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Dicas de português

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postado em 26/05/2013 18:00 / atualizado em 26/06/2013 11:18

Dad Squarisi /Correio Braziliense

Recado

“A língua portuguesa é branda para deleitar, grave para engrandecer, eficaz para mover, doce para pronunciar, breve para resolver e acomodada às matérias mais importantes da prática e escritura.”
Rodrigues Lobo



Palavras de sobra
As ruas viraram salão de festa. Ondas de pessoas se dirigem para pontos estratégicos. O poder é o alvo. Prefeituras, palácios, assembleias legislativas, câmaras de vereadores funcionam como ímã. As manifestações crescem dia a dia. Cadê os eleitos? Fazem-se de mortos. Caladinhos, esperam a tempestade passar.

Não passou. Pressionada, Dilma apareceu na telinha. Vestida de amarelo e pra lá de maquiada, falou durante 10 minutos. Deu razão aos manifestantes, puxou as orelhas dos vândalos e disparou promessas. Não convenceu. Voltou à carga. No encontro com os governadores, anunciou “plebiscito popular”.

Ops! Sua Excelência fez o que os políticos mais sabem fazer. Falou além dos limites. Resultado: pisou a língua. Plebiscito popular joga no time do subir para cima, descer pra baixo, adiar pra depois, elo de ligação. Só se sobe pra cima, só se desce pra baixo, só se adia pra depois. Todo elo é de ligação. E, claro, todo plebiscito é popular. Basta convocar plebiscito.


Tapa o nariz
Dilma propõe que o crime de corrupção seja classificado de hediondo. A polissílaba tem sinônimos. Sórdido é um deles. Repugnante, outro. Depravado, mais um. A palavra despertou curiosidade. De onde vem a criatura que ninguém ama e ninguém quer? Vem do latim vulgar foetibundus, de foetere. Lá e cá, significa exalar mau cheiro. Em bom português: feder.


Nuzinho da silva
O verbo mais usado na última quinzena? É faltar. Falta educação. Falta saúde. Falta segurança. Falta transporte. Falta seriedade. Falta justiça. Falta vergonha na cara. As manifestações deixaram claro o descompasso entre a realidade e o discurso de Suas Excelências. Daí a expressão que tomou conta das ruas: o rei está nu. Ao escrevê-la, pintou a dúvida. Nu tem acento? Não. Os monossílabos e os oxítonos têm uma regra comum. Os terminados em i e u, seguidos ou não se s, dispensam o agudo. Xô! Assim: nu, crus, tabu, urubu, cajus, si, abacaxi, aqui, caquis.

Falou e disse
Um discípulo perguntou a Confúcio: “Quais os ingredientes para um bom governo?” O mestre respondeu: “Comida, armas e a confiança do povo”. O discípulo continuou: “Se o governante for obrigado a abdicar de um desses elementos, a qual deverá renunciar?” “Às armas”, diz Confúcio. Prossegue o discípulo: “E se o governante devesse eliminar a outro ingrediente?” A resposta: “Aos alimentos”. O discípulo, perplexo, replica: “Mas, sem alimentos, o povo morre!” Confúcio, com sabedoria e desprendimento das coisas materiais, é taxativo: “A morte representa, desde tempos imemoráveis, o inevitável destino dos seres humanos, enquanto que um povo, que não confia mais nos governantes, é um povo perdido”.


Sabia?
Cônjuge joga no time de vítima. Ele é o cônjuge. Ela é o cônjuge. Ele é a vítima. Ela é a vítima. Ops! Como distinguir o feminino do masculino? O jeito é abrir o jogo: o cônjuge homem, o cônjuge mulher, a vítima homem, a vítima mulher.

São dois sim, senhor
Confundir é proibido. Óculo e óculos pertencem à mesma família. Mas têm empregos próprios. Óculo, no singular, é luneta. Óculos, no plural, dá nome à duplinha de lentes — a armação que supõe dois óculos (um à esquerda, outro à direita). O conjunto só pode ser chamado de óculos: os óculos, óculos escuros, óculos de grau, meus óculos.

Leitor pergunta

O certo é “agora a pouco” ou “agora há pouco”?
Lalis, lugar incerto

Trata-se de tempo passado, não? O há pede passagem: Chegou agora há pouco. A reunião começou há pouco. Terminou o trabalho agorinha há pouco.

O solitário a indica tempo futuro: Daqui a pouco pego o avião. A poucos meses da Copa do Mundo, o Brasil ferve de indignação. Chego daqui a pouco.

 

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