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por Dad Squarisi dadsquarisi.df@dabr.com.br

Dicas de português

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postado em 11/10/2012 08:00 / atualizado em 10/10/2012 13:34

Recado
“Prêmios não importam  quase nada. O verdadeiro prêmio é o leitor exigente.”
Milton Hatoum

Banda de música e tapete vermelho para Caravaggio
Brasília está assanhada. Com razão. A capital recebe Caravaggio com banda de música e tapete vermelho. O Palácio do Planalto exibe seis telas do genial pintor italiano do século 16. Entre elas, sobressai a Medusa Murtola. O talento do artista capta o momento em que o monstro se vê refletido no escudo. Não se trata de uma visão qualquer. Mas a visão de pavor.


A Medusa Murtola
Medusa era um monstro. Tinha duas irmãs também monstros — as Górgonas. Com asas de ouro, mãos de bronze, presas de javali e a cabeça rodeada de cobras, o trio matava de medo adultos e crianças. A razão: quem olhasse nos olhos delas virava pedra.

Das três, só Medusa era mortal. Mas ninguém conseguia matá-la. Quem tentava se transformava em estátua. Valha-nos, Deus! Perseu, o herói, foi desafiado a vencer a criatura. Topou. Como chegar lá? Pesquisou. Pesquisou. Pesquisou. Eureca! Precisava de três objetos.

Um deles: sandálias com asas para voar. Outro: capacete que o tornasse invisível para escapar dos olhos assassinos. O último: um saco mágico para guardar a cabeça cortada.

Atena, a deusa da sabedoria, ajudou o valentão. Pôs em cima da cabeça de Medusa um escudo que funcionou como espelho. Assim, Perseu não precisava olhar nos olhos da moça. Orientava-se pelo reflexo. Então, foi fácil. Pegou uma espada de aço e decapitou a criatura.

Foi a glória. O herói pôs a cabeça no saco, bateu asas e voou. Os olhos mortais das duas irmãs procuravam o atrevido. Mas não conseguiam enxergá-lo. Ele, de capacete, estava invisível. Com o tempo, medusa virou substantivo comum. É mulher feia e má. Xô, bruxa!


A volta dos mortos-vivos
Veja só! Lança-perfume parecia morto e enterrado. Depois de longa perseguição, os amantes do spray partiram pra outra. Mas a trégua durou pouco. Com a certeza de que não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe, o entorpecente invadiu o Distrito Federal. A polícia apreendeu 4.200 frascos. A operação levantou uma dúvida. Qual o plural da duplinha?

Formado por verbo + substantivo, lança-perfume joga no time de guarda-roupa, vira-lata, para-brisa, porta-retrato & cia. numerosa. Todos seguem a mesma regra. Só o nome se flexiona. O verbo, impávido colosso, se mantém invariável. Assim: lança-perfumes, guarda-roupas, vira-latas, para-brisas, porta-retratos.


Coisas da reforma
Acontece com Fernando Pinto Rodrigues o mesmo que acontece com milhões de brasileiros. A reforma ortográfica lhes deu um baita nó nos miolos. Dúvidas. Dúvidas. Dúvidas. A mais recente se refere a arguir. Agora que o trema caiu, como fica a conjugação do traiçoeiro verbinho?

Guarde isto: em todas as formas, o u fica livre e solto — sem trema e sem acento. Eis a conjugação:

Modo indicativo — presente (eu arguo, tu arguis, ele argui, nós arguimos, vós arguis, eles arguem), pretérito perfeito (eu argui, tu arguiste, ele arguiu, nós arguimos, vós arguistes, eles arguiram), pretérito imperfeito (eu arguia, tu arguias, ele arguia, nós arguíamos, vós arguíeis, eles arguiam), futuro do presente (eu arguirei, tu arguirás, ele arguirá, nós arguiremos, vós arguireis, eles arguirão), futuro do pretérito (eu arguiria, tu arguirias, ele arguiria, nós arguiríamos, vós arguíríeis, eles arguiriam).

Modo subjuntivo — presente (que eu argua, tu arguas, ele argua, nós arguamos, vós arguais, eles arguam), imperfeito (eu arguisse, tu arguisses, ele arguisse, nós arguíssemos, vós arguísseis, eles arguissem), futuro do subjuntivo: quando eu arguir, tu arguires, ele arguir, nós arguirmos, vós aguirdes, eles arguirem).
Ufa!


Leitor pergunta

Qual é a sílaba tônica da palavra Creci?

Edilson Souza, lugar incerto
Palavras (com mais de uma sílaba) terminadas em i são oxítonas. A sílaba fortona é a última. Veja: tupi, guarani, aqui, ali, parti, comi.

Se a palavra não for oxítona, o acento indica o desvio da norma. É o caso de táxi e álibi.

Conclusão: sem acento, Creci joga no time de tupi, guarani & cia.

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