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Dicas de português

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postado em 15/05/2013 18:00 / atualizado em 15/05/2013 10:44

Dad Squarisi /Correio Braziliense

Recado
“Eu não sou ministro. Estou ministro.”
Eduardo Portella

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O verbo da semana? É rever. “Sem essa”, disse Joaquim Barbosa. O presidente do Supremo Tribunal Federal rejeitou o recurso para rever o mensalão. Resultado: Delúbio Soares, que esperava se livrar da prisão, ficou chupando o dedo. "Nós não somos cachorros não", gritaram deputados em coro. Eles querem forçar Dilma a rever o jeito de tratar os aliados. A presidente nem dá bom-dia aos coitados. Pode?

Tão relevantes acontecimentos mereceram visitinha à gramática. O nó da questão: como conjugar o verbo rever? A resposta: ele é filhote de ver. Pai e filho se flexionam do mesmo jeitinho: vejo (revejo), vê (revê), vemos (revemos), veem (reveem); vi (revi), viu (reviu), vimos (revimos), viram (reviram); verei (reverei); veria (reveria); vendo (revendo); visto (revisto). E por aí vai.

Tempos do indicativo são moles como coração de vó. O problema reside no futuro do subjuntivo. Se eu rever? Se eu revir? A dificuldade é genética — herança que passa de pai para filhos. Encontrada a resposta para o primitivo, desvenda-se o mistério dos derivados. Assim: se eu vir (revir), se ele vir (revir), se nós virmos (revirmos), se eles virem (revirem).

É isso. Joaquim Barbosa disse: “Se o Supremo revir o julgamento, conduzirá ao descrédito a Justiça brasileira”. Nota 10.


Como chegar lá?
É “se eu manter” pra cá, “se eu pôr” pra lá, “se eu ver, trazer, caber” pracolá. O futuro do subjuntivo é a grande vítima das pancadas gramaticais. É que ele tem um concorrente desleal. Trata-se do infinitivo. Nos verbos regulares, o futuro do subjuntivo tem a cara do infinitivo: se eu amar, se eu cantar, se eu vender, se eu partir, se eu escrever.

Na língua como na vida, quem vê cara não vê coração. Apesar da aparência, o futuro do subjuntivo não deriva do infinitivo. Deriva do pretérito perfeito. A 3ª pessoa do plural, sem o -am final, dá à luz a 1ª pessoa do tempo problemático. Veja:


Pretérito perfeito
Manter: mantive, manteve, mantivemos, mantiver(am)
Pôr: eu pus, ele pôs, nós pusemos, eles puser(am)
Ver: eu vi, ele viu, nós vimos, eles vir(am)
Trazer: eu trouxe, ele trouxe, nós trouxemos, eles trouxer(am)
Caber: eu coube, ele coube, nós coubemos, eles couber(am)

Futuro do subjuntivo: se eu mantiver, ele mantiver, nós mantivermos, eles mantiverem; se eu puser, ele puser, nós pusermos, eles puserem; se eu vir, ele vir, nós virmos, eles virem; se eu trouxer, ele trouxer, nós trouxermos, eles trouxerem; se eu couber, ele couber, nós coubermos, eles couberem.
Moral da história: as aparências enganam.


Olhar pra frente
Prevenir ou remediar? “Prevenir”, decidiu Angelina Jolie. A bela baseou-se no histórico familiar. Dados os antecedentes, tinha 87% de risco de desenvolver câncer:

— Eu, hein? Tenho 37 anos, seis filhos pra criar e a vida pela frente.

Retirou os dois seios. Submeteu-se a uma mastectomia. O palavrão vem do grego mastós, que quer dizer teta, seio. A greguinha formou ampla família na linguagem científica. Entre os membros mais ilustres, sobressaem mastologista (médico especialista em mama), mastite (inflamação das mamas), mastoide (que tem formato de mama).


Nada é eterno
O mundo dá voltas. Lá por 1960, Cuba mandava os homossexuais pra campos de trabalho. Agora promove passeatas anti-homofobia. A psicóloga Marieta Castro lidera o movimento. Ela não é nem mais nem menos que filha de Raúl Castro, presidente do país.

Ao noticiar o fato, perguntas pintaram a torto e a direito. Uma delas: como se escreve anti-homofobia? Assim mesmo. Prefixos seguidos de h pedem hífen sim, senhor: super-homem, contra-história, anti-higênico.


Leitor pergunta
Leio frases como esta: “O ladrão passou desapercebido”. O correto não é despercebido ?

José Roberto Magalhães, São Gonçalo do Rio Abaixo, MG

Os dicionários registram desapercebido e despercebido como sinônimos. O Houaiss traz esta observação: “Os parônimos despercebido e desapercebido foram objeto de censura purista, acoimados de falsa sinonímia, mas o emprego desses vocábulos como sinônimos por autores de grande expressão tornou a rejeição inaceitável”.

Vamos combinar? A língua é como a mulher de César. A primeira-dama de Roma não só tinha de ser honesta. Tinha de parecer honesta. O português nosso de todos os dias não só tem de ser correto. Tem de parecer correto. Como poucos consultam o dicionário, melhor ficar com o uso antigo: desapercebido (= desprevenido), despercebido (não percebido): A Receita me pegou desapercebida — sem dinheiro para pagar o Imposto de Renda. O ladrão passou despercebido. Ninguém o viu.

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