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Dicas de português

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postado em 03/01/2012 08:00 / atualizado em 02/01/2013 12:18

Recado

“O sim é a distração do não.”

Vinicius de Moraes



Espada de Dâmocles sobre  reforma ortográfica (3)

Pum! A espada caiu sobre a cabeça da reforma ortográfica. Na sexta-feira, o Diário Oficial da União publicou o decreto da presidente Dilma Rousseff. A obrigatoriedade de adotar as mudanças impostas pelo acordo de 1990 ganhou um tempo. Em vez de entrar em vigor em 1º de janeiro de 2013, passará a viger em 1º de janeiro de 2016.
Cá entre nós. A reforma pegou. Jornais, revistas, dicionários, gramáticas, livros didáticos a adotaram. Adiar pra quê? A coluna vem revisando as alterações. Alfabeto, trema, travessão e acentos já estão dominados. Chegou a vez dos hifens. Vamos lá?


Não sofreram mudanças
Palavras compostas de dois vocábulos soltos: arco-íris, beija-flor, decreto-lei, boa-fé, má-fé, amor-perfeito, médico-cirurgião, segunda-feira, guarda-noturno, guarda-chuva, mato-grossense, norte-americano, sul-americano, finca-pé, conta-gotas, alto-falante, marrom-glacê, pão-duro, amarelo-limão, azul-turquesa, euro-americano, porta-retratos, para-brisa, para-choque, porta-retrato.
Exceções: paraquedas, paraquedista, paraquedismo,
à toa, tão somente


Curiosidade
Formas soltas são as que existem independentemente de composição. É o caso de mesa, cadeira, vira, arco. Formas presas precisam se juntar a outras – como os prefixos e os sufixos.



Prefixos
Há prefixos que não se misturam. Usam-se sempre com hífen. Aquém, ex, pré, recém, sem, vice, soto, vizo servem de exemplo: além-mar, aquém-muros, pós-graduação, pré-primário, pró-reitor, recém-chegado, sem-terra, vice-presidente, soto-mestre, vizo-rei.


Curiosidade

Pré, pró, bem, mal são prefixos traiçoeiros. Deixe a preguiça pra lá. Consulte o dicionário sempre.

O que mudou?
Três ou mais

Composição com três palavras ou mais ligadas por preposição, conjunção, pronome perderam o hífen. É o caso de pé de moleque, tomara que caia, dia a dia, faz de conta, joão sem braço, mão de obra, mula sem cabeça, maria vai com as outras, dor de cotovelo, bicho de sete cabeças.
Exceções: água-de-colônia, pé-de-meia, arco-da-velha,
cor-de-rosa.


Olho vivo!

João-de-barro, bicho-de-pé, canário-da-índia, castanha-do-pará, bem-te-vi, bem-me-quer, ipê-do-cerrado, porco-da-índia, canário-da-terra, cana-de-açúcar, pimenta-do-reino mantêm o acento. Por quê? Eles pertencem aos reinos animal ou vegetal. Foram poupados pela tesoura reformista.



Prefixos: três regras de ouro
1. O h, majestoso, não se mistura. Exige hífen pra ficar um lá e outro cá: anti-higiênico, super-homem, pré-homérico, micro-história.
2. Os iguais se rejeitam. Duas letras iguais dão curto-circuito. Melhor separá-las: contra-ataque, micro-ondas, super-região, anti-imperialismo, auto-orientação.
3. Os diferentes se atraem. Letras diferentes funcionam como ímã. Colam-se: autoescola, supermercado, minissaia, contrarregra, antieconômico.


Curiosidade
Co – e re- têm alergia ao hífen. Com eles é tudo colado: cooperação, coautor, coerdeiro, corresponsável, corréu, reeleição, reedição, readmissão.


Pronúncia
Pra manter a pronúncia, às vezes precisamos dobrar o r ou o s. Assim: contrarregra, corréu, corresponsável, minirrevista, microssistema.


Leitor pergunta

Li a seguinte frase de Nietzsche: “É preciso ter em mente que nenhum de nossos atos se perdem no esquecimento, ao contrário, ecoam na eternidade através de suas consequências e do exemplo que imprimem nos corações e mentes”.
Chamou-me a atenção o fato de que o verbo “perdem” se encontra no plural, juntamente com “ecoam” e “imprimem”.
Está correto?
Geni Silva, BH

São as traduções malfeitas, não? Você tem razão ao corrigir a concordância verbal. Nenhum, seguido de nome ou pronome no plural, exige o verbo no singular: Nenhum dos candidatos alcançou a nota mínima. Nenhum de nós viajou neste fim de semana. Nenhum das cantoras compareceu ao espetáculo.
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