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Quem conta um conto...

Causos da nossa terra

Como surgiu a tradição popular da Região Centro-Oeste

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postado em 18/08/2012 12:00 / atualizado em 18/08/2012 12:21

Especial para o Correio

Ana Paula Corradini

Como diz o ditado, “Quem conta um conto... aumenta um ponto!” — e isso vale não apenas para aquela fofoca que a sua mãe ouve no salão de cabeleireiro, mas especialmente para as histórias passadas de geração para geração. Assim nascem esses os causos e mitos, que são uma das maiores heranças da nossa tradição popular. Confira aqui o folclore da Região Centro-Oeste.

 

Julio Lapagesse e Maurenilson Freire/CB/D.A Press


O papagaio e o tamanduá

Havia uma época em que a floresta e os animais eram todos brancos: não existia cor nenhuma! Cansados dessa pasmaceira, os bichos resolveram pedir umas latas de tinta para uma fada, para deixar todo mundo colorido. Acontece que deixaram o papagaio, que não parava de falar um minuto, tomando conta das tintas. Resultado: o tagarela se pintou todo, fez a maior bagunça e acabou com as cores. É por isso que ele é tão coloridão até hoje!

Depois de pintarem a floresta inteira, o papagaio resolveu se vingar dos bichos que lhe deram uma bronca: fez uma flauta de taquara e a levou para o tamanduá tocar. Naquele tempo, o papagaio tinha um bico fininho e, o tamanduá, um focinho curtinho. Pois o coitado do papa-formiga foi tocar a flauta, mas ficou com o nariz preso na flauta. Ao puxar a taquara, ela bateu no papagaio, que acabou ficando com o bico torto, e o focinho do tamanduá saiu fininho.

 

Julio Lapagesse e Maurenilson Freire/CB/D.A Press

A dança dos tangarás

Conta a lenda que tudo estava bem na mata, e os passarinhos eram todos amigos, até aparecer um gato morto de fome.  Até que, um dia, dois beija-flores comilões começaram a discutir por causa de uma aranha escondida em uma flor e, para ver quem ficava com a bichinha, partiram para a briga e rolaram para o chão. O gato engoliu os dois em uma bocada só! Desesperados, os outros beija-flores foram pedir ajuda para os tangarás. Esses passarinhos talentosos, então, começaram a cantar e a dançar de um jeito tão lindo que o felino ficou de queixo caído — e boca aberta — e os beija-flores fugiram.
 

Julio Lapagesse e Maurenilson Freire/CB/D.A Press
 
Os fogos misteriosos

Gaudêncio era o maior fogueteiro de Mato Grosso: não havia quem fabricasse fogos de artifício tão bonitos! Todo mundo adorava seu trabalho, a não ser o coronel Eusébio, que era muito invejoso e orgulhoso, e nunca convidava Gaudêncio para suas festas juninas, que eram as mais animadas da região.

Um belo dia, um empregado do coronel veio convidar Gaudêncio  para uma festa na fazenda. O fogueteiro aceitou e os fogos ficaram lindos. Mas Gaudêncio ficou sabendo que o convite tinha sido uma brincadeira do empregado, e se sentiu humilhado.

Como vingança, ele prometeu soltar fogos todos fins de semana, até o coronel se desculpar. Acontece que nenhum deles deu o braço a torcer e diz a lenda que, mesmo depois da morte dos dois, ainda se ouve os fogos de Gaudêncio e o coronel berrando “CHEGA!” por aí. Será?

Julio Lapagesse e Maurenilson Freire/CB/D.A Press
 
O fantasma do escravo

Havia um barão dono de uma fazenda que era muito malvado com seus escravos. O único que se salvava das chibatadas era José, que o barão usava para seus serviços pessoais, como buscar encomendas. Certo dia, José foi encarregado de uma missão muito especial: buscar um carregamento de ouro! O negócio é que ele foi atacado a caminho da fazenda por bandidos mascarados, que levaram todo o ouro. É claro que o fazendeiro não acreditou na história de José e mandou dar uma surra no coitado. Como se isso não bastasse, condenou o escravo a cortar lenha do nascer ao pôr do sol, todos os dias, por cinco anos, até confessar o crime — que não tinha cometido, é claro. Tudo começou a dar errado na fazenda: os escravos fugiam, os animais também e as colheitas se perdiam. O pior era um barulho de pancada de machado que não acabava nunca. O barão começou a ficar louco: era o fantasma de João! E dizem que a gente ouve o escravo cortando lenha até hoje. Medo!

Julio Lapagesse e Maurenilson Freire/CB/D.A Press
 
O peixe de olhos de fogo

Era uma vez um peixão enorme que morava numa gruta em Bonito, perto do Pantanal. Além de ameaçar a todos lançando faíscas de fogo pelos olhos, ele era superegoísta e não queria dividir o rio com mais ninguém. Assim, os outros peixes foram embora e os pescadores começaram a passar fome — e o pior da história é que o peixe não estava nem aí!

Joãozinho, um pescador valente, foi lá tentar negociar com o peixe gigante. Mas o bichão prendeu o moço na gruta e disse que ele só sairia de lá cozido como um... peixe! Ainda bem que Joãozinho percebeu que o peixão fazia de tudo para não molhar os olhos. Aí, não teve dúvida: jogou bastante água na cara do peixe até apagar seus olhos de fogo! Dizem que os olhos dele se acendem a cada 100 anos e ele volta a atacar. Cuidado!
 
Julio Lapagesse e Maurenilson Freire/CB/D.A Press

O lobisomem

Leila e Harlondino tinham se conhecido à beira do rio e começaram a namorar. Até  o irmão da moça perceber que o moço tinha uma cor amarelada muito suspeita: cor de lobisomem! Ele era mesmo o sétimo filho homem (como todo lobisomem que se preze), mas Leila não acreditou até ser atacada por ele!

Harlondino confessou que era lobisomem mesmo – mas como faria para quebrar o feitiço? Leila foi atrás de um preto velho, o Nhô Jerônimo, que disse que, para curar lobisomice, só mesmo dando uma picada nele com o espinho de uma laranjeira plantada numa sexta-feira à meia-noite, e quando o lobisomem estiver quase virando homem de novo. Que específico, né? Será que deu certo?

 

 

Julio Lapagesse e Maurenilson Freire/CB/D.A Press

O Caipora

Nhô Belisário morava à beira do rio e fazia cestos para vender. Certa vez, recebeu uma encomenda de um balaio bem grandão, e só conseguiu terminar o serviço quando já tinha anoitecido. Ao andar pela mata para entregar o balaião, Nhô Belisário deu de cara com o Caipora, um preto velho andando devagarinho, apoiado a um cajado. Ele está sempre atrás de um pedaço de fumo de corda e, quem não tem, é “encaiporado” e passa a viver bem azarado. Com medo, Nhô Belisário se escondeu dentro do balaio! O Caipora foi embora e o homem foi entregar o cesto. Ufa! Mas aprendeu sua lição: nunca saia para andar na mata à noite sem um pedacinho de fumo de corda para o Caipora. Eu, hein!

 

Julio Lapagesse e Maurenilson Freire/CB/D.A Press
 

 

A filha do pescador

Numa aldeia ribeirinha, vivia um pescador com a mulher e a filha, numa casinha muito pobre. Seu cachorrinho preto, Carvão, sempre vinha fazer festinhas quando o dono chegava da pescaria. No entanto, os peixes começaram a sumir do rio, e a pescaria foi ficando cada vez mais difícil.

Desconsolado, o pescador perguntou para o rio: “Por que você está fazendo isso com a gente?” Mas quem respondeu foi um peixão gigante, e que disse que daria todos os peixes que ele quisesse, mas sob uma condição: o pescador teria que entregar a ele quem viesse primeiro ao seu encontro quando voltasse para casa.

O pescador pensou no cachorrinho e ficou com o coração apertado, mas não poderia deixar a família passar fome. Mas adivinha quem veio receber o homem no fim daquele dia? Sua filha! O peixe cumpriu sua parte do trato e os pescadores não davam mais conta de tanta pescaria boa. Mas o pescador não tinha coragem de entregar a filha, e resolveu deixar por isso mesmo. Os anos foram se passando, o pescador tornou-se rico com tanta fartura.

Um belo dia, o rio ficou tão furioso que transbordou e invadiu a casa do pescador, que acabou contando a verdade para a filha. Para evitar que a aldeia toda fosse destruída, a moça foi morar com o peixe. Será que eles foram felizes para sempre?


Mas, afinal, o que é folclore?

Folclore é o conjunto de tudo aquilo que faz parte da nossa cultura popular. Aí entram as nossas tradições e festas, essas criaturas fantásticas que moram na nossa imaginação, as lendas e mitos, os ditados e versinhos populares, superstições e até piadas. A palavra “folclore” quer dizer isso mesmo: sabedoria popular. Ela vem do inglês folk-lore: folk quer dizer “povo”, e lore, “conhecimento empírico” ou “sabedoria”. Esse termo foi criado pelo inglês William John Thoms (1803-1885) em 1846, na Inglaterra. Ele mandou uma carta para a revista The Atheneum, de Londres, pedindo apoio para fazer um levantamento das lendas e tradições do seu país. O documento com essas informações foi publicado em 22 de agosto e, por isso, essa data foi eleita como o Dia Mundial do Folclore.

 

 

 

 

 

 

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