de estudo da aluna, sob a coordenação da professora Alessandra Lisboa, promete trazer significativas contribuições para a comunidade científica. “Ela é muito grande e estrelas desse tamanho explodiram no início do universo e, mesmo assim, esse astro ainda existe.”

Para a estudante, a relevância se dá em vários aspectos. “A ETA traz muitas perguntas, mas pode trazer bastante respostas no meio astronômico e científico.. É uma fotografia que, melhor estudada, pode ajudar a entender como o universo foi criado”.

Sara quer continuar se dedicando ao tema, não apenas para o ensino médio que se aproxima, mas como futura profissão. “Eu pretendo ser astrônoma. Em Brasília, não se oferece essa graduação. Terei que ir para outro estado”, diz. A jovem não se furta a fazer críticas à negligência com o ensino da ciência. “Poderia ter mais incentivo nessa área, porque na escola não temos astronomia. Estudamos em geografia, o que não faz muito sentido. Deveria ser uma matéria própria, porque é muito bela e que ensina muita coisa.”


Astronomia é sucesso entre a garotada

Foi voltando de viagem que Laura Melo, 16, descobriu o feito alcançado junto ao colega Miguel, vencedores nacionais na categoria Ensino Médio. “Fui à escola, justamente para conversar com o professor de física sobre os resultados e o garoto que ficou em terceiro veio me contar, fiquei muito feliz.” Desde pequena imersa na astronomia de alguma forma - o primo trabalha na área e contava muito para ela quando criança -, o interesse cresceu com o incentivo do professor de física.
 
Laboratório Nacional de Astrofísica
 
A atuação na área, contudo, não promete necessariamente se converter em algo mais sólido no futuro, afirma Laura. “É mais como um hobby, na verdade. Gosto mais da área de economia que, por sinal, é muito diferente. Mas vou procurar estudar mais sobre isso, fazer mais concursos, achei muito divertido”, ressalta.

O apoio do professor é referenciado pela estudante. Sempre incentivando, participativo e disposto a tirar dúvidas dos alunos, Daniel Peters revela como se deu o incentivo aos alunos. “Tivemos uma aula de apresentação de como é o concurso e mais três encontros para ajudar os meninos. O regulamento é pesado, principalmente para os alunos do ensino fundamental II.”

Para o professor, o grande desafio é a exigência dada aos jovens de defenderem o porquê o seu objeto deveria ser fotografado. “O desafio é do aluno de convencer o cientista que aquele astro é importante ele tirar a fotografia.”

O sucesso com o ensino de astronomia na escola vai, aos poucos, ganhando o coração dos estudantes e despertando eles para a importância do tema. “Aos poucos a gente vai introduzir esse novo tema nas escolas. Quando a gente fala com os meninos é sensacional. Dá uma liberdade muito grande em relação à pesquisa. Ele pode pesquisar astros, naves espaciais, foguetes”, acrescenta o físico.

* Estagiário sob supervisão de Jairo Macedo.