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Nos bastidores da Torre Digital

Livro conta detalhes sobre a nova obra de Oscar Niemeyer, localizada na Região do Colorado. Em edição bilíngue e recheada de fotos e depoimentos, cita todos os operários envolvidos na construção

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postado em 30/08/2012 08:00 / atualizado em 29/08/2012 10:55

Gizella Rodrigues

O sol amarelado ganha tons de laranja a partir das 17h30. Não demora mais do que meia hora para ceder espaço à Lua, que surge do outro lado no céu. O espetáculo é digno de cartão-postal. Foi esse o cenário escolhido pelo jornalista Silvestre Gorgulho para lançar o livro que homenageia a Torre de TV Digital de Brasília, ponto turístico mais visitado do DF, segundo pesquisa divulgada recentemente. Recebe 3 mil pessoas no sábado e também no domingo, dias de funcionamento.

Ex-secretário de Cultura do Distrito Federal, Gorgulho acompanhou e documentou todo o processo de concepção e construção do monumento e, agora, conta a história nas 239 páginas de A flor do cerrado: Torre de TV Digital de Brasília. A obra, em edição bilíngue e com 7 mil exemplares, sendo 10 deles em braile, será apresentada durante um luau nesta sexta-feira na própria torre, localizada na Região do Colorado.

Para completar o cenário, é noite de Lua cheia. O lançamento começa às 17h. Depois de apreciar a vista e conhecer o novo monumento da capital, os convidados terão, por volta das 19h, um show de bandolins e seresta e ainda a exibição do grupo Noah Dança Aérea, com coreografias de Melissa Patrusco. O evento marca o início da Semana JK-2012, realizada em comemoração ao aniversário do ex-presidente em 12 de setembro.

O livro detalha o processo de construção com documentos, fotos e depoimentos. Cada capítulo é antecedido por frases em homenagem à cidade ou a Oscar Niemeyer, que assina a criação arquitetônica. Clarice Lispector escreveu: “Brasília é pra se adivinhar. E cada um que rale cotovelos, joelhos e alma para tentar decifrá-la e nessa tentativa aprender a amá-la”. O prefácio é escrito por Maria Estela Kubitschek Lopes, filha de JK.

Há tambémo reconhecimento aos 741 operários que ergueram a Torre. O nome de todos eles está escrito em ordem alfabética na guarda do livro (as duas primeiras e as duas últimas páginas). Uma linha do tempo mostra a história de Brasília desde 1751, quando o Marques de Pombal manifestou o interesse de transferir a capital da colônia para o interior do país.

Gorgulho conta os bastidores da obra. Segundo ele, representantes de uma emissora de TV o procuraram, em dezembro de 2007, dizendo que a empresa iria construir, de forma independente, uma torre para transmissão da imagem digital. “Como cada uma delas teria a sua torre, achei que Brasília não merecia ostentar dezenas de torres, comprometendo sua paisagem”, conta o ex-secretário, que ligou para Niemeyer e pediu que ele fizesse o projeto de uma torre-monumento, a ser compartilhada por todas as redes de TV.

Niemeyer recebeu a ideia com entusiasmo e começou a trabalhar, depois de se reunir com engenheiros das televisões para saber sobre as necessidades técnicas das emissoras. O arquiteto entregou o projeto ao GDF em 14 de fevereiro de 2008 e as obras foram iniciadas em julho.

Crise política

A intenção do governo era de que a torre fosse o monumento dos 50 anos de Brasília, mas o escândalo que tirou o então governador José Roberto Arruda do poder atrasou o andamento da construção. “Com a saída do ex-governador, pairou sobre a capital um vácuo político-administrativo”, define Gorgulho.

O capítulo intitulado “A crise subiu a Torre”, é dedicado a esse momento. Nele, Gorgulho conta que as obras ficaram praticamente paradas desde a saída de Arruda até a eleição de Agnelo Queiroz. “Nesse período, dois fatores foram preponderantes para que ela não fosse paralisada totalmente: o interesse e as cobranças de Oscar Niemeyer e o compromisso do consórcio Construtora Mendes Júnior/Atrium, vencedor da licitação para construir a torre”, diz o autor.

Quando o novo governo foi eleito, Gorgulho conversou com o vice-governador Tadeu Filippelli e falou da importância de Agnelo fazer uma visita a Niemeyer, que completaria 103 anos em 15 de dezembro de 2010. Na ocasião, o arquiteto pediu que Agnelo retomasse as obras e terminasse a Torre Digital. O governador eleito se comprometeu a inaugurar o monumento no aniversário de Niemeyer no ano seguinte, mas, apesar dos esforços, a inauguração ocorreu em 21 de abril deste ano, aniversário de 52 anos de Brasília.

Beleza monumental

Localização: Região do Colorado
Como chegar: seguir pela Epia Norte sentido Sobradinho e virar à direita no Balão do Colorado
Altitude local: 1.215m
Altura total da torre: 182m (120m de concreto, 50m da torre metálica
e 12m da antena)
Cúpula 1 – Centro de Exposições: 60m
Cúpula 2 – Bar cultural: 80m
Consumo de cimento: 92 mil sacos
Consumo de ferro: 1.000 toneladas
Subsolo (área para equipamentos): 1.800m²
Funcionamento: sábado, domingo e feriado, das 9h às 17h,
 com entrada franca

Lançamento

A flor do cerrado: Torre de TV Digital de Brasília

Autor: Silvestre Gorgulho

Lançamento: 31 de agosto,
a partir das 17h, no local

Páginas: 239

Edição: bilíngue (português/inglês)
7 mil exemplares impressos

Preço: R$ 110, à venda
nas livrarias do DF
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