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Dicas de português

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postado em 03/04/2013 19:00 / atualizado em 03/04/2013 12:38

Dad Squarisi /Correio Braziliense

Xô, satanás!

Pode? Pode. O pior pode piorar. Marco Feliciano serve de prova. O deputado foi eleito pra digir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Mas falta-lhe perfil para tão delicado cargo. O homem tem histórico de racismo e homofobia. Diante da reação indignada de gregos, troianos e baianos, não se intimidou. Disse que, até ele chegar, satanás comandava a comissão. Isso mesmo — satanás.

Pra se safar, apelou pra etimologia. Disse que, na origem, a palavra signficava adversário. É verdade. No hebraico, berço da criatura, satã (satanás) era termo jurídico. Designava o promotor no tribunal. Com o tempo, porém, a novela mudou de enredo. Pouco antes da chegada de Cristo, passou a dar nome a uma força sobrenatural e maligna.
Vale a pergunta: Marco Feliciano, em pleno século 21, terá voltado no tempo? Vai ver que quis mostrar erudição — provar que sabe das coisas. Não convenceu. Xô!

Que medão!
De uma coisa ninguém duvida. Marco Feliciano é pra lá de corajoso. Chamou o demo pra dentro da comissão. Contrariou, outra vez, a turma que quer a criatura lonnnnnnnnnnnnnnge, bem lonnnnnnnnnnnnnge. Pra mantê-la a distância, nós nem sequer a designamos pelo nome. A razão é simples: atribuímos à palavra poder mágico. Ao pronunciá-la, atraímos o ser que nos assusta, machuca ou causa dor.

A saída? Apelar para eufemismos. Dizer sem falar. O dicionário registra mil e uma possibilidades de fugir do diabo. Entre elas, arrenegado, belzebu, canhoto, cão, cão-miúdo, tinhoso, coisa, coisa à toa, coisa ruim, condenado, cujo, demo, diacho, dragão, excomungado, feio, indivíduo, lúcifer, maldito, mal-encarado, maligno, malvado, mau, pimenta, porco, satã, serpente, tição.
Ufa! Valha-nos, Deus!
Fora, manhoso!

Deixar o tinhoso solto, no bem-bom? Nem pensar. A Igreja deu um jeito. Inventou o exorcismo. Tão sofisticada palavra vem do grego exorkismós. Na língua de Platão e Aristóteles, quer dizer conjurar, lançar fora o demônio. Os espíritas dão outro nome à prática. É desobsessão. O povo sabido diz em português que todo mundo entende — tirar o diabo do corpo.

O mal-amado
“Manifestação monstra contra Marco Feliciano”, noticiaram jornais, tevês, rádios, sites e blogues. Com razão. Negros, brancos, gordos, magros, altos, baixos, adultos, crianças — todos espernearam (e esperneiam) contra o parlamentar acusado de racismo e homofobia. O mal-amado faz de conta que nem é com ele. Sabe por quê? Monstro, quando usado como adjetivo, é invariável sim, senhores. Com ele, masculino, feminino, singular ou plural — é tudo igual. Assim: manifestação monstro, manifestações monstro; engarrafamento monstro, engarrafamentos monstro.

Por falar em monstro…

Você costuma dizer “a ídola”, “minha ídola” & cia. idolatrada? Ops! Abra os olhos. Ídolo é masculino e não abre: Ele é meu ídolo. Ela também é meu ídolo. Michelle Obama se tornou ídolo de americanos e europeus.

Como unha e carne

A casa vem coladinha em outra. Muitos dizem casa germinada. Ops! O que germina é semente. A casa é geminada. A palavra vem de gêmeo.

Leitor pergunta

Há tempos noto que redatores cometem erro sistemático de concordância quando falam de porcentagem. É o caso da frase “... 30% da carne consumida no país tem origem clandestina”. O verbo não deveria estar no plural?

Luiz Carlos Ferraz, BH

Concordância com porcentagem exige atenção plena. Duas situações podem ocorrer. Uma: o número anteposto ao verbo. A outra: o número posposto ao verbo.

1. Se o número vem antes do verbo, o verbo pode concordar com o numeral ou com o termo que o acompanha: Segundo o relatório, 15% da população absteve-se de votar (concordância com população). Segundo o relatório, 15% da população abstiveram-se de votar (concordância com 15).

Com o número acompanhado de artigo, pronome ou adjetivo, cessa tudo o que a musa antiga canta. A concordância se faz com ele: Uns 8% da população deixaram de votar. Este 1% de indecisos decidirá o resultado. Bons 30% do público vaiaram o show.

2. Se o número percentual vem depois do verbo, adeus, farra. A concordância se faz só com o numeral: Abastiveram-se de
votar 30% da população. Tumultuou o processo 1% dos candidatos inconformados com a discriminação.

Recado

“A liberdade é filha da inteligência.”

Ingersoll
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