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por Dad Squarisi dadsquarisi.df@dabr.com.br

Dicas de português

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postado em 27/09/2012 08:00 / atualizado em 26/09/2012 13:32

Recado
“O empresário é um intelectual que, em vez de escrever poesias, monta empresas.”
Ferreira Gullar

De éticas, discórdias e mistérios

Saias justas não são novidade no Palácio do Planalto. A mais recente pintou na Comissão de Ética Pública. O ministro Sepúlveda Pertence jogou a toalha. Deixou a presidência do órgão depois do veto de Dilma Rousseff à recondução de dois conselheiros indicados por ele. A saída abriu crise na Esplanada e na língua. O pomo da discórdia: não recondução se escreve com hífen? Sem hífen?

O nó nos miolos se explica. Em tempos recentes, substantivos antecedidos de não ora se escreviam com o tracinho. Ora sem. Era um deus nos acuda. Só a consulta ao dicionário jogava alguma luz na questão. A reforma ortográfica pôs ponto final no problema. Com o não, nada de hífen: não ingerência, não intervenção, não fumante. E, claro, não indicação.


Ele é ela
Que surpresa! Mascote é substantivo feminino: O tatu-bola é a mascote da Copa verde-amarela. A mascote traz sorte para o país. Você gostou da mascote escolhida pelos brasileiros?


Dilma nos States
A história se repete ano após ano. Por tradição, o presidente brasileiro abre os trabalhos da Assembleia Geral da ONU. Este ano não fugiu à regra. Dilma Rousseff desembarcou em Nova York com discurso, bagagem e comitiva. Tampouco fugiram da regra os maus-tratos à língua. A vítima, como sempre, foi a concordância.

Nos noticiários e entrevistas, Estados Unidos ganharam destaque. E, com eles, o convívio nada amistoso com o verbo. Foi um tal de “Os Estados Unidos recebeu…”, “Os Estados Unidos vai eleger…”, “Os Estados Unidos se preparou…”, etc. e tal. A moçada se esquece de regra aprendida lá longe, na escola primária.

Nomes próprios escritos no plural têm manha muito particular. Com eles, quem canta de galo é o artigo. O verbo concorda com o pequenino. Na ausência do monossílabo, o singular pede passagem: Os Estados Unidos vão eleger o presidente da República em novembro. Os Andes ficam na América do Sul. O Palmeiras disputa o Brasileirão. Minas Gerais quer exportar o queijo que leva seu nome.


Sem mistério
“Votar não tem mistério. Você digita o número. Apareceu o nome do seu candidato? Confirma.” O texto faz parte da campanha do Tribunal Superior Eleitoral. O objetivo: ensinar o brasileiro a votar. A mensagem acerta no propósito. Mas tropeça na língua ao mistura os pronomes. Começa com você (você digita o número). Termina com tu (confirma tu).

A formação do imperativo é nó nos miolos. O afirmativo recorre a dois tempos. O tu e o vós saem do presente do indicativo sem o s final. As demais pessoas, do presente do subjuntivo. Assim:

Presente do indicativo: eu confirmo, tu confirmas, ele confirma, nós confirmamos, vós confirmais, eles confirmam

Presente do subjuntivo: (que) eu confirme, tu confirmes, ele confirme, nós confirmemos, vós confirmeis, eles confirmem

Imperativo afirmativo: confirma tu, confirme você, confirmemos nós, confirmai vós, confirmem vocês.

Viu? O texto do TSE tinha duas saídas para tirar nota 10. Uma: Votar não tem mistério. Você digita o número. Apareceu o nome do seu candidato? Confirme. A outra: Votar não tem mistério. Tu digitas o número. Apareceu o nome do teu candidato? Confirma.

É tal história: lé com lé, cré com cré. Cada sapato no seu pé.


Leitor pergunta
Vai ser lançado na sexta-feira o livro Resiliência — a arte de enfrentar a diversidade no ciclo da vida. Fiquei animada com o convite. Mas confesso minha limitação: desconheço o significado de resiliência. Pode me ajudar?

Cláudia Garcia, Brasília

A palavra figura no Vocabulário ortográfico da língua portuguesa (Volp) e nos dicionários. Eis o que diz o Houaiss: a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças. Em bom português: é saber dar a volta por cima. Xô, adversidade!

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