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Dicas de português

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postado em 19/06/2013 18:00 / atualizado em 19/06/2013 12:37

Dad Squarisi /Correio Braziliense

Ronaldo de Oliveira
Recado
"Quem sabe ouvir é popular em toda parte e acaba aprendendo alguma coisa."
Wilson Mizner

O povo? Que povo?
“Todo poder emana do povo”, diz a Constituição. Povo? Que povo? Alguns o chamam de povinho. Outros, de zé-ninguém. Massa serve. Povão também. Na França foi denominado de terceiro estado — tudo que não era clero nem nobreza.

Aqui, ganhou outras especificações. “Apenas um detalhe”, rotulou-o Zélia Cardoso de Mello. “É o dono da Praça Castro Alves”, cantou Caetano. “É o porta-voz do Senhor”, afirmam os pais de santo. E explicam: “A voz do povo é a voz de Deus”.

As manifestações que tomam conta das ruas deram recado claro: “Deixem as brincadeirinhas pra lá. O povo é o que diz a Constituição. Aliado às redes sociais, mostra quem é que manda”. Presidente, deputados, senadores, governadores, prefeitos & cia. eleita representam os brasileiros. Devem lutar pelo bem comum. Se não o fazem, conjugam o verbo trair.

Luz vermelha
Trair joga no time de sair e cair. O trio se flexiona do mesmo jeitinho: eu traio (saio, caio), ele trai (sai, cai), nós traímos (saímos, caímos), eles traem (saem, caem); eu traí (saí, caí), ele traiu (saiu, caiu), nós traímos (saímos, caímos), eles traíram (saíram, caíram).

E por aí vai.

Efeito dominó
Que medão! Traiu? Prepare-se. No novo Brasil, há a ameaça do efeito dominó. O povo pode exigir o mandato de volta. Chegar lá, exige um cuidado. Não confundir mandato com mandado. Mandato é representação. O eleitor escolhe o candidato para representá-lo. Em bom português: para fazer as vezes dele. Senador, deputado, presidente, governador, prefeito e vereador têm mandato.

Mandado joga em outro time. Vem de mando, ordem. Daí mandado judicial, mandado de segurança, mandado de busca e apreensão.

Por que não?
Tra-í-do tem acento. Tra-i-ção dispensa o agudo. Por quê? Na separação das sílabas, ambas as palavras parecem subordinadas à mesma regra. O i é antecedido de vogal, forma sílaba sozinho (pode ser com s) e não é seguido de nh. É o caso de sa-í-da, ca-í-da, e-go-ís-ta.

Traição e saidão deixam de preencher o último requisito. Pra ganhar o grampinho, o i precisa ser a sílaba tônica da palavra. Nos dois vocábulos, a fortona é a última. O i vira sílaba átona. Fraquinha, não tem opção. Recolhe-se à própria insignificância.

Quebra-quebra
Que bobos! Criaturas sem limites vão às ruas promover estragos. Os cariocas tiveram de carregar o peso da ignorância. Amargaram imagem pra lá de deslocada. Meia dúzia de tolos invadiram o prédio do Legislativo e promoveram quebra-quebra das instalações. Foi cena de bangue-bangue. O fato, além de revoltar a maioria pacifista, levantou questão de português.

Qual o plural das duplinhas? Eis as respostas: quebra-quebras e bangue-bangues. Ambas são formadas de palavras repetidas. O plural dispensa a redundância. O s no final é suficiente para dar o recado.

Xô, vândalos
Os bobões que depredaram patrimônio público foram chamados de vândalos. Com razão. Vandalus é o nome da tribo germânica que saqueou Roma há muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito tempo. Faz 2.468 anos. Eles atribuíram a si mesmos o nome Wandal, que quer dizer errante. Nós associamos a denominação a depredações sem sentido. Por quê? Porque os vândalos declararam guerra aos monumentos da cidade. Resultado: a falta de nariz das belas estátuas da capital do Império Romano é herança deles. Xô!

Leitor pergunta
Estudo muito. Nem por isso — ou talvez por isso —surgem dúvidas. Entre elas, esta: O correto é afirmar: situações de emergência ou situações de emergências?
Márcio Chagas, Brasília
Emergência é substantivo abstrato que tem plural — emergências. Mas há contextos em que o singular dá o recado. Como a língua detesta redundâncias, o singular se impõe. Compare: situação de emergência (uma situação), situações de emergência (mais de uma situação).

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