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por Dad Squarisi dadsquarisi.df@dabr.com.br

Dicas de português

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postado em 25/10/2012 08:00 / atualizado em 24/10/2012 11:37

Recado
“Explica-se bastante quem cora e cala.”
Metastásio

 

Com a palavra, Sua Excelência o leitor

O mundo moderno tem novidades pra lá de legais. Entre elas, sobressai a interatividade. A tecnologia dá voz a quem era submetido à mudez. Leitores, num toque de teclas, se tornam autores. Comentam, criticam, aplaudem e, sobretudo, enriquecem a informação. A coluna recebe montões de e-mails. São todos bem-vindos. Hoje, o espaço é deles. Viva!

Raul de Araújo Carneiro

Li no jornal de domingo: “Horário de verão inicia em 11 estados e no DF e vai até 17 de fevereiro.” Inicia o quê? A frase certa me parece esta: “Horário de verão inicia-se em 11 estados e no DF e vai até 17 de fevereiro”. Não só. Passei 15 dias na Europa com uma senhora que soltou várias pérolas nesse sentido. A pior: “Fulano? Eu dô muito bem com ele”.

Raul, de uns tempos pra cá, brasileiros decidiram economizar pronomes. Os verbos pronominais, coitados, ficaram no desamparo. Eles são transitivos diretos. Precisam do objeto. Mas, quando sujeito e complemento são a mesma criatura, a mão de vaca fala alto. Vale o exemplo do verbo demitir. Imagine o locutor dizer: “Dilma demitiu”. A informação está incompleta. Demitiu quem? Demitiu o ministro. Ministro é o objeto direto.

Continuemos com o mesmo verbo. O ministro demitiu. Demitiu quem? A si mesmo. O ministro se demitiu. Eu me demiti. Nós nos demitimos. Eles se demitiram. A sua companheira de viagem deve jogar no time dos Tios Patinhas. Ela se dá muito bem com o fulano. Mas brigou com a língua.

Benedito De Rienzo

A expressão com certeza assola o país de norte a sul. É com certeza pra cá, com certeza pra lá. Outro dia, fui a um posto e perguntei: “Moço, por favor, pode calibrar os pneus do meu carro?” E lá veio a resposta: “Com certeza”. Qual o uso correto da expressão?

O problema, Benedito, não é a duplinha. É o modismo. A pessoa quer ser solícita, gentil. Mas se esquece do charme da diversidade. Então, cai no lugar-comum. Repete o que todo mundo repete. Dá no que deu.

Raimundo Rodrigues de Sousa

A imprensa tem o dever de usar a gramática corretamente. Ouvir na medida que em telejornal da manhã me azeda o humor do dia inteiro. Tenho ou não tenho razão?

É. Ninguém merece acordar com pancadas na língua. O repórter, no caso, misturou duas expressões. Uma: à medida que (à proporção que). A outra: na medida em que (tendo em vista): Melhoro a pronúncia à medida que pratico inglês. A dengue se alastra na medida em que faltaram medidas preventivas.

Viu? Na medida que não existe. Trata-se de cruzamento sintático. É como se casássemos elefante com girafa. O filhote? É o na medida que. Xô!

Hellena Leite

Já vi uma famosa frase de Gandhi escrita de duas formas. Uma é esta: “Temos de nos tornar na mudança que queremos ver”. A outra: “Temos de nos tornar a mudança que queremos ver”. Qual a correta?

Ops! Trata-se da regência verbal. O assunto é tão espinhoso que existem dicionários específicos para nos dar uma ajudinha. O do Francisco Fernandes diz que a forma nota 10 para a acepção de mudar-se converter-se, fazer-se é esta: Temos de nos tornar a mudança que queremos ver.

Ceica Athenas

Sempre que eu e meu marido damos bênção à nossa filha, dizemos que a amamos e ela responde: “Amém, eu os amo também”. Tá certo “eu os amo”?

Nota 10 pra sua mocinha. No caso, amar é transitivo direto. O pronome átono que exerce essa função é o: Eu amo vocês. (Eu os amo.) O pai ama os filhos. (O pai os ama.) Eu amo João. (Eu o amo.) João ama Maria. (João a ama.).

Maurício Borges

Bom dia, Paulo. Bom-dia, Paulo. Como devo escrever?

O cumprimento, Maurício, escreve-se com hífen. Compare: Bom-dia Paulo. Tenha um bom dia. Boa-tarde, Rafael. Tenha uma boa tarde. Boa-noite. Que todos tenham uma boa noite e sonhem com os anjos. Amém.

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