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por Dad Squarisi >> dadsquarisi.df@dabr.com.br

Dicas de português

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postado em 18/10/2012 08:00 / atualizado em 17/10/2012 12:05

Recado
“Toda questão tem dois lados.”
Pitágoras

Invasão indesejada
A história se repete num ano e noutro também. Dois meses antes do Natal, sem-teto invadem Brasília. Vêm de Europa, França e Bahia em busca de gordas esmolas. Os moradores do Distrito Federal correspondem. Resultado: canteiros do Plano Piloto se cobrem de barraquinhas pretas. Nelas, famílias se abrigam para aproveitar a generosidade popular.

Fotos e denúncias aparecem em jornais. A cada dia aumenta o número de invasores. O que fazer? Enquanto a resposta não vem, vale lembrar diquinha da reforma ortográfica. Nomes formados com sem- grafam-se sempre com hífen: sem-teto, sem-terra, sem-banco, sem-celular.

A flexão? É sem-sem — sem feminino e sem plural: Os sem-terra invadem fazendas. Sem-teto montam barracas no centro da cidade. A sem-banco protestou diante do Palácio do Planalto.


Gostosura
Ontem foi o Dia Mundial do Pão. Que tal homenagear a delícia com o diminutivo plural nota 10? Observe os passos: pão, pães, pãezinhos.


Grita geral
O assunto preferido de estudantes e professores? A destinação de 50% das vagas das universidades federais para alunos de escolas públicas e minorias raciais. A grita é geral. A questão: cota ou quota? Ambas. Uma e outra têm o mesmo significado — carimbo nas cadeiras.


O mundo nasceu lá
Árabes e descendentes povoam o Brasil de norte a sul. São Paulo é a maior cidade libanesa do mundo. Quibe e esfirra viraram salgadinhos verde-amarelos. Nada mais acertado que o Itamaraty contribua para a paz no Oriente Médio. Ufa! Guerras se sucedem na região há mais de 60 anos.

O ministro das Relações Exteriores viajou para as bandas onde o mundo nasceu. Quer mediar as negociações entre Israel e Palestina. Mas, no verbo, a porca torce o rabo. É um tal de “media” pra cá e “mediam” pra lá que ouvintes fazem filas diante das farmácias na busca de remédio contra otite.

E daí? Melhor lembrar-se de dica pra lá de útil. Mediar e intermediar jogam no time de odiar. O trio se conjuga do mesmo jeitinho: eu odeio (medeio, intermedeio), ele odeia (medeia, intermedeia), nós odiamos (mediamos, intermediamos), eles odeiam (medeiam, intermedeiam); eu odiei (mediei, intermediei), ele odiou (mediou, intermediou), nós odiamos (mediamos, intermediamos), eles odeiam (medeiam, intermedeiam). E por aí vai.


Ninguém merece
Em menos de uma semana, duas tragédias. Na primeira, idosa recebeu sopa na veia. Na segunda, o cardápio mudou. Em vez de sopa, café com leite. Além da justa indignação, a barbeiragem gerou problema gráfico. Café com leite se escreve com hífen? Não. Café com leite pertence à gangue de pé de moleque, tomara que caia, mão de obra, dor de cotovelo & cia. leve e solta. Todos se grafam sem o tracinho.


Gazeteira
“Pega o aparelho e arremesse contra a parede”, recomenda atendente da Vivo a cliente com problema de conexão. Cruz-credo! Valha-nos, Deus! Além de mal-educada, a moça tem folha corrida. Matou aula. Daí não ter aprendido a formação do imperativo afirmativo. O professor criou calos na língua de tanto repetir: o mandão se forma de dois tempos:

1. o tu e vós saem do presente do indicativo menos o s final: tu pega(s), vós pegai(s)

2. as outras pessoas saem do presente do subjuntivo sem tirar nem pôr: que ele pegue, nós peguemos, eles peguem

Eureca! Eis o imperativo afirmativo: pega tu, pegue você, peguemos nós, pegai vós, peguem vocês

Para respeitar a língua, a moça tinha duas saídas. Uma: usar a 2ª pessoa (pega o aparelho e arremessa contra a parede). A outra: recorrer à 3ª pessoa (pegue o aparelho e arremesse contra a parede).


Leitor pergunta
Na discussão de projetos de lei, fala-se em "prévia previsão orçamentária". Não é redundante?

Ednei Amaral, lugar incerto

Você tem razão. Prever é ver antes. O prévia sobra. Xô! Basta previsão orçamentária.

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