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Dicas de português

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postado em 10/04/2013 19:00 / atualizado em 10/04/2013 12:34

Dad Squarisi /Correio Braziliense

Recado
“Os que escrevem como falam, mesmo se falam muito bem, escrevem mal.”
Buffon



Thatcher, Freud, Marx & cia.
A morte da dama de ferro não reacendeu só discussões econômicas e políticas. As linguísticas também ganharam espaço. Uma delas: como se escreve o adjetivo derivado de Thatcher? A resposta remete à hereditariedade. Na língua como na vida, quem veio antes pesa — e muito. Por isso as palavras derivadas seguem as primitivas. Sem vacilar, ficam no encalço de pai e mãe.

Se a primitiva se escreve com s, a derivada não hesita. Vai atrás. Se com z, x, ch ou qualquer outra letra, também. Pode ser adjetivo, verbo, substantivo. A regra vale pra todos: atrás (atraso, atrasar, atrasado), exame (examinar, examinador, examinado), fazer (fazedor, fiz, fez),cheio (encher, enchente), charco (encharcar, encharcado), paralisia (paralisar, paralisante, paralisação).


Estrangeirinhas

Nem os nomes estrangeiros escapam. Mas lidar com eles exige algo mais que o respeito à família. Os importados ficam no meio do caminho. Têm um olho na nacionalidade. O outro, na língua portuguesa. Em outras palavras: respeitam a grafia original. Depois, acrescentam os sufixos ou prefixos como se a palavra fosse 100% verde-amarela.
O resultado é híbrido – meio lá, meio cá. Mas tem seu charme. Veja: Freud (freudiano), Marx (marxismo, marxista), Hollywood (hollywoodiano), Spielberg (sipelberguismo, spelberguiano), Kant (kantiano, pós-kantismo), Byron (byronismo, byroniano), Shakespeare (shakespeariano), Bach (bachianas), Hobbes (hobbesiano), Sarney (sarneysismo), Taylor (taylorismo), Weber (weberniano, pré-werberiano), windsurf (windsurfista), kart (kartismo, kartódromo). E, claro, Thatcher (thatcherismo).


Resumo da ópera
Percebeu? A estrutura original do vocábulo permanece. A função dela é uma só — transmitir o significado da palavra. É como o sobrenome. Com ele se identifica a família.


Sem pedigree

Repórteres levaram baita susto. Precisaram escrever expressão pra lá de conhecida. Ao fazê-lo, receberam puxão de orelha do editor. O responsável pela revista criticou a desatualização da moçada. Pra se penitenciar, eles não tiveram saída. Consultaram o dicionário. Surpresa! O pai de todos nós grafou "calcanhar de aquiles". Assim, sem hífen e letras minúsculas.

É isso. A reforma ortográfica cassou o tracinho das composições de três ou mais palavras ligadas por preposição, conjunção, pronome. É o caso de pé de moleque, tomara que caia, mula sem cabeça, bicho de sete cabeças, dor de cotovelo. É o caso, também, de calcanhar de aquiles.

A minúscula não tem relação com a reforma. Nome próprio que vira comum perde o pedigree. Vira-lata, escreve-se com a inicial minúscula: castanha-do-pará, castanha-do-brasil, joão-de-barro, joão sem braço, malhação do judas, banho-maria, maria, vai com as outras, louva-deus, deus-dará.


De múmias e tropeços
Hugo Chávez seria embalsamado. Teria o destino dos faraós, de Mao, Lenin, Evita Perón. Nada mal. Seria uma glória deixar o corpo à mostra, com aparência de vivo. Mas, como diz o outro, o homem põe e Deus dispõe. As providências vieram tarde. Abortaram o sonho.

A GloboNews aproveitou a oportunidade. Fez bela reportagem sobre personagens que, ao longo da história, receberam tal homenagem. A pesquisa séria, as imagens atraentes e a narração perfeita tiveram um senão — o tropeço na formação de palavras. A reportagem falou em "embalsamento". Bobeou. O prefixo -mento se acrescenta ao radical do verbo. Assim: embalsamar (embalsamamento), banir (banimento), casar (casamento).


Leitor pergunta
Saiu no Correio: "O papa Francisco comprimentou pessoalmente vários católicos". Cumprimentando o repórter pela bela matéria, sugiro a ele que dê uma olhadinha no dicionário e veja a diferença entre cumprimento e comprimento. Com uma ajudinha do pai dos burros, teremos excelentes matérias no futuro.

João Manoel Moreira Aparecida, Taguatinga


Ops! A língua é cheia de trapaças. Sem atenção, caímos em ciladas e mais ciladas. Vale prevenir. Em cumprimento e comprimento, uma letra faz a diferença. Comprimento é extensão, distância (comprimento da saia, comprimento da estrada). Cumprimento, saudação ou ato de cumprir (cumprimento de cabeça, cumprimento caloroso, cumprimento da portaria).

 

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